sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O PEQUENO ENCANADOR

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Para quem sempre se perguntou "como seria um jogo sobre o Pequeno Príncipe?", já há uma forma de saber: Super Mario Galaxy, para o Nintendo Wii. O jogo, que conta mais uma aventura do famoso encanador em busca de salvar a Princesa Peach das mãos do Bowser, apresenta uma série de planetas a serem desbravados, com inúmeros perigos no caminho. Abusando na jogabilidade, carisma, diversão e inovação, Super Mario Galaxy oferece uma experiência única ao nos permitir caminhar pelos micro-planetas em todas as direções, reinventando a física, exatamente como o pequenino príncipe de Saint Exupéry o fazia. Um tesouro; um daqueles jogos que nos faz lamentar cada minuto passado. Deveria ser infinito, misterioso e impossível de navegar por completo. E não acabar nunca. Como o espaço.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

"DAQUI HÁ QUATRO ANOS"


Eis uma das minhas brincadeiras pessoais mais recorrentes. "Daqui há quatro anos, como estará a minha vida?". Tive essa reflexão, concretamente pela primeira vez, ao final da Copa do Mundo de 1994, que aconteceu nos Estados Unidos. O pensamento não tinha nenhuma relação com o esporte, mas com a idéia, puramente, que me ocorreu de imaginar como estaria a minha vida quatro anos depois ou seja, na Copa do Mundo seguinte. Mas chega de futebol. Em nada meus pensamentos se aproximam do futebol. Em verdade, acho que reflito sobre a passagem do tempo desde que existo (penso logo existo; existo logo sofro?). E por isso sinto tanta saudade - de tudo - e sou tão nostáligico sobre tantas coisas. Porque me desespera a idéia de ver os anos escorrendo por entre os dedos enquanto constato que os momentos, tão maravilhosos no presente (que inocentemente julgamos eternos), estão ficando para trás. Lembro de meus anos de capa de super-herói, em que minhas preocupações se resolviam na passagem natural das horas, porque nunca me faltou colo e barra de saia de mãe para me proteger de todas as angústias infantis. Mas mesmo então eu conseguia dizer para mim mesmo: "isso vai passar um dia". O momento presente parece eterno, porque é impossível visualizar a vida, anos adiante. Mas quando menos percebemos, o tempo passou e nos damos conta, às vezes com um susto, o quanto mudou, o quanto se perdeu daquilo que pareceria nunca acabar. Olho para o espelho, todos os dias, e toco o rosto com a sensação de primeira e última vez, porque o dia seguinte já me trará um rosto novo, com células novas, que vão delineando o meu envelhecimento. "O tempo está passando", reflito todos os dias, mesmo de forma inconsciente, porque o pensamento não me deixa; é tatuagem (e cicatriz) de alma. Não há nada que se possa fazer a respeito. E isso é, ora emocionante, ora aterrorizante. E me esforço em esquecer de tudo, das certezas inquestionáveis de que um dia tudo terá acabado. Eis meu maior pesadelo. E quando todas essas idéias se agrupam como uma parede sufocante, que parece desmoronar sobre mim, visto meu espírito com uma empoeirada capa de super-herói e, como nos velhos tempos, finjo que tudo será para sempre.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

80 ANOS

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Hoje é aniversário de Adam West, eterno Batman da juventude dos anos 60 e um de meus heróis mais nostálgicos. De todos os que já vestiram a capa do homem-morcego, eis o meu Batman. Prova inegável de que também os heróis envelhecem. Parabéns a ele.
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O PLANO MAIOR

O espaço do ponto de vista do satélite Hubble da Nasa
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Tenho certeza que Deus olha por nós, todos os dias, por mais difíceis que sejam. É que nada Ele pode fazer pela benfeitoria instantânea sobre um dia ruim. Porque Ele atua no plano maior, para que o resultado final seja bom. Ter fé, na vida, sempre. Tudo dá certo.

JOHN C. REILY MERECE SUA ATENÇÃO


Ele definitivamente saiu da sombra do Will Ferrell. Deixou de lado a vocação de eterno coadjuvante "um pouco engraçado" e assumiu com muita qualidade o papel principal do filme "A vida é dura" (Walk Hard - The Dewey Cox Story). John C. Reilly faz um ótimo trabalho ao interpretar a vida cheia de perdições e abusos de Dewey Cox, um cantor que consegue sair da obscuridade diretamente ao estrelato. No caminho, os anos 60/70, drogas, álcool, sexo e a descoberta do Rock´n´Roll. Não é o filme mais engraçado da minha vida; certamente, Will Ferrell teria feito o papel de forma mais insana e tosca (mas isso já está muito manjado), mas não consegui deixar de rir em 80% do filme, com suas cenas e diálogos insanos e momentos inesperadamente engraçados. "Walk hard" atua, na superfície, como uma paródia as cine-biografias de estrelas da música, mas não deixa de ser um filme de comédia com muito conteúdo e frescor a oferecer. John C. Reilly não abusa das convenções nem das piadas velhas e oferece seu próprio jeito de fazer comédia o que, no fim das contas, nos dá a impressão de estarmos vendo um filme de comédia sem muitos vícios, novo, com o propósito de inovar e fazer rir sem ofender (muito). E nos mostra que a vida, apesar de tão dura, é uma jornada preciosa de realizações e, por que não, muitas gargalhadas.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O QUE ESCONDE O CHEIRO DO RALO?


"O cheiro do ralo" é um filme estranho. É basicamente isso. Mas não é só isso. Trata-se de um filme único, extremamente psicanalítico, com um "cheiro" de filme europeu, cult desde o primeiro segundo, com boa trilha sonora e direção de arte, como não se vê com freqüência no cinema brasileiro. A história é construída num cenário sem tempo nem geografia, onde conhecemos a (falta de) vida de Lourenço, um rabugento dono de loja de penhores, que passa o dia inteiro comprando e vendendo tranqueiras inúteis de pessoas que o procuram desesperadamente em busca de qualquer trocado. E diante desses personagens estranhos ele exerce seu sadismo mais genuíno, enquanto se desculpa por um tal "cheiro do ralo" que emana do banheiro dos fundos. Nos intervalos dessa vida monótona, ele flerta de maneira esquisita com uma garçonete de nome impronunciável. Na verdade, um flerte esquisito com as nádegas da garçonete. Assim, vamos pouco a pouco dissecando a alma perturbada ali retratada (e brilhantemente interpretada por Selton Mello), que descobrimos se tratar da ponta de um iceberg que muito tem a revelar: fixações, obsessões, a busca por um pai ausente, o desprezo pela matéria humana. "O cheiro do ralo" é um filme estranho, não há a menor dúvida. Um filme denso, profundo, não muito acessível. Não é entretenimento gratuito. Mas há algo interessante ali, que nos prende desde as primeiras cenas. Ao final, senti vontade de voltar ao primeiro minuto e ver tudo novamente, na expectativa de descobrir algo novo, na costura misteriosa das cenas que parecem esconder o verdadeiro filme por trás do cheiro que emana do ralo.

sábado, 13 de setembro de 2008

MULHER E MITO


"Elizabeth - The Golden Age" é um filme primoroso, tão exuberante quanto o primeiro. Pessoalmente, ainda prefiro o "Elizabeth" original, mas acho que isso é absolutamente normal e até previsível. É a maldição das continuações, acho. O primeiro, o pioneiro, sempre é referência e marco. Mas esse segundo filme sobre a rainha guerreira da Inglaterra não merece ser ignorado. Na verdade, "A era de ouro" nem parece uma continuação. Trata-se do retrato de mais um momento da história, independente do que foi contado antes. Como produto de arte, apenas, é valioso, marcado por belíssimas cenas, diálogos poderosos, seqüências de tirar o fôlego e todo o caráter épico que se espera de um filme assim. A cena em que Elizabeth surge ao todo do monte, como uma divindade, trajando armadura brilhante sobre um corcel branco é de arrepiar os cabelos - pelo menos para qualquer history-geek (confesso!). No fim das contas, é ótimo filme, que cumpre muito bem o seu papel de contar uma história (por mais que existam aqui e ali alguns equívocos históricos - mas, por favor, isso é um filme! Não dá para contar décadas em duas horas sem alguns ajustes, c´mon). Para mim, foi uma experiência imersiva. É isso que esse filme faz: sem grande esforço te transporta para aquele tempo tão turbulento, onde o fervor religioso e expansionista do império espanhol ameaçava a geopolítica da época. Cate Blanchet, naturalmente, é a jóia da coroa do filme que, basicamente, é uma desculpa para ela mostrar (novamente) o quão maravilhosa consegue ser. Em alguns momentos, sem exageiro, eu deixava de pensar na atriz e enxergava apenas a rainha-virgem, de cabelos vermelhos e punho de ferro, na sua determinada missão de transformar a Inglaterra no império marítimo que ouvimos falar nos livros. Um ótimo filme para se assistir sob cortinas fechadas, chuva na janela e algumas fatias despretensiosas de pizza.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

FANTASIA


para não me permitir afastar da doce inocência, do desejo infantil, da capacidade de rir das bobagens e de acreditar, sempre, que a vida é boa e que não há medos desacolhedores; para crer que não há tempo ruim, suficientemente assustador para inibir a magia.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

"SO SCARED OF GETTING OLDER...


...I´m only good at being young", diz a música. E acho que diz tudo. É uma mistura de sentimentos e reflexões. É o frio na barriga. É o meu olhar diante do espelho, equilibrando indecisamente um talão de cheques em uma mão e uma miniatura do batmóvel em outra. Porque a vida assusta. E encontrá-la repentinamente numa esquina é como ser surpreendido pela chuva. Então me dou conta de que muito passou, e que muito ficou para trás e que por mais que eu me esforce em defender (para mim mesmo) que "sou bom apenas em ser jovem", o tempo põe amigavelmente o braço sobre minhas costas e aponta um caminho, de constatação; de que não dá para "descer do trem" mas que, nem por isso, significa que a viagem será ruim. Porque não há o que temer. Muito fica para trás, inevitavelmente, na paisagem que corre pela janela. Mas muito chega, em quase igual proporção. É preciso encarar esse tempo, sem medo algum que ele encare de volta. É a estrada obrigatória para eu me tornar quem sou.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

SOBRE UMA ALMA TRISTE


Marion Cotillard mereceu cada centímetro do Oscar que conquistou por sua primorosa atuação em "Piaf - Um hino ao amor". Lamentei profundamente não ser mais conhecedor de sua vida, de sua música, sua paixão e sua tragédia. Mas senti de forma verdadeira a sua importância e contribuição. Piaf, definitivamente, foi uma expressão pura da cultura francesa. E com sua alma triste desenhou breve (porém eterna) participação na história.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

CAPITÃES DESTINATÁRIOS


Percebo, diariamente, o quanto é importante (e decisiva) a sua presença na minha vida. Um furacão em muitos momentos, é verdade; mas um oceano de calmaria em tantos outros. Meu oceano particular, onde navego sem temores, descobrindo ilhas sem nome, fundando impérios de sonhos. Uma onda inquebrantável de transformação, de revolução, que até hoje só me tem levado para frente, para cima, destemidamente. Como o Super-Homem. Para o alto, e avante. Encontrei em você a palavra que andava procurando: destemor. Já não sinto mais (tanto) medo e hoje em dia começo a me desprender da idéia de que "só sou bom em ser jovem". Assim você me fez; mais aguerrido, mais combativo, mais corajoso. Faço escolhas, tomo decisões sem pensar tanto nas conseqüências. Porque você tem me provado que a vida agracia quem arrisca, quem aceita o combate. Qual a necessidade de se planejar tanto, você sempre questiona. Não levamos a vida nas linhas preto e branco de um tabuleiro de xadrez, tampouco queremos isso. Queremos o medo, digo o medo gostoso, o frio na barriga, a aventura. Visto minha clássica camiseta com armas de pirata todas as vezes que pressinto uma aventura ao seu lado, num sábado ou domingo qualquer. E sempre acerto. Porque você me leva na carona da sua aventura como quem doma um cometa; uma aventura de conquistas e realizações, pequenas e grandiosas, banais e tremendamente ambiciosas, como se gritássemos do topo do mundo que nada é suficientemente capaz de nos segurar. Não há obstáculos, não há empecilhos. Há a nossa vontade. A determinação de fazer aquilo que queremos, honestamente, vivendo o sonho possível enquanto transformamos o impossível com mãos de quem faz alquimia. Vivemos numa cidade sem muros. E assim vamos vivendo, "como príncipe e princesa", ainda que quase sempre como "dama e vagabundo", no nosso conto de fadas pessoal em que alternamos os papéis para manter eternamente aquecida a história. É que estamos envelhecendo juntos. Fomos cunhados na moeda do tempo, metade e metade, destemidos capitães destinatários.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

A LINHA FINAL


E, um dia, quando chegarmos juntos a linha final, teremos ainda mais uma etapa para vivermos. A mais importante. De vivermos a eternidade e de nela voarmos. Por que seremos pássaros.

ESCARLATE COMPANHIA


Sim, quero ser cronista, arauto, protagonista dessa história. E fico inspirado quando também te vejo assumindo esse papel, ou melhor, dividindo-o comigo. Por isso quero todas as nossas fotos, pedacinhos de papel, ingressos de cinema, colares havaianos, peças de roupa, presentes de pequena e grande importância, músicas, filmes. Esses pequenos tesouros. A prova de "que é para sempre". Tudo se une, todas as idéias; e nessa louca e colorida amálgama, quase caleidoscópica, é que vamos vendo nossa história se formar, se transformar e se revolucionar com os anos que vão passando pela janela do trem. E constatamos: sim, amor, sim, estamos envelhecendo juntos. Esta noite, nesta morna noite como tantas que dormimos na companhia um do outro, uma estrela parece sorrir do alto, para mim. E talvez esteja lá o nosso principezinho, em seu papel de jardineiro estelar, me lembrando de que tudo nesta vida, neste mundo, pode passar. E passa. Mas que você, minha princesa exilada, minha rainha distante, minha Rosa, você fica. E onde eu estiver, seja em que chão, cidade, país ou planeta, estarei sempre olhando para o céu, revolvendo estrelas com a força de pensamentos honestos, contando segundos para roubar carona nas caudas de pássaros imigrantes que me levem, sempre, para o calor escarlate e encantado da tua companhia.

TORNANDO O IMPOSSÍVEL(?) POSSÍVEL


Talvez

(Pablo Neruda)


Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma
flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,
E desde então, sou porque tu és
E desde então é sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

E MESMO QUE DÊ TUDO ERRADO


E mesmo que nada disso dê certo e tudo se acabe na mesma velocidade em que começou; e mesmo que nada mais que te digo signifique alguma coisa e que as minhas palavras percam o sentido por completo; mesmo que você não consiga mais enxergar e acreditar na verdade em meus olhos, e que eu perca o jeito para te fazer rir ou te comover, haverá sempre algo que poderei dizer, enquanto houver o tempo, nesta nossa jornada sem medo de sonhar, na nossa capacidade inequívoca de nos renovarmos todos os dias, eis que me apaixono por você novamente a cada manhã que acordo ao teu lado: Eu pertenço a você.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

MINHAS CONSTELAÇÕES SEM NOME


As três-marias da tua barriga alva me roubam noites e dias, como terroristas, seqüestrando pensamentos inocentes e os convertendo sem esforço em desejos vorazes; mesmo quando sequer as havia conhecido. Veja a força do pensamento. Eu, eterno astrônomo de araque, entretido com meu telescópio de pensamentos; cartógrafo e navegante incansável do teu corpo, calculando a distância entre sardas, marcas, sinais e cicatrizes; quero-as todas, estas que são minhas constelações sem nome.

O LAMENTO DA BORBOLETA


Descobri, sem muita demora, que você é uma borboleta. Isso, uma Borboleta. E pelo menos até hoje, a minha Borboleta. Mas uma especial, vermelha, misteriosa, inquieta, impaciente, que quer polenizar todas as flores, e voar por cada centímetro do jardim, e voltar, e pousar, e voar de novo, sempre com o desesperado desejo de ir embora. Uma Borboleta especial, porque nunca foi lagarta, porque nunca foi feia, porque nunca foi incompleta. Uma borboleta perfeita, uma perfeita Borboleta, na sua arte de me encantar, quando te vejo à minha janela ensolarada, ou nos teus pedidos velados de ajuda, sob minha janela chuvosa. E eu estou sempre ali para estender a mão e te cuidar delicadamente ou para que você simplesmente pouse nela para eu te admirar antes que você alce vôo novamente. Mas eis que você é a minha Borboleta, no seu lamento de "ser borboleta e não passarinho". Uma borboleta que se angustia em não ser passarinho, de não voar mais alto. Uma borboleta determinada em ser passarinho. E que acaba conseguindo. E conseguindo ser passarinho, passa a sonhar ser avião. Para então querer ser foguete e, quem sabe um dia, cometa. Para quando for cometa, querer ser estrela. E a Borboleta, neste sonho épico de se tornar estrela, já não enxerga seu jardim de cores e possibilidades, os bichinhos com quem ela pode conversar, as pedrinhas, as folhas, as flores, o vento. Um jardim-universo que parece pequeno demais para a Borboleta inquieta que olha para o alto na sua busca determinada de se transformar em estrela. Meu amor, a mais linda Borboleta. A que nunca foi lagarta, a que eu quero colorindo meu jardim, meu dia, minha vida. Meu passarinho, meu avião meu avião destino, meu cometa de Pequeno Príncipe, meu planeta, meu país, minha estrela da sorte. Estou sempre sorrindo para você, da minha janela, e com a ponta do dedo estendida para que você venha pousar nela, para eu te cuidar um pouquinho e te perguntar, cheio de curiosidade: "por onde você andou, minha amada Borboletinha? O que andou aprontando?". Deus sorri do alto para você, tenho certeza; um sorriso gostoso, de quem pensa "ah... essa Borboletinha, tão inquieta, que quer ser estrela". Não menospreze o teu poder mágico de transformação e revolução, porque tal como a Borboleta que você é, que nunca foi lagarta, teu vôo perfeito já te permite voar estrelas e continentes, basta acalmar este coração vermelho, pulsante, de borboleta impaciente; porque tudo, por mais longe que esteja, virá em marcha cuidadosa, ao recanto dos teus pés, das tuas asas. E tudo, um dia, será teu.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

MÚSICA PARA TRANSCENDER O UNIVERSO


"Across the universe", celebrado filme cult de Julie Taymor, pode ser guardado com os melhores CDs da estante ou, mesmo, pendurado na parede, como arte. Arte pop, psicodélica e absolutamente clássica. A história, simples e sem rodeios, fala de um rapaz britânico pobre chamado Jude, que parte para os Estados Unidos em busca de enterrar (ou desenterrar) fantasmas do passado. No percurso, conhece Lucy, por quem se apaixona perdidamente, e se vê no meio de um país em ebulição social e cultural: final dos anos 60, começo dos anos 70. O país se encontra consumido nas lutas pela igualdade racial e o pacifismo pelo fim da guerra do Vietnã. Os hippies estão lá, pregando o amor livre, a psicodelia, as viagens astrais e os alucinógenos enquanto são tolhidos pelo estado repressor, com a polícia nas ruas, contendo a desesperada busca pela liberdade. Esse é o cenário (em si rico e repleto de detalhes) que conta uma história de amor. O trunfo desse raro filme, porém, é que ele praticamente é inteiro narrado por mais de 30 músicas inesquecíveis dos Beatles. Canções eternas, que não pertencem a nenhum tempo ou geração, pelo contrário: pertencem ao próprio tempo, ao espaço, à atemporalidade e por isso são perfeitas para contar a história de um filme que se propõe "cruzar o universo". Poucas expressões humanas são capazes de atravessar o universo e a música dos Beatles, definitivamente, consegue. São músicas dos nossos pais, certamente, mas que nos pegamos cantarolando intuitiva e espontaneamente ao percebê-las no filme. Músicas que conhecemos sem saber que conhecíamos e que nos surpreendem, tocando o corpo, a alma e o coração, em sintonia com imagens que parecem ora recortadas, ora filmadas, ora pintadas, numa explosão sem par de originalidade. Esse é um filme único, portador de uma mensagem que os próprios Beatles já nos pregaram há tanto tempo e que será sempre uma verdade inquestionável: é só do amor que precisamos. . .

Música que atravessa o universo, sem a menor dúvida.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

SAUDADES DE UMA DELICIOSA PREGUIÇA


Foi-se embora, para Maracangalha ou qualquer outro lugar, de descanso, sombra e barulho de mar. Algum lugar com rede esticada e mulheres bonitas que dançam, usando saias rodadas e flores na cabeça. Dorival Caymmi deixa sua marca, como um grande baiano e brasileiro, pai inegável da mais deliciosa preguiça que todos nós, filhos gratos e ingratos daquela terra linda, carregamos em nosso DNA. Esse vai, com certeza, direto para os braços de Iemanjá ou para os anjos. Ou, provavelmente, para ambos.
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domingo, 17 de agosto de 2008

SOLITÁRIA LUTA DIÁRIA


Os estrategistas de plantão, profissionais ou não, costumam definir a depressão que se sente na guerra como uma questão de "moral". O baixo moral das tropas implica diretamente numa queda do rendimento na tática, na agressividade, nos resultados em campo. Não acho que se trate de uma questão de "moral", baixo ou alto. É inerente ao ser humano mais perfeito o cansaço, a hesitação, o medo, a insegurança, o desânimo. Não porque não somos capazes ou não agüentamos o tranco, mas porque, simplesmente, às vezes a batalha é dura demais e decidimos ceder um pouco; e nos sentar, com as mãos que, trêmulas, enxugam o suor que pende do rosto. Olhamos o chão que há pela frente a ser vencido e pensamos honestamente em desistir. Não por uma questão de fraqueza mas porque é da nossa alma imperfeita olhar para a nossa vida e pararmos alguns instantes para refletir sobre tudo aquilo que está errado e que nos põe para baixo. É um sentimento de inconformação, de impotência, de fragilidade; somos reféns de realidades que gostaríamos de moldar de outras maneiras, modificá-las, torná-las mais justas. É da injustiça que falo; a idéia de que as coisas poderiam ser mais amenas, não por comodidade ou preguiça, mas porque não é mais sensato quando dois homens carregam juntos mesmo uma folha de papel? Sabedoria chinesa, ou coisa assim, que nunca tem muita utilidade prática mas que faz pensar. Acho que me dou, fez ou outra, o direito de olhar o caos e o cosmos que me rodeiam como se estivesse, sozinho, do topo de uma montanha. E apontar para tudo e todos abaixo e dizer tudo aquilo que penso, reclamar, espernear, mesmo, como se só assim o mundo pudesse acordar. Não espero muito das pessoas, além do óbvio. Prefiro me surpreender, sempre. Mas adoro trair as convencionalidades num acordo pessoal - comigo mesmo - de simplesmente agir como se eu não soubesse das "regras". Porque canso do uniforme, das obrigações, às vezes. Porque só quem luta a batalha sabe do esforço, da dor, da provação. E do cansaço. Só quem luta sabe. Essa luta, sempre - e tão injustamente - solitária.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

"MR. M." MAKING MAGIC


Como gosto de dizer sempre, enquanto não chega um CD inédito no mercado, recheado de devaneios existencialistas sobre a certeza disfarçada que não estamos ficando nenhum ano mais novos e que a vida e os relacionamentos amorosos andam cada vez mais complicados, vale a pena conferir o sr. M. fazendo mágica, mais uma vez, no CD e DVD "Where the light is", com o recente show do John Mayer em Los Angeles.
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HERÓIS COMO ARTE


Os nossos heróis, eternos, vivos, mortos, reais, fantasiosos, de desenho, música, livro, filme, não importa. A gente os carrega no coração, ao longo da vida. Mas porque não também na parede, perto dos olhos, como arte?

terça-feira, 12 de agosto de 2008

THAT´S WHY THEY CALL IT THE BLUES


Repentinamente é como se a gente fosse acometido por uma tristeza sem explicação (aparente). Uma coisa de humor, mesmo, de inconstância; da humana instabilidade. Algo de depressão e melancolia urbana, devaneios de janela, medos, incertezas e frustrações sobre a vida. Reflexão e meditação sobre a existência, pura e simplesmente. É como se ficássemos meio líquidos, menos sólidos, mais vulneráveis. É como se a guarda baixasse, uma brecha fosse exposta e capitulássemos a algo que sequer conseguimos visualizar claramente. Algo inconsciente, talvez. Mas às vezes falta disposição para a desconstrução da dor. Então ficamos ali, num canto qualquer, meio inertes, com o corte semi-aberto, descoberto, latejando com pensamentos desconexos ou mesmo sem pensamento algum. Um quarto em branco, sem portas nem janelas. Não é essa a sensação? Ficamos parados, à espera da cicatrização de uma abertura que parece não se poder cerzir, na esperança que a chuva que corre em nós passe, também repentinamente, porque assim é a chuva: vem, molha e some. Alimentamos a esperança de que tudo está e ficará bem e seguimos o caminho, "fazendo o que deve ser feito"; as obrigações rotineiras não nos permitem o luxo da alegria ou da tristeza. O luxo da inconstância. Somos soldados mandados dessa estrutura que dependemos e que também depende de nosso serviço. Ou, pelo menos, de nossa disposição. Portanto, em um desses dias de tristeza, em um desses "dias azuis", encontrar o eixo para essa disposição é que se torna algo difícil, um trabalho árduo de equilíbrio sobre cordas invisíveis, que parecem tremer sob os pés, enquanto caminhamos; sem vara, sem rede. Apenas a determinação de fazer o que deve ser feito para, quem sabe, quando menos percebermos, tudo voltar a estar bem. Mas não sei ao certo nada disso; não é uma ciência exata, essas coisas de alma. Não há uma fórmula. Talvez seja algo de fé, mesmo, essa esperança inabalável que diante da angústia sempre aponta a paz de espírito. Porque dizem que "o momento mais escuro da noite é justamente o que antecede a luz da manhã" e que "somos mais fortes quando mais estamos fracos". Deveria ser tudo tão mais simples.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

NA NATUREZA SELVAGEM(?)


Uma destas notícias interessantes (e porque não poéticas) que surgem vez ou outra, nesse mundo de explosões, violência e cataclismas. Um morador de Manitoba (Baía Hudson/Canadá) andava calmamente no seu trenó puxado por cães. No meio do caminho, repentinamente, surge um urso polar (foto acima). O homem se afasta e pega a sua câmera para registrar a "tragédia" que iria acontecer ali. Ora, o que esperar de um urso polar, selvagem, faminto e irracional? Ainda mais diante de uma matilha de cães praticamente indefesos? Uma carnificina, naturalmente. Mas essa tragédia anunciada teve um final bem diferente do imaginado. E, como sempre, a sabedoria da natureza surpreende e ensina (mais) uma lição de paz, tolerância e amor. Se ao menos a gente conseguisse aprender alguma coisa...
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quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O AGENTE DO CAOS


Não há a menor dúvida que o filme "Batman - The Dark Knight" pertence, de fato e direito, ao ator (infelizmente falecido) Heath Ledger. Isso já caíu no campo do óbvio. Sua interpretação do Coringa, psicótico e grotesco, como uma espécie de homem-sapo insandecido merece todos os elogios e homenagens, sem exageiros, naturalmente. O sorriso de palhaço que marcou Jack Nicholson na década de 80 cede lugar a uma horrenda cicatriz que lhe corta o rosto de orelha a orelha. Um "sorriso obrigatório" que, como bom comediante, ele cobra do mundo; que riam de sua piada, seja ela qual for. Uma piada do medo, a única coisa capaz de mudar um homem. Batman é mero coadjuvante neste filme que leva o seu nome mas que bem poderia ser "The Joker". O Coringa de Heath Ledger é um idealista de não-ideais, um anarquista e um terrorista, alguém que apenas quer ver o mundo de ponta cabeça; na melhor definição (própria) "um agente do caos", que quer gargalhar em torno das convenções e certezas jogadas numa pira, como Nero. "Por que tão sério?". Subverter a realidade, virar tudo ao avesso, destruir o limite entre o certo e o errado. É exatamente o que ele é e justamente por isso se torna um inimigo invencível, porque no campo da retórica não há como lhe contra-argumentar. É o único que consegue calar ao Batman que, diante de sua enigmática e aterrorizante figura, é um ser inerte. "Faremos isso para sempre", diz o Coringa em um dos melhores diálogos do filme; "o que acontece quando uma força incontrolável encontra uma obstáculo intransponível?", assim ele define o palco que certamente é pequeno demais para ambos. Não há herói e não há vilão, nesse jogo de dois mascarados, já há muito tempo perdidos no labirinto sem saída das suas próprias sombras. De todos, o mais sombrio e o mais poético dos filmes do Batman. E, provavelmente, também o melhor.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

CIDADÃOS COMUNS


Quero crer; continuar crendo que meus heróis não estão mortos; que eles estão por aí, escondidos, disfarçados, camuflados, em algum lugar. Nos dias em que a vida se mostra meio em preto-e-branco gosto de imaginar que meus heróis ainda protegem as esquinas, com suas capas coloridas ao vento, e que posso sonhar que tudo é e pode ser melhor do que parece ser. Quero acreditar que meus heróis estão vivos, que zelam pelos meus pensamentos mais inocentes; e que, inocentemente, eu continue crendo que um belo dia poderei encontrá-los, ao final do meu dia mais cansativo, pegando um ônibus ou um metrô como cidadãos comuns. Como eu.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

SOMBRA E SILÊNCIO


Não é apenas uma questão de solidão. Não é APENAS solidão. É algo além, é mais que isso. É um sentimento sufocante de estar só. Verdadeiramente só. É o desamparo na chuva, no escuro, na floresta. É a impressão de estar se esvaindo, sumindo no vento, como um balão, que se vai. Porque solidão não é algo ruim, pelo contrário. Solidão é silêncio, paz, preservação, conservação. É algo profundamente humano e necessário que, na medida exata, funciona como um tônico revigorante. Auto-preservação. É da solidão-sem-solidão que falo, que me martelou a noite insone como a um prego contra a parede. É o estar-só-sem-estar; é a obrigação velada, a fraude da cortesia e da "obrigação espiritual" de servir. Farsa. É sentir-se só em meio a multidão e olhar para os lados e perceber paredes invisíveis, que te impedem de seguir por onde quer ir. É a impressão (constatada) de que não há ninguém por você. Ou, pelo menos, quem DE FATO está por você está longe. Longe demais para ofertar o cuidado, o abrigo. É o não-estar-em-casa, casa sendo lar, sendo família, sendo berço. Em nossa casa somos aquilo que quisermos ser; onde se fala alto, baixo, se fala palavrão; onde se come e se bebe o que quiser, quando quiser, onde o barulho não é crime, onde o relógio é somente acessório, onde a manifestação do desejo não é pecado; onde se pode ser feliz; onde se fica à vontade; onde não há um quartel; onde, simplesmente, é possível SER. E é quando podemos SER que descobrimos estar em casa. Por fim, reflito de alguma janela solitária, que a solução desta solidão-sem-solidão é não esperar nada, não depositar expectativas, não construir idéias sobre ninguém. Não esperar nada de ninguém. Um pequenino punhado de pessoas neste mundo nos guardam verdadeiramente em bom lugar; de forma pura, sem a crítica, sem maldade. E é apenas a ESTE pequeno grupo de pessoas, as que nos amam em essência, que devemos lealdade. Por que é apenas com ESTE pequeno grupo, neste mundo de solidão, que podemos contar. O resto é sombra e silêncio.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

SIM, Wii QUEREMOS BANANAS!


Eu tentei, confesso, ser fleugmático e blasé em relação ao frisson promovido pela chegada do Wii, o videogame interativo da Nintendo, que responde aos movimentos do corpo como se estivéssemos no jogo. Mas é inevitável, não dá para ignorar o quão legal a experiência desta interatividade futurista pode ser. Controlar um carro virtual, com movimentos reais de volante, faz de Mario Kart uma experiência totalmente nova e, certamente, ainda mais viciante. Moral da história: eu também quero. Quem não quer?

quarta-feira, 23 de julho de 2008

POESIA DE SOLIDÃO E SILÊNCIO


É absolutamente impossível não se apaixonar por Wall-e. Uma animação de imensurável sofisticação, que toca na alma pela absurda humanidade de um robô sem falas, mas que sabe e consegue dizer tudo. Poesia pura, de solidão agridoce e silêncios eloqüentes.

terça-feira, 22 de julho de 2008

A BAHIA QUE NÃO SAI (MAIS) DE MIM


"Torna-te quem tu és", diz um pensamento famoso de Nietzsche. Algo curioso aconteceu (continua acontecendo) comigo. Sinto como se meu sotaque estivesse mais característico, mais próximo do típico, ao invés de disfarçado, amenizado, como procuramos fazer ao mudar de cidade; a velha estatégia de adaptação ou coisa do gênero. "Misturar e sobreviver". E não é que eu quis assim. Aliás sempre tentei o oposto, numa busca - infantil - de ser neutro, de não vestir uma bandeira, uma regionalidade na fala, no jeito. Nos esforçamos demais em ser quem não somos, num exaustivo processo de forçada metamorfose. Mas, quando menos esperava, simplesmente me percebi voltando a falar desde jeito "diferente", de vogais abertas e expressões pitorescas; sem vergonha nenhuma de "cantar" de vez em quando na fala, como se todo o tempo do mundo estivesse disponível. E mais, eu gosto disso! Acho que faz cada vez mais sentido para mim a idéia de que quando a gente se afasta das nossas origens, elas voltam abruptamente como uma revelação; de que nós devemos ser quem somos. Eu não sou brasiliense, nem paulista, nem gaúcho. Nem mineiro. Nem carioca. Eu sou baiano e, ora, falo como se fala na Bahia, por que cresci ouvindo a língua portuguesa como ela foi fundada e amadurecida na Bahia, com suas características engraçadas, com o sotaque inigualável, com os neulogismos, com a cultura-paralela que ninguém entende e que faz da Bahia um estado como nenhum outro. Se pensarmos os estados brasileiros como conjuntos, podemos inserir São Paulo, Minas e Rio em um. Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina em outro. Os estados amazônicos em outro, os do nordeste em mais um, aliás como já estão formadas as regiões brasileiras. Mas em nenhum deles se insere a Bahia; não por que "a Bahia é linda", esse argumento caetaniano não funciona muito bem. A Bahia é linda e é triste. Mas não tem nada igual a essa coisa toda, negra, africana, mistíca, mágica, de mar, de calor, contas de santos, capoeira, especiarias, cacau, compotas, Jorge Amado, Dorival Caymmi, tabuleiro de baiana; não dá para encontrar coisa igual no Brasil. Nem parecido. Então acho que resolvi, de uma vez por todas, ficar em paz com tudo isso, aceitando "quem sou". Continuo sendo um crítico ferrenho de Salvador e suas terríveis idiosincrasias; e vou ser eternamente, mas abraço carinhosamente o estado de onde venho. E neste aspecto, abraço também meu sotaque e o meu jeito, pouco me importando se acham engraçado, preguiçoso; enfim, é quem eu sou. Não importa que lugares do mundo eu conheça, nada vai mudar o fato que, no fim das contas, é da Bahia que eu vim. E quer saber? Isso é muito legal.

sábado, 31 de maio de 2008

A PEQUENA GUARDA


Vale a pena conferir os quadrinhos do David Petersen: THE MOUSE GUARD, que acaba de chegar ao Brasil pela Conrad, com título "Pequenos Guardiões". Num primeiro olhar, nada além de ratinhos engraçadinhos, ainda que armados, e de forte apelo infantil. Naturalmente. Mas não se trata de uma história para as crianças (apenas). Jovens e adultos irão ser cativados pela pequenina guarda de ratos que têm as histórias, peripécias, tramas e intrigas contadas numa interessante coleção de quadrinhos cheia de suspense mistério. Numa época com ares medievais, esses "Pequenos Guardiões" são os defensores de um mundo quase imperceptível dos ratos, que habitam vales, cidades e costas, travando suas batalhas, jogos políticos e, simplesmente, sobrevivendo. Sob os nossos olhos.

A DOR DE EXISTIR


Nunca paro de pensar a respeito da dor de existir. Até disfarço, finjo não me importar tanto, ensaio comportamentos banais do tipo, "viver o dia de hoje como se fosse o último e está tudo bem". O fato é que é um pensamento diário, quase-contínuo, reflexão de rotina, ora deixada de lado em função de alegrias momentâneas ou preocupações esporádicas. Na verdade, acho que "vestimos" a melancolia, às vezes como luva, chapéu, cachecol. Às vezes como traje completo. É coisa do dia, como tempo nublado, dia ensolarado, chuva passageira. Mudamos com o tempo e a melancolia nos veste de acordo. Nem todos pensam sobre isso com o mesmo grau de atenção e por isso a felicidade é tão relativa e superficial. É tudo uma questão de “se importar”; ou melhor, o “quanto” se importar. Aqueles que mergulham no entendimento e percepção das coisas certamente seguem o trajeto mais difícil, enquanto aqueles que sobrevoam essa “dor de existir” vivem como se não houvesse o silêncio, a solidão, a angústia, a falta de compreensão, a sensação de não pertencer, a indignação diante da inércia que às vezes somos acometidos, o terror de ver o tempo passar, como contagem regressiva, na certeza inquestionável que muito será deixado para trás e que haverá lágrimas e despedidas inevitáveis. É uma dor de indignação, que sentimos quando ninguém nos compreende, que não podemos ser deixados em paz, "existindo". É uma dor que faz a gente sonhar com ilhas e planetas distantes, onde há um refúgio de tudo, de todo o medo e insegurança, onde não precisamos nos encaixar, nos adaptar. Mas não encaro essa dor como algo de todo ruim. Longe disso, na verdade. Acho que é uma maldição e uma bênção, cunhadas como uma moeda que tem dois lados. E que carregamos no bolso, todos os dias. E que brincamos, como se tentando a sorte: cara ou coroa. Por que desta maneira enxergamos o mundo com lentes mais apuradas e a alma, eternamente cicatrizada/cicatrizando, vai aprendendo a sentir o que ninguém sente, ler o que ninguém ler e, assim, viver o que ninguém vive. É o que nos ensina a dor de existir: o benefício de contemplar o universo onde há o nada. E aproveitar o caos e não temer o escuro. É que passamos muito pouco tempo neste mundo sem nenhuma certeza se há um “lado de lá”, se vamos para algum outro lugar depois que tudo estiver acabado. Então corremos. Corremos para aproveitar ao máximo a jornada. E talvez por isso soframos tanto. Mas, afinal, quem não sofre?

MANTENDO ACESA A CHAMA


Cinema e música, na minha opinião, fazem o casamento perfeito: sintonia e cumplicidade totais, para emocionar, comover, tocar o coração. Cinema e música se completam, formando um festival de emoções. Imagem e som numa equação quase sempre precisa para nos fazer sentir alguma coisa. Por isso adoro o filme “Ainda muito loucos” (Still Crazy), que completa dez anos e continua sendo o máximo. Por alguma razão nos apaixonamos por esta banda dos anos 70, a Strange Fruit, que certamente nossos pais teriam gostado, mas que hoje é um grupo de cinqüentões, com muita nostalgia, doce decadência e tremendo apego ao tempo que passou. Adoramos as suas canções que, como toda boa música, ficam, são para sempre, atravessam as gerações. Cantarolamos os refrões e ficamos com aquela sensação de “gostaria muito de ter ido neste show”, ou coisa assim. Por alguns instantes nós temos a certeza de que aqueles caras, “ex-doidões”, realmente formam esta banda maravilhosamente fictícia, em tour pelos bares mais suspeitos da Holanda. “Ainda muito loucos” é, naturalmente, uma comédia sobre músicos que um dia foram famosos e que tentam sair da sombra que a vida os colocou na busca de uma nova chance, vinte anos depois. Isso é óbvio e, neste sentido, encontramos risadas óbvias no caminho. Mera superfície. Este é, na verdade, um filme humano, poético, imensamente comovente, sobre o nosso apego ao que marca as gerações (mesmo aquelas que sequer vivemos). É uma história sobre a misteriosa ligação espiritual que homens podem formar, seja na guerra ou numa banda de rock. Homens que se amam e se odeiam, mas que, por alguma razão, não deixam de seguir juntos, adiante. É um filme sobre esta mágica relação que temos com a música, sejamos músicos ou não, famosos ou não, por que ela narra nossa vida, acompanha nossa existência, expressa um pouco do que há dentro das nossas almas. Uma verdadeira (e despretensiosa) ode a esse amor, a esse amor múltiplo, que temos por quem modifica as nossas vidas, pela trilha sonora que nos acompanha, pelos momentos inesquecíveis que vivemos e que desejamos ter de volta. É um daqueles filmes que assistimos com um sorriso no rosto que se recusa a desaparecer. E quando menos esperamos, lá na frente, notamos que o sorriso é acompanhado por um nó na garganta que nos umedece os olhos sem esforço. E nem por isso comédia vira drama. Não precisa. É emoção genuína, mesmo, de quem assiste o melhor show da melhor banda do mundo (as nossas bandas são sempre as melhores do mundo, afinal). Aquela banda que sonhávamos um dia se reunir novamente. E nos créditos finais, ficamos com uma vontade acanhada de nos abraçar uns aos outros, enquanto procuramos um isqueiro para acender e acenar, em justa homenagem. Agradecendo pela chama, “que continua acesa”.


sábado, 17 de maio de 2008

POR QUE ´CRASH´ É SIMPLESMENTE TÃO BOM


Por mero (e ignorante) preconceito eu deixei de assistir a "Crash", no tempo ideal. Nem os prêmios do Oscar (como melhor filme e roteiro) me convenceram. É um daqueles (tantos) casos em que antipatizamos gratuitamente com filme por nada, bobagem. Não sei. Não fui com a cara do pôster, acho (a gente não tem disso?), não simpatizei muito com o elenco e fiquei com a impressão de que era mais um daqueles filmes meio lentos, meio chatos, meio politizados demais (nada contra, alás - adoro filmes lentos, politizados e meio chatos). Coisa astral, quem sabe, de momento. A questão é que eu não quis saber muito de "Crash". Até ontem. Assisti esse filme com arrependimento, mágoa e até raiva de mim mesmo por não tê-lo visto antes. É precioso, primoroso, humano, visceral, comovente. Fiquei arrasado, tocado, impressionado por este filme que não apresenta absolutamente nada demais, nenhuma novidade. Na verdade, "Crash" fala do óbvio: de como estamos nos afastando uns dos outros, de como nos tornamos violentos, antipáticos, intolerantes, preconceituosos; de como sentimos raiva de graça, de como nos tornamos frios, de como simplesmente deixamos de nos importar. Através de uma rede belamente construída de histórias paralelas, de personagens que se cruzam e misturam suas vidas anônimas na passagem de apenas um dia. Não há muito a dizer, na verdade, sobre "Crash". É um filme belo, maravilhoso, obrigatório, que merece todos os elogios pela sua capacidade singular de nos expor no espelho, nus, e nos socar o estômago ao nos apresentar exatamente o que nos tornamos na cadência egoísta, ambiciosa e individualista das nossas existências. Mas é um filme também sobre amor, esperança e coragem. Por que no fim, como tudo na vida, as coisas podem dar errado, mas também podem dar certo. Como saber.

sábado, 10 de maio de 2008

SOB A SOMBRA DE UM COLOSSO


O filme "Reine sobre mim" está longe, muito longe, de ser um bom filme. Mas algo nele é absolutamente original. Pela primeira vez (segundo me lembre) um filme trata dos videogames como arte, pelo menos como forma de dar vida a um personagem. Nos filmes, geralmente, vemos os personagens capturados por livros, poemas, obras de arte, músicas ou mesmo outros filmes. Neste, o personagem vivido por Adam Sandler é fascinado, justamente, por um jogo: SHADOW OF THE COLOSSUS (PS2), um dos mais originais jogos já criados nos últimos tempos. Nele, vivemos o drama de um jovem guerreiro, de alguma terra mágica. Determinado a salvar a vida de uma moça misteriosa, ele aceita enfrentar uma perigosa - e quase impossível - jornada de exterminar 16 gigantes (colossus) espalhados pelo reino. Sob formas, aparêcias, características e desafios diferentes, os monstros são como prédios a serem escalados, com pontos frágeis que, quando atingidos, os fazem sucumbir ao chão como torres desmoronadas. O jogo é original por que é EXATAMENTE e APENAS isso. Não há inimigos menores ou outra coisa a se fazer que não caçar os gigantes em todos os cantos do reino. Um após um, fazendo-os ruir, para conquistar o direito de trazer de volta a vida uma pessoa que se foi. Um jogo silencioso, mágico, de luzes, sombras e névoa, que nos coloca, sem esforço, dentro de uma atmosfera que temos certeza existir em algum lugar. E que nos obriga ao compadecimento, porque partilhamos daquela solidão vivida pelo jovem guerreiro e seu fiel cavalo Agro, enquanto cavalgam planícies e bosques, em busca do próximo confronto. E sob a sombra de um colosso desvendamos um mundo de escuridão como quem caminha por corredores escuros com a orientação da chama acanhada de uma vela. Força e fragilidade, equilibradas na pele machucada de um herói menino que não desiste nunca. Obrigatório.

MELANCOLIA, DEVANEIOS E CARTÕES POSTAIS


"Beijo roubado" (My Blueberry Nights) é um filme doce e melancólico, quase azedo e recheado de nuances, como uma boa fatia de torta de mirtilo. Esta, definitivamente, não é a torta mais popular de todas, por que não é deliciosamente óbvia como o cheesecake ou outra qualquer. E essa metáfora serve para este filme precioso do diretor Wong Kar-wai. Como um videoclipe, o filme não faz questão de ser linear, tampouco inflexível nos planos, distorções e enquadramentos, o que nos dá uma curiosa e original narração. No fim das contas, uma história de amor como todas as outras, marcada pelas idas e vindas da vida, em que tudo é circular, e que acabamos sempre voltando para onde partimos, como uma catarse de encerramento. Assim, acompanhamos a história de Elizabeth (bem interpretada pela estreante Norah Jones) que sai de Nova York, desiludida por um coração partido, e após se lançar na estrada e conhecer cidades americanas, trabalhando como garçonete em bares e restaurantes, cronicando seus passos com cartões postais sem endereço, volta para seu ponto de partida: um café sem pretensão, de um inglês (Jude Law) que, também ele, tem sua história de idas e vindas e corações partidos. A discussão dos dois sobre a jarra de chaves perdidas, esquecidas ou simplesmente abandonadas, é pura filosofia e devaneio. Ao longo das quase duas horas, temperos, sabores e sensações diversas vão fazendo deste filme uma receita (difícil, é verdade) mas diferente, de observação da vida como ela é, como uma construção de momentos variados, que se sobrepõem enquanto o tempo passa, marcando-nos com doce melancolia, decepções, alegrias fugazes e o desejo indomável de irmos a algum lugar, encontrar um destino. Nem que esse destino seja, justamente, onde já estamos.

domingo, 20 de abril de 2008

DOCE MANIFESTO DA TOLERÂNCIA


Descobri um universo, profundo, sensível e delicado, por detrás da cortina colorida que cobre o - aparentemente inofensivo - filme "A pequena Miss Sunshine" (Little Miss Sunshine), cultuado filme indie que, recentemente, deu seu lugar ao sol ao também maravilhoso "Juno". Enfim. Há nesta pequena grande história um filme para cada um de nós. Para aqueles que buscam duas horas de entretenimento fácil e acesível, de um punhado de risadas óbvias e momentos especiais, o filme os tem em sobra. Para aqueles que desejarem colocar a história sob um microscópio irão se surpreender com a quantidade de temas ali discutidos com graça, leveza e absoluta sutileza. Trata-se de uma jornada em busca de ilusões, onde uma pequena brigada de Don Quixotes numa kombi branca e amarela partem, na caçada aos moinhos de vento. Um pai mal sucedido persegue o sucesso de um programa de motivação, um adolescente problemático e sua determinação nietzschiana em entrar na academia da aeronáutica (para isso se valendo de um voto de silêncio), um avô que se agarra aos últimos sopros de vida, uma mulher tentando achar "normalidade" (e o que é isso mesmo?!) para sua família em frangalhos, um tio homossexual com coração partido na sua tentativa sem sucesso de ser o tradutor da alma de Proust para o ocidente e, por fim, a pequena garotinha que deseja ser miss, mesmo estando fora dos "padrões" (novamente, o que é isso mesmo?). Por trás da deliciosa jornada familiar, na kombi caindo aos pedaços, há uma discussão da pura e sofrida humanidade: gordura, magreza, sucesso, riqueza, fracasso, velhice, adolescência, homossexualidade, beleza. E o que o filme nos mostra é um caminho de contorno a essa via que parecemos trafegar por obrigatoriedade. PARA O INFERNO COM AS CONVENCIONALIDADES! É o que nos diz o PODEROSO "Pequena Miss Sunshine". Por que não precisamos ser, ter, fazer, parecer NADA. Precisamos ser e viver como assim desejarmos, sem dever nada a ninguém, nenhuma satisfação que não seja a nossa própria felicidade. "Pequena Miss Sunshine" é simplesmente um doce manifesto em nome da tolerância e mais do que bem vindo num mundo (e numa indústria) de culto à superficialidade, à beleza fabricada, à ausência dos valores. É um filme sobre o amor da família, a cumplicidade inquestionável que nos torna quem somos. O amor de pessoas que estarão ao nosso lado até o fim, nem que isso signifique nos ajudar a perseguir nossos sonhos mais tolos. E que importa se nossos sonhos são tolos? Eles são NOSSOS e ninguém tem o direito de tirá-los de nós. Eis o que nos apresenta este filme tão especial: uma opção. Uma nova possibilidade, uma esperança que a felicidade é possível. E que está ao nosso alcance. E que tudo, tudo, estará bem.

UM PEQUENO GRANDE LIVRO

Comecei a ler, recentemente, um destes "pequenos grandes livros" que, vez ou outra, parece "cair das nuvens" (trocadilho absolutamente intencional). Trata-se do "Guia do Observador das Nuvens", de Gavin Pretor-Pinney. O autor, defensor do ócio criativo e fundador da Sociedade de Observadores de Nuvens (The Cloud Appreciation Society), apresenta-nos um guia sobre as nuvens (e sua surpreendente quantidade de classificações), num texto deliciosamente escrito, recheado de referências históricas, culturais e religiosas sobre estas que há séculos encantam os céus e povoam o nosso imaginário: as nuvens. É basicamente isso, um livro sobre diminuirmos um pouco o ritimo frenético da vida e olhar para o céu, brincando de imaginar, como tão bem fazíamos quando crianças. É um livro para entendermos a magia da vida, da natureza, sem nenhuma destas chatices de livro de auto-ajuda (aliás este livro passa a quilômetros de distância de ser mais um destes). É um encanto descobrir (e aprender) não apenas sobre o sistema que leva as nuvens ao céu, mas a maneira como elas se relacionam, evoluem, produzem chuva e tempestades, e depois se vão. É um pequenino livro, despretensioso ao extremo, poético e que transborda personalidade. Com a leitura do "Guia do Observador das Nuvens", olhar para o alto nunca mais será um ato banal. Será uma contemplação curiosa, sobre a festa misteriosa que se dá, todos os dias, sobre nós. Com o tempo, acho que vale dizer também: "não saia de casa sem ele". Afinal, como saberemos interpretar o idioma das nuvens nas suas conversas diárias e silenciosas (às vezes nem tanto) sobre nossas cabeças? Pois. Este é um DICIONÁRIO para a linguagem misteriosa das nuvens. E portanto, um livro especial que merece ser. . . apreciado.

LINDA, MÁGICA, TRISTE BAHIA


A Bahia continua linda, misteriosa, quando olhada do alto, por cima das nuvens, com suas águas de azul multicolorido, derramadas sobre a Bahia de Todos os Santos. O porto cheio de história, magia, misticismo, aromas, sabores, odores. Cheiro de mar, de peixe, de madeira de barco, de ruas e paredes velhas, de uma cidade de São Salvador tão antiga quanto o próprio país: negra, portuguesa, quase medieval, com suas ruelas escondidas, catacumbas escuras e tesouros enterrados. Eis a Bahia linda, encantada, sedutora, como uma sereia que quer se deixar seduzir enquanto nos afoga sem piedade. Eis a Bahia da saudade, do calor humano, um Estado de Espírito que, amando ou odiando, é impossível ficar indiferente. A Bahia das baianas, com suas saias rodadas e contas coloridas, do candomblé, das igrejas, da comida exótica, dos capoeiristas e da paixão, da música de Dorival Caymi e as palavras de Jorge Amado. Não dá para dizer que a Bahia é um Estado como qualquer outro por que alguma coisa ali, não sei o quê ao certo, grita que a Bahia é única, com seus defeitos e seus encantos, ela é única. Por que a Bahia é linda e nos chama de volta, mesmo seus filhos mais ingratos. Mas também é triste, com a decadência de suas ruas e a malícia que impreguina sua geografia costeira. É uma pena. Linda Bahia, mágica Bahia. Merecia tanto mais.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

ALGO QUE PASSA, ALGO QUE FICA


na vida, na convivência, no relacionamento com lugares, coisas e pessoas, um clichê inevitável. Concordando com Saint-Exupéry, reflito que cada pessoa que passa por nossas vidas e vai embora leva um pouco de nós enquanto deixa algo de si. Afinal, uma verdade também inevitável. As mudanças, transformações, revelações e revoluções na minha vida são uma prova disso. As surpresas satisfatórias que tive num caminho de incertezas e descobertas. Repetições incessantes para eu (tentar) aceitar que não estamos parados, que caminhamos para frente. Viver, aprender, crescer. E nessa aventura diária a vida muda, como o tempo, como a água. E continua mudando. Avançar é nos despedir, enquanto damos boas vindas (meio amedrontadas) ao novo. Por que são inúmeros os caminhos, passos e cruzamentos para que deixemos algo para trás e na coleção de novos quilômetros possamos nos descobrir em novos momentos, com novas pessoas, em novos lugares. É a caminhada sem fim. Marco Aurélio, um dos mais justos imperadores de Roma, costumava dizer:

"Mantenha-se simples, bom, puro, sério, livre de afetação, amigo da justiça, temente aos deuses, gentil, apaixonado e vigoroso em todas as suas atitudes. Lute para viver como a filosofia gostaria que vivesse. Reverencie os deuses e ajude os homens. A vida é curta".
Isso de alguma forma resume tudo o que eu sempre busquei na minha vida e que continua a iluminar por ande ando, levando muito de cada um que encontro e deixando parte de mim, também, ao longo do caminho. Mudança é evolução, despedida e saudade. Mas assim são as coisas, no doce e imbatível fatalismo que nos obriga a andar para frente, no vento da maré, da novidade, que nos leva adiante, sem parar. E a estrada é longa, as paradas são muitas. Mas valerá a pena, sempre.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

"O MUNDO DE SOFIA"

Sofia Coppola, a musa multitalentosa da comunidade "perdida na tradução" (eu, incluso, certamente), estrela nova campanha de roupas e perfumes da grife Marc Jacobs. O ensaio é, naturalmente, discreto, silencioso, ao melhor estilo "lost in translation". Segundo o próprio Marc Jacobs, "Sofia é perfeita para a campanha, apesar de não ser a garota típica dos anúncios de moda". Ao mesmo tempo, ela representa tudo que se pode achar no "espírito Marc Jacobs" (nas suas próprias palavras): o amor pelo rock, o bom gosto, a alma artista, e a determinação em ditar ela mesma o que quer fazer. Jacobs não se contém ao elogiar sua musa (e amiga): "ela é jovem, doce e linda". São belas e únicas fotos, que retratam com delicadeza o "Mundo de Sofia", aquele que todos nós nos esforçamos em fazer parte, na tentativa de criar, retratar e defender o nosso próprio. Um agridoce mundo de devaneios urbanos.



"Free to go, I know . . . city girl, you´re beautiful. . ."