sexta-feira, 27 de novembro de 2015

FUGIR, VOLTAR


A sua boca tinha gosto de vinho rosé e água do mar; a sua pele dourando sob o sol, com cheiro de sal e salpicada de gotas de suor. Aqueles pequenos cristais com ar de férias. 

Eu, com a cabeça no seu colo, os olhos fechados, a brisa suave sobre os nossos corpos, fazendo a pele arrepiar, o movimento do barco embalando aquela sensação de anestesia. 

Nós dois ali, flutuantes, cercados somente pelo silêncio, pelo nada, pela solidão, pela beleza.

Hoje eu queria o seu colo, como quem sonha em voltar para casa.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

PARA VER E OUVIR: SARA BAREILLES ("SOFT PLACE TO LAND")

GIFS DA DEPRESSÃO

No trabalho...


Na hora de sair para o almoço...


No trabalho, depois do almoço...


Na hora de ir embora para casa...

sábado, 21 de novembro de 2015

PARA VER E OUVIR: ERIK SATIE ("GYMNOPÉDIE N.1")

AMOR, COMO ELE É


"Love", de Gaspar Noé, é um filme controverso, sem dúvidas. E assustará muita gente com as cenas completamente explícitas de sexo, costuradas num contexto delicado, humano, e que retrata a vida como ela é: casais [perdidamente] apaixonados fazem sexo, incansavelmente; e esse filme consegue transportar para a tela essa ideia. Estar, amar, pertencer a alguém. 

É algo que pode ser tão complicado, "que talvez fosse melhor nunca ter amado", diz um dos protagonistas, Murphy, um estudante de cinema que vive em Paris e se apaixona de forma devastadora - por uma mulher que ele jamais conseguirá esquecer.

Há um filme de uma beleza absurda, que por muitas vezes me parecia um sonho, por trás da ideia de que "este é um filme de sexo explícito". Não há porque ter resistência a ver, na tela, algo tão natural: amar, com toda a sua intensidade, dor, paixão, fluidos, lágrimas, entrega, raiva, medo. 

"Love" mostra o amor como ele é, com toda a sua beleza e toda a sua melancolia.

Belo, belíssimo filme.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

RELACIONAMENTOS TÓXICOS: ANALISE, IDENTIFIQUE, FUJA


Existe um clichê que diz: você só entende que vivia um relacionamento ruim quando vive um bom. E, como todos os clichês, há uma verdade imensa nessa reflexão. Porque, infelizmente, a gente se condiciona a aceitar o que não deveria aceitar. E viver o que não deveria viver. Seja por acomodação, por medo da solidão, por um pensamento equivocado de que "eu não mereço coisa melhor".

Acredite no que eu vou te dizer: VOCÊ MERECE, SIM. 

A gente fecha os olhos, finge não ver as verdades que doem ali, escancaradas sob os nossos olhos. Criamos mentiras que nós mesmos acreditamos: "mas ela(e) tem essa qualidade e isso não é fácil de achar". Nada, absolutamente nada, justifica o preço de você abrir mão da sua felicidade, liberdade e paz, em troca de uma vida refém de um "amor tóxico". 

Traços de um relacionamento tóxico, abusivo, disfuncional:

- A presença constante de mentiras. Seja porque o parceiro(a) está constantemente mentindo ou porque você mesmo precisa mentir para lidar com o relacionamento;

- Um sentimento constante de sufocamento; você sente-se mais feliz quando está longe do seu parceiro(a);

- Agressões físicas, verbais, emocionais, psicológicas;

- Desrespeito à sua liberdade individual, seus gostos, suas escolhas;

- Controle dos seus relacionamentos paralelos (famílias, amigos, eventos de trabalho);

- Falta de consideração com aspectos que você considera importantes na sua vida (trabalho, objetos pessoais, ocasiões);

- Ameaças e manipulação;

- Traição;

- Impaciência com seus erros e exigência que você seja compreensivo(a) com os erros do seu parceiro(a);

E essa lista poderia ir por páginas e páginas... Um relacionamento sério, adulto, saudável, não significa um amor de novela. Existem brigas, sim; conflitos de opinião, de projetos. Gostos diferentes, divergências. Mas nada que não seja "do jogo". Nada que não se resolva.

Amar alguém é embarcar num projeto de vida que deixa de ser seu, exclusivamente, e isso implica em abraçar aspectos novos, adaptar outros, abandonar outros completamente. Porque vale a pena, porque é menor, porque estar com aquela pessoa é o que importa.

Um relacionamento onde existe traição, mentiras, manipulação, ameaças físicas e verbais; agressões; onde você se vê prisioneiro(a) de um "amor tóxico", não pode ser sustentado, nem justificado por absolutamente nada. 

A vida é uma só e ela é breve, ela passa. Não aceite que um aspecto tão fundamental da sua vida seja consumido por um relacionamento destrutivo. Você, melhor do que ninguém, sabe; enxerga, percebe que vive algo ruim. 

Existe alguém, em algum canto, que vai te mostrar que existe uma felicidade possível, que o amor vale a pena e que você é uma pessoa incrível, especial, pelo que é. 

Então, o que te impede de partir?

terça-feira, 17 de novembro de 2015

GIFS DA DEPRESSÃO

Quando me obrigam a me envolver com a briga e/ou problema dos outros...

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

PARA VER E OUVIR: EDWIN MCCAIN ("I'LL BE")

PARA VER E OUVIR: LIFEHOUSE ("YOU AND ME")

AS MENTIRAS BRANCAS QUE CONTAMOS


Quem nunca contou uma mentirinha? Uma "mentira branca", inofensiva, seja para fugir de um encontro social, para dar uma desculpa, para não magoar alguém. É basicamente em torno disso que se desenrola o filme "Little White Lies" (Les Petits Mouchoirs), com Marion Cotillard e grande elenco. Após um gravíssimo acidente de moto, Ludo fica em coma num hospital de Paris. Seus melhores amigos, consternados - mas impotentes para fazer qualquer coisa - decidem seguir com os planos de férias já programadas (e retornar um pouco mais cedo para quando ele estiver melhor).

Enquanto o amigo se recupera no hospital, acompanhamos uma viagem idílica, pela costa da França, onde amigos brindam as suas inofensivas mentiras brancas com muito vinho rosé, ostras e passeios de barco. 

Sempre há tempo para tudo, não é mesmo? Belo filme.

sábado, 14 de novembro de 2015

TRISTEZA


Meu coração está de volta a Paris. 
E em prece por um mundo com menos - um pouco menos, que seja - de ódio. E que esse ato de patifaria não fique impune.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

PARA VER E OUVIR: THE PERISHERS ("NOTHING LIKE YOU AND I")

terça-feira, 10 de novembro de 2015

GIFS DA DEPRESSÃO

Estou de dieta e me chamam para um rodízio de pizza...

SINCERA UMIDADE


As horas desapareciam rápido, escorrendo por entre os dedos, na cadência da passagem do dia para noite, para a madrugada, para a manhã mais uma vez. Ele sabia que teria que ir embora, mas queria levá-la com ele; fugir, para algum lugar. Qualquer lugar. Reinventar a vida. Mas ele sabia que isso não seria possível.

Abraçados, dentro da banheira de água morna, eles trocavam devaneios, promessas sem fundamento, ideias. Os cabelos molhados, cascateando sobre os ombros, pescoço, seios; mãos enlaçadas, beijos molhados, olhos fechados, corpos se procurando sob a água, querendo voltar ao encaixe.

Deitaram na cama, sem roupa, sob lençóis que narravam uma história de pele, suor e saliva. Voltaram a ser um só, mais uma vez; uma última vez. Decidiram ser irresponsáveis, plenos, queriam estar dentro um do outro, até o fim, misturados, unidos; ela sussurou que queria assim, que ele continuasse ali, dentro do seu corpo, mesmo quando já não estivesse mais ao seu lado.

Beijaram-se, amaram-se de olhos fechados, entregues ao movimento de quadris e de mãos que se exploravam incansavelmente. Adormeceram por um punhado de horas, até o telefone tocar.

"O táxi já está aqui".

Ele vestiu a camisa amassada, resgatada do chão, tomada pelo cheiro dela. Vestiu-se rápido e com cuidado, para não despertá-la. Parou no meio do quarto, por alguns instantes, para observá-la mais uma vez. Despediu-se, como quem faz uma prece em silêncio, pôs a mochila nos ombros e caminhou até a porta.

"Você já está indo?", ela falou de dentro do quarto.
"Sim", ele respondeu, um sorriso triste, de canto de boca. O corpo querendo ficar.

Ela se levantou, o lençol preguiçosamente cobrindo a sua linda nudez. Caminhou a passos lentos até o seu encontro, abraços, beijos, carinhos, olhos úmidos. O lençol escorrendo pelo seu corpo até o chão, como um vestido de noiva. Despediram-se na soleira da porta e ele desapareceu, na penumbra do corredor do hotel.

A janela do táxi era pintada por tons lilases e azulados, prenúncio da manhã, enquanto ele atravessava a cidade, em silêncio, rumo ao aeroporto. A testa encostada no vidro, olhos fechados, suspiros, e um vazio que transbordava no seu peito, sem fundo, sem fim. Ele havia se preparado para isso; mas respirou fundo, bilhete em mãos, sala de embarque, voo confirmado.

Perdeu-se no sono dos condenados inocentes, enquanto o sol amarelava os seus sonhos, por trás da pequena janela da aeronave. Olhou para a cadeira vazia, ao seu lado; procurou-a sem sucesso. Ainda sentia o seu cheiro, o seu gosto; a sincera umidade, escorrendo pelo seu rosto enquanto ele rabiscava numa folha de papel.

Para não esquecer... para que seja real.

Uma história que começava e terminava entre as nuvens, sob as asas corajosas de um avião. Ele brincava com os seus pensamentos, quase infantis, narrando finais inventados, felizes, para aquele desencontro; como nos filmes. Sussurrava o nome dela, saboreando as letras, enrolando-as na língua, como poesia. Aquele amor de espera, inesperado, breve, devastador. Como são as melhores histórias de amor.

Você não foi a primeira a me amar, já diz a canção.
E eu não serei o último a amar você.

Encontros assim deveriam ter um final. Algum final. Mas nem sempre é assim, a vida tem dessas coisas; o fato é que eles não se veriam nunca mais, guardando consigo as lembranças, que amarelam na passagem do tempo, de uma história que nunca foi.

TRÁ-LOS TODOS ATÉ ONDE TE ESPERO


SEMPRE
Pablo Neruda

Ao contrário de ti
não tenho ciúmes.

Vem com um homem
às costas,
vem com cem homens nos teus cabelos,
vem com mil homens entre os seios e os pés,
vem como um rio
cheio de afogados
que encontra o o mar furioso,
a espuma eterna, o tempo.

Trá-los todos
até onde te espero:
estaremos sempre sozinhos,
estaremos sempre tu e eu
sozinhos na terra
para começar a vida.

FEITO HOMEM E MULHER


Eles decidiram ficar enroscados sobre a cama, braços e pernas misturados, ele com seu rosto afundado no pescoço dela, envolvido num manto negro ondulado, aquela cabeleira com cheiro de infância; aquele labirinto do qual ele não queria mais sair.

"Eu amo você", ele quis dizer.

Mas optou pelo silêncio das sensações. A meia luz do quarto, as janelas cintilando do outro lado da rua, a roupa dela com cheiro de aeroporto, o batimento leve do coração no seu peito, a sua respiração leve. Ficaram se olhando, ele fazia carinho no rosto dela, caminhando com os dedos até a cintura, aquele corpo andino, secreto, que o enchia de desejos inconfessáveis. Havia um lar, no calor do corpo dela, e ele não queria sair dali. Nunca mais.

Decidiram sair para jantar e ver um show. "É perto daqui", ela disse com aquele seu ar internacional. Os dois atravessaram alguns blocos de mãos dadas, o frio leve da noite causando arrepio, os sinais fechados, as pessoas passando em todas as direções. Ele e ela, ali, sozinhos. As únicas pessoas do mundo.

A única coisa que importava.
Ela.

Comeram, beberam, sorriram, envoltos numa penumbra de nostalgia e incerteza. Olhando-se, de lados opostos da mesa, mãos se procurando, curiosas, carinhosas. Provando do prato um do outro, sentindo a razão desaparecer a cada novo gole de vinho. Ele tirando fotografias, reais, mentais. Registros que pudessem ser provas de que tudo aquilo era real.

"Venha sentar aqui do meu lado",  ela disse, leonina, os olhos pequeninos, eloquentes, a boca entreaberta, meio sorriso, puro mistério. E ele obedeceu, sem titubear, abraçando-a enquanto as luzes começavam a se apagar e o palco à frente deles era tomado por músicos e dançarinos. O som tomando conta do espaço, a beleza das canções e dos movimentos, e ela ali, dentro dos seus braços, naquela noite sem nome, daquele domingo qualquer.

No caminho de volta, a cidade já havia começado a adormecer. A madrugada dos gatos, fria, silenciosa, iluminada pelos faróis dos carros solitários e dos postes incansáveis. O elevador do hotel era um terceiro personagem, prólogo da noite, beijos e carícias de quem havia esperado tempo demais. Corpos, mãos, bocas, procurando-se incansavelmente.

As roupas foram abandonadas pelo caminho, na medida em que atravessavam da pequena sala até o quarto. Blusa, bota, camisa, sapato, calça, marcando o trajeto sem fim, até que se encontraram verticalmente e horizontalmente, embriagados por vinho e saliva, sob lençóis desfeitos e gritos contidos.

Ela sussurrava qualquer coisa em seu ouvido, enquanto parecia querer rasgar as suas costas com unhas vermelhas, afiadas. "Eu sinto cada pedaço de você dentro de mim", pareceu falar em algum momento. E ficaram ali, entrelaçados, ele beijando sedento cada canto, cada reentrância daquele corpo que por tanto tempo ele havia desejado.

Mãos se encontrando, pernas misturadas, suor, bocas que beijavam e mordiam. Movendo-se, revirando-se, perdendo e reencontrando o caminho de volta, virando uma coisa só sobre a cama que os engolia sob o silêncio da noite.

Adormeceram, como quem descansa da luta. Com o sol, meio lilás meio vermelho, traçando contornos de poesia no quarto. Ela, abraçada sobre o seu peito, ele com as mãos em volta do seu quadril, juntos, para sempre, naquele tempo fugaz, etéreo.

Ele fechou os olhos, beijou a sua cabeça, enquanto acariciava com dedos leves as linhas das costas dela. Nua, sua.

Feitos um para o outro.
Feito homem e mulher.

DOCE, FEITO TORTA


"Açúcar... manteiga... farinha", palavras sussurradas, feito mágica.

O novo disco da Sara Bareilles, "Waitress", que é também o seu primeiro musical é diferente - ainda que a alma da música da Sara esteja em cada canto ali. Um disco adorável, radiante, com músicas que enchem o coração ou mexem com os nós na garganta, ao narrar a história de uma garçonete que tem o sonho de apenas ser feliz. "You matter to me", em parceria com Jason Mraz, é mágica (a do vídeo, abaixo é outra versão). Uma jornada feminista, corajosa e doce, que parece mostrar novas cores da carreira musical da minha musa. E um novo disco igualmente doce, feito torta.



"A soft place to land", outra linda demais...

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

EU NÃO DOU CONTA DESTE VÍDEO...



A história de um gatinho adotado e que precisa conquistar o coração da cachorrinha que já vivia na casa da família; narrado pela perspectiva do gatinho. Não dou conta deste vídeo, na boa.

A ETERNIDADE DAS HORAS


Havia um desconforto - um saboroso desconforto - no ar, enquanto eles aguardavam o embarque. Aquele hiato, imenso, de repente interrompido, deixando-os eloquentes; transformando pensamento em verbo. Tanta coisa que havia ficado no caminho, as mudanças que vieram com a passagem dos anos. Os [talvez doloridos] resultados das suas escolhas. Eles se olhavam, sorriam, trocavam comentários educados.

O sol avermelhava a janela pequenina, aquela janela cheia de segredos, em que ele lançava os seus pensamentos mais sinceros, como um pescador arremessa a linha no oceano. Como quem faz uma prece. Sem saber o que aquele encontro traria; ela, ali do seu lado, talvez séria demais. Ou talvez fosse apenas impressão. A fenda na saia deslizava de forma tímida, revelando um pouco mais daquela pele clara até então escondida.

Frio na barriga.

Olhavam-se, ocasionalmente. Um sorriso, um suspiro, uma voz contida, desejosa, com medo de falar algo errado. Ele segurou a mão dela, sobre a sua perna, e assim ficaram, de mãos dadas, meio namorados, na brevidade daqueles instantes contidos pela prisão de aço que rasgava o céu rumo ao desconhecido. Ele olhava a sua boca, vermelha, como o sol emoldurado entre as nuvens de sonho, e sentia um rompante, quase incrontrolável, de jogar as suas preocupações ao vento.

Conteve-se.

A cidade se erguia diante dos seus olhos curiosos, o rosto quase encaixado na janela do táxi preto e amarelo, que navegava a estrada rumo ao centro. Os dois de mãos dadas, meio adolescentes. E um horizonte de prédios e janelas, costurando-se como seres vivos, gigantes, revelando uma silhueta de coisa antiga. Aquela cidade velha. Aquela história velha.

O quarto do hotel era invadido pelos cartões-postais que se projetavam iluminados, da rua movimentada. Ele caminhou até a janela, máquina fotográfica em mãos; mais alguns registros. Ela caminhava pelo quarto, descalça, ao telefone.

Sentiu então o seu corpo envolvido pelos braços dela, carinhosos; aquela pele branca, coberta por uma penugem fina, salpicada de sardas. O hálito doce no seu pescoço. Os seus seios desenhando-se por baixo do vestido; o trote no seu peito virando galope.

Ele envolveu os braços dela sob os seus e os dois ficaram ali, juntos, contemplando a noite. Ele sentia o seu corpo magnetizado, elétrico, sensível, desmoronando no abismo de desejo que queria devorá-lo naquele quarto anônimo. Aquele reino, fundado ao acaso. Não era sonho; ela estava ali, abraçando o seu corpo, a cabeça depositada nas suas costas. E se era sonho, que ele não acordasse nunca mais.

Você será minha, pela eternidade das horas breves.

UM ENCONTRO DE MENTES, NÃO DE CORPOS


Numa manhã qualquer, Rebecca descobre que está conectada a um completo estranho, Dylan, por meio dos seus pensamentos. Ela está sob a neve de New Hampshire, ele sob o calor do sol do Novo México. Sem perder muito tempo dando "explicações" para o fenômeno, o filme "In your eyes" opta por narrar uma história de amor que se desenrola não por conta da atração física, ou do "amor à primeira vista", mas de dois estranhos, unidos por uma telepatia ainda mais estranha, e que se vem parte da vida um do outro, como num passe de mágica. 

Diferentes quase como o dia e a noite, Rebecca é casada com um médico bem sucedido, enquanto Dylan é um ex-presidiário em busca de um rumo; mas nada disso impede que os dois percebam e abracem uma conexão inegável, capaz de transformar as suas vidas para sempre. 

Confesso que eu daria um final diferente ao filme... achei um pouco anti-climático. Mas a ideia é muito interessante e rende cenas que trazem uma visão curiosa sobre as tradicionais histórias de amor no cinema. Romântico e estranho, este filme sobre o encontro de mentes não de corpos. 

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

PARA VER E OUVIR: A FINE FRENZY ("ASHES AND WINE")

REPENTINA UMIDADE


Ele entrou no táxi com uma bolsa quase vazia e um coração que galopava no seu peito, embriagado pela ideia quase absurda de visitar um país estrangeiro num domingo qualquer, casualmente. Não, era muito maior, muito mais do que isso. Não era turismo. Era ela. A ideia de vê-la, ainda que ele suspeitasse que, no último segundo, ela ligaria avisando que o plano estava suspenso. Ele havia se preparado para isso; mas respirou fundo, bilhete em mãos, sala de embarque voo confirmado.

Procurou-a imediatamente, claro, mas ela ainda não estava lá. Até que de repente a viu, com a sua saia comprida, sentada a poucos metros, entretida com seus pensamentos; os cabelos negros, levemente ondulados, os olhos pequenos equilibrados sobre a boca que ele nunca havia beijado. 

Sim, era ela, ali, tão perto. E foi como se o lugar tivesse se esvaziado e só restassem eles dois, envolvidos num silêncio que transformava aquele salão de embarque numa catedral fora do tempo. Mas ele permaneceu ali, parado, um sorriso de canto de rosto, observando-a pelo que parecia uma eternidade.

Alguém poderia perguntar a razão de ele ter demorado tanto em ir ao encontro dela. Alguém poderia imaginar que ele estaria ele fazendo charme. Aquela coisa de homem que não quer se mostrar afoito, nem disponível demais.

Ou talvez fosse porque ele simplesmente não conseguia acalmar a repentina umidade que vinha lhe visitar os olhos.

domingo, 1 de novembro de 2015

LOST IN TOKYO