quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
"ODE AO GATO" (PABLO NERUDA)
imperfeitos,
compridos de rabo, tristes
de cabeça.
Pouco a pouco se foram
compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça, voo.
O gato,
só o gato
apareceu completo
e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.
O homem quer ser peixe e pássaro,
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato
quer ser só gato
e todo gato é gato
do bigode ao rabo,
do pressentimento ao rato vivo,
da noite até seus olhos de ouro.
Não há unidade
como ele,
não tem
a lua nem a flor
tal contextura:
é uma só coisa
como o sol ou o topázio,
e a elástica linha em seu contorno
firme e sutil é como
a linha da proa de um navio.
Seus olhos amarelos
deixaram uma só
ranhura
para jogar as moedas da noite.
Oh, pequeno
imperador sem orbe,
conquistador sem pátria,
tigre mínimo de salão, nupcial
sultão do céu
das telhas eróticas,
o vento do amor
na intempérie
reclamas
quando passas
e pousas
quatro pés delicados
no solo,
cheirando,
desconfiando
de todo o terrestre,
porque tudo
é imundo
para o imaculado pé do gato.
Oh, fera independente
da casa, arrogante
vestígio da noite,
preguiçoso, ginástico
e alheio,
profundíssimo gato,
polícia secreta
dos quartos,
insígnia
de um
desaparecido veludo,
seguramente não há
enigma
na tua maneira,
talvez não sejas mistério,
todo o mundo sabe de ti e pertences
ao habitante menos misterioso,
talvez todos o acreditem,
todos se acreditem donos,
proprietários, tios
de gatos, companheiros,
colegas,
discípulos ou amigos
do seu gato.
Eu não.
Eu não subscrevo.
Eu não conheço ao gato.
Tudo sei, a vida e seu arquipélago,
o mar e a cidade incalculável,
a botânica,
o gineceu com seus extravios,
o por e o menos da matemática,
os funis vulcânicos do mundo,
a casaca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro,o atavismo azul do sacerdote,
mas não posso decifrar um gato.
Minha razão resvalou na sua indiferença,
o seu olho tem números de puro.
PARA VER E OUVIR: CAETANO VELOSO CANTA "PALOMA" EM "FALE COM ELA", DE ALMODÓVAR
Linda homenagem de Almodóvar, ao transformar Caetano Veloso em um sonho num de seus filmes mais especiais. "Fale com ela" é, inteiro, um sonho.
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terça-feira, 15 de dezembro de 2009
COISA DE SONHO
Vitrine da Maison Hermès, em Tóquio. Design de Tokujin Yoshioka. Modelos virtuais "sopram" de verdade os lenços delicados em exposição. Um deleite para os olhos, um absurdo de minimalismo. Extremamente silencioso e japonês. Coisa de sonho.
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
NIKOLAI E O SONHO
Dificilmente Nikolai se afastava da janela. Era sua morada, seu refúgio. Era o espaço onde passava dias e noites, noites e dias, com breves interrupções para os outros afazeres de sua vida. Nikolai era conhecido por sua discrição. Movimentos curtos e precisos, caminhar comedido, silencioso e elegante, mas carinhoso e dedicado com seu principal protetor: um senhor de 89 anos, famoso professor de música, já nos últimos suspiros da sua passagem pela terra.
Nikolai foi praticamente adotado por ele, num desses acasos do destino em que duas almas se esbarram por alguma razão qualquer e decidem continuar juntas. Nikolai e seu protetor eram companheiros fiéis numa vida de muitos silêncios. Nos dias ensolarados, o velho gostava de caminhar até a esquina, onde comprava peixe e pão frescos. Almoçavam juntos, salmão e pão preto, no terraço do velho apartamento em Paris.
Em dias chuvosos, gostavam de contemplar juntos a janela molhada e a cidade cinza no horizonte restrito daquele recorte de meio metro quadrado que emoldurava uma Paris lindamente iluminada e colorida. Nesses momentos, o velho bebericava conhaque e balbuciava algumas lembranças desconexas de um passado já há muito perdido na poeria do tempo. Um passado de recitais e alunos medíocres, de festas e moças mais ávidas por casamentos de contos de fadas do que pelo saber musical. Nikolai não se manifestava e preferia observá-lo atento, ocasionalmente se distraindo por algum passarinho na janela ou um bocejo incontrolável. Nada que incomodasse o velho, no entanto.
E assim eram os últimos dias daqueles dois amigos inseparáveis. Até que, enfim, o velho professor não se levantou mais de sua cama solitária. Havia partido. Nikolai entrou vagarosamente no quarto, passo ante passo, e contemplou o corpo frio sobre o catre daquele quarto sem luxo, incrédulo à sua maneira e demonstrando supresa e melancolia. Sentou-se por alguns instantes e olhou para o teto como se conseguisse visualizar seres flutuantes. E resignou-se com a ideia de que seu protetor o havia deixado, caminhando lentamente até o antigo piano que decorava a sala como uma ilha de mogno vermelho num oceano de cinzas.
Lá, deitou elegantemente sobre o teclado frio que abraçou seu corpo pequenino como uma almofada de marfim e ébano. Fechando os olhos vagarosamente, pareceu-lhe estar ingressando em mais num daqueles sonhos enigmáticos que tinha quase todas as noites. Seus sonhos de gato. Sonhos em que não era um gato, mas um garotinho solitário.
Nikolai foi praticamente adotado por ele, num desses acasos do destino em que duas almas se esbarram por alguma razão qualquer e decidem continuar juntas. Nikolai e seu protetor eram companheiros fiéis numa vida de muitos silêncios. Nos dias ensolarados, o velho gostava de caminhar até a esquina, onde comprava peixe e pão frescos. Almoçavam juntos, salmão e pão preto, no terraço do velho apartamento em Paris.
Em dias chuvosos, gostavam de contemplar juntos a janela molhada e a cidade cinza no horizonte restrito daquele recorte de meio metro quadrado que emoldurava uma Paris lindamente iluminada e colorida. Nesses momentos, o velho bebericava conhaque e balbuciava algumas lembranças desconexas de um passado já há muito perdido na poeria do tempo. Um passado de recitais e alunos medíocres, de festas e moças mais ávidas por casamentos de contos de fadas do que pelo saber musical. Nikolai não se manifestava e preferia observá-lo atento, ocasionalmente se distraindo por algum passarinho na janela ou um bocejo incontrolável. Nada que incomodasse o velho, no entanto.
E assim eram os últimos dias daqueles dois amigos inseparáveis. Até que, enfim, o velho professor não se levantou mais de sua cama solitária. Havia partido. Nikolai entrou vagarosamente no quarto, passo ante passo, e contemplou o corpo frio sobre o catre daquele quarto sem luxo, incrédulo à sua maneira e demonstrando supresa e melancolia. Sentou-se por alguns instantes e olhou para o teto como se conseguisse visualizar seres flutuantes. E resignou-se com a ideia de que seu protetor o havia deixado, caminhando lentamente até o antigo piano que decorava a sala como uma ilha de mogno vermelho num oceano de cinzas.
Lá, deitou elegantemente sobre o teclado frio que abraçou seu corpo pequenino como uma almofada de marfim e ébano. Fechando os olhos vagarosamente, pareceu-lhe estar ingressando em mais num daqueles sonhos enigmáticos que tinha quase todas as noites. Seus sonhos de gato. Sonhos em que não era um gato, mas um garotinho solitário.
* * *
Um solavanco repentino retirou Nikolai de seu sono profundo como um susto. O trem acabava de chegar à estação, consumindo tudo ao seu redor em fumaça e barulho. Era uma manhã muito fria quando Nikolai chegou com sua mãe à Paris, em 1948.
"Veja, Nikolai, que linda cidade. Seremos felizes aqui, meu filho, estou certa de que seremos felizes aqui".
Nikolai olhou para sua mãe, que sorria, maravilhada com os ares de Paris. Filho de um paraquedista morto na guerra, Nikolai chegava à cidade e enfim conheceria o seu avô, que não via desde o seu nascimento. Com a luz que lentamente começava a despontar, colorindo as ruas preto-e-branco, Paris se descortinava diante de seus olhos iluminados e ávidos pelas novidades. Nikolai aprenderia a tocar piano com o seu avô. Era esse o plano. E rapidamente o menino esqueceu de seu sonho. Mais um sonho enigmático em que era, não um garotinho, mas um gato de pelo listrado e olhar silencioso.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
PARA VER E OUVIR: SARAH MCLACHLAN ("I WILL REMEMBER YOU")
Hino oficial da saudade e da nostalgia. O filme no clipe é "Os irmãos Mcmullen".
sábado, 5 de dezembro de 2009
EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO. SEMPRE.
V
T.S. ELIOT
So here I am, in the middle way, having had twenty years—
Twenty years largely wasted, the years of l'entre deux guerres
Trying to use words, and every attempt
Is a wholly new start, and a different kind of failure
Because one has only learnt to get the better of words
For the thing one no longer has to say, or the way in which
One is no longer disposed to say it. And so each venture
Is a new beginning, a raid on the inarticulate
With shabby equipment always deteriorating
In the general mess of imprecision of feeling,
Undisciplined squads of emotion. And what there is to conquer
By strength and submission, has already been discovered
Once or twice, or several times, by men whom one cannot hope
To emulate—but there is no competition—
There is only the fight to recover what has been lost
And found and lost again and again: and now, under conditions
That seem unpropitious. But perhaps neither gain nor loss.
For us, there is only the trying. The rest is not our business.
Home is where one starts from. As we grow older
The world becomes stranger, the pattern more complicated
Of dead and living. Not the intense moment
Isolated, with no before and after,
But a lifetime burning in every moment
And not the lifetime of one man only
But of old stones that cannot be deciphered.
There is a time for the evening under starlight,
A time for the evening under lamplight
(The evening with the photograph album).
Love is most nearly itself
When here and now cease to matter.
Old men ought to be explorers
Here or there does not matter
We must be still and still moving
Into another intensity
For a further union, a deeper communion
Through the dark cold and the empty desolation,
The wave cry, the wind cry, the vast waters
Of the petrel and the porpoise. In my end is my beginning.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
CONTEMPLADORES DE JANELAS
Uma pesquisa decidiu investigar o que gatos domésticos fazem quando estão sozinhos em casa. Para isso, câmeras escondidas tiraram fotos a cada 15 minutos, registrando o que os gatos faziam de seu tempo enquanto os donos não estavam por perto. Quase 800 fotos foram estudadas e se descobriu que, na maior parte do tempo, os gatos domésticos dedicam seus dias a olhar pelas janelas. O restante, dedicam a dormir, esconder-se e brincar. Contempladores de janelas. Amo-os ainda mais hoje.
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
O TEMPO & EU
Eu e o tempo. O tempo e eu. Relação de amor e ódio que, neste final de ano, comemora três décadas. O tempo passa, realmente, diante dos nossos olhos e de forma praticamente imperceptível. Faço jogos comigo mesmo, sem grande fundamento, que acredito poderem me ajudar a mensurar sua passagem silenciosa e devastadora, ainda que rica e repleta de memórias, lembranças, aprendizado e satisfação. Gosto de me olhar no espelho, ocasionalmente, e tentar enxergar o "eu" de 5 anos atrás. De 10 anos atrás. 15, 20. E é como se eu conseguisse, porque fica a ilusão de que "não mudei tanto assim", que "estou mais ou menos da mesma forma". E aí surgem os clichês, de que alguns fios de cabelo branco e um punhado de rugas discretas não deixam mentir. Mas é como se eu não as enxergasse e acreditasse, de fato, que não mudou muita coisa. Sou o mesmo, quase igual, apenas com anos a mais. E a ilusão até dura, surpreendentemente. Mas é inevitável constatar que tanto muda, que tanto mudou. Muitas vezes para melhor, outras para pior, mas sempre é um conjunto de ideias sobre uma vida que já ficou para trás. E isso é extremamente doloroso. Ainda que nada se perca, já que tudo o que "fica" é convertido em memória. Comos os discos que gravamos em fita, que gravamos em cd, que gravamos em dvd, que gravamos em bluray... Mas o original ficou para trás e tenho certeza que, na conversão contínua de acontecimentos reais em lembranças bluray, muito se perde. Caminhamos para frente, em marcha firme, sem a opção de retroceder. No máximo, olhar para trás. Dezembro é emblemático para mim, por razões óbvias. É o mês do desfecho, do balanço, de começar a contabilizar o ano. 2009, definitivamente, não foi um ano bom. Ele teve "seus momentos". O ano foi uma maratona, com breves e fugazes momentos de descanso. Sinto que andei quase todo o tempo na reserva, sem muita chance para abastecer, para carregar as baterias apropriadamente. Foi um ano em que senti na pele, como corte, a sensação do amadurecimento. Como se tivesse deixado parte de um "eu mais jovem" na estação. Como se eu tivesse dado adeus definitivo a algo de mim que já não poderia mais me acompanhar na jornada; provavelmente porque em breve - ou quem sabe neste exato momento - já esteja em companhia de um novo eu - ou parte dele - com quem seguirei a partir de agora. Catarse, devaneio, filosofia sem muito fundamento. É algo que vem e volta, geralmente nessa época do ano em que carimbamos "mais um". Fazia tempo que não sentava na ilustre companhia de meus botões, na minha solitária contemplação de janelas, enquanto observo o silêncio da rua, os carros que passam, os apartamentos acesos de maneira aleatória como um sorriso largo onde faltam alguns dentes. Talvez porque eu acabe sentindo tanta falta de mim mesmo - ou de algum eu que se foi e não voltará mais - acabo evitando socializar comigo mesmo para não constatar a inevitável passagem do tempo. Porque sinto saudade. São meus jogos sem grande resultado. Não dá para enganá-lo, não tem jeito. E acabo dançando conforme sua música e obedeço, como servo infiel, este meu mestre rigoroso. E, passada a estranheza de todos os finais de ano, continuamos a seguir juntos. O tempo e eu.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
GRATIDÃO
"Agradeçamos, porque se hoje não aprendemos muito,
Ao menos aprendemos um pouco. E se não aprendemos um pouco,
Ao menos não adoecemos. E se adoecemos,
Ao menos não morremos. Portanto, agradeçamos".
Ao menos aprendemos um pouco. E se não aprendemos um pouco,
Ao menos não adoecemos. E se adoecemos,
Ao menos não morremos. Portanto, agradeçamos".
(Buda)
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
NASRUDIN E A MULTIDÃO
Conta uma lenda Sufi que Nasrudin chegou a uma pequena aldeia e todos imediatamente julgaram-no como um velho sábio. Não demorou muito até que uma multidão se aproximou do velho, aguardando ansiosamente por palavras de sabedoria e iluminação. "Mas quem havia lhes dito que Nasrudin era um sábio?", pensou. Para não frustrar seus expectadores, no entanto, Nasrudin placidamente abriu seus braços e disse aos presentes:
"Suponho que, se estão aqui, já sabem o que tenho a dizer".
Eis que a turba respondeu: "Não! O que você tem a nos dizer? Não sabemos, diga-nos, por favor!".
E Nasrudin continua: "Se vieram até aqui sem saber o que venho a lhes dizer, então não estão prontos para escutar". Dito isto, o velho se levanta e vai embora, deixando todos atônitos. Alguns já julgavam-no louco, quando alguém gritou, maravilhado:
"Ele tem toda a razão! Como podemos nos atrever a vir aqui se sequer sabemos o que viemos escutar? Somos estúpidos e perdemos uma chance maravilhosa. Quanta iluminação, quanta sabedoria! Vamos pedir ao velho que nos dê uma nova chance!"
E alguns homens correram em busca de Nasrudin e suplicaram-no que voltasse e ensinasse, novamente, seus conhecimentos. Após grande insistência, o velho retorna à aldeia e encontra uma multidão ainda maior na praça. E diz, assim que chega:
"Suponho que já sabem o que tenho a lhes dizer".
Lição aprendida, a multidão responde, quase em coro: "Sabemos, claro. Por isso viemos".
Ao ouvir a resposta, Nasrudin balança a cabeça e lhes diz: "Bom, se já sabem o que vim lhes dizer, não vejo necessidade alguma de repetí-lo". E, novamente, abandona as pessoas e vai embora. A platéia se cala em profundo silêncio até que um começa a gritar:
"Maravilhoso! Iluminado! Precisamos ouvi-lo mais, desejamos mais de sua sabedoria!"
Outro grupo de homens corre, novamente, em busca de Nasrudin e, de joelhos, imploram ao velho que volte. Nasrudin consente e é recebido como um rei pela aglomeração de pessoas sedentas por seu conhecimento. O velho se volta para eles e diz:
"Suponho que já sabem o que vim dizer".
E então, um representante responde com confiança: "Alguns sim, mestre, mas outros não". E a praça é tomada por grande silêncio e expectativa. Todos observam Nasrudin até que ele responde, serenamente:
"Neste caso, os que sabem que contem aos que não sabem". E, dito isso, Nasrudin foi embora.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
PARA VER E OUVIR: "CLUBE DA ESQUINA N.2" (VOZ E VIOLONCELO)
Um presente aos assíduos e queridos visitantes deste blog de devaneios semi-superficiais e reflexões quase profundas. Marcelo Vieira apresenta sua versão para o "Clube da Esquina n.2", de Lô e Márcio Borges, na Universidade do Estado da Louisiana (EUA). Essa apresentação é divina. Assistam até o final. É de arrepiar.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
UM POUCO MAIS DE CALLAS: "VOI LO SAPETE", DA CAVALLERIA RUSTICANA (LONDRES, 1973)
Uma rainha, uma aparição. Morreria apenas 4 anos depois desta apresentação, vitima de um coração partido, em seu solitário apartamento na Rua Georges, em Paris.
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domingo, 22 de novembro de 2009
PARA VER E OUVIR: MARIA CALLAS CANTA "MIO BABBINO CARO" (JAPÃO, 1974)
Callas, eterna, imortal, inesquecível, insuperável. Ela se envergonhava desta que é uma de suas últimas apresentações públicas. Para a diva, Tóquio havia sido um desastre. Ao observarmos sua performance neste vídeo, impecável, precisa, percebemos o quanto essa deusa imperfeita foi dura consigo mesma por toda a sua vida. Centenas de cantoras líricas atuais dariam a vida para serem eternizadas nesta "apresentação vexaminosa" aos altos padrões de Callas. A apresentação é bela, tocante, com essa vibrante e doce voz inconfundível de anjo que Callas gravou para sempre em nossas mentes e corações. Inesquecível.
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009
"SLEEVEFACE"
Algumas pessoas transpiram criatividade. O "sleevefacing" é um exemplo disso. A técnica - absurdamente pop-art - consiste em pegar uma capa de disco (geralmente vinil) e se mesclar a ela da melhor forma possível, respeitando o cenário, roupas, cabelos etc. Genial. Para quem se interessar, a dica é o site sleeveface.com. No detalhe, uma menina brinca com a capa da trilha sonora de "Encontros e Desencontros".
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009
PRIMEIRA IMAGEM DE "SOMEWHERE"
Os filmes de Sofia Coppola são assim, meio como ela: silenciosos, discretos, em um ritmo diferente do mundo. Isso define também sua visão e estética e faz dela uma diretora original e absolutamente acima da média. Os filmes de Sofia Coppola começam assim, meio como sonho: um sopro, uma ideia, um sussurro de novidade e vão ganhando força, como o vento, até se materializarem em cinema. A história de "Somewhere" narra a vida de um ator "perdido" e sem rumo na vida e que habita o Chateau Marmont, famoso hotel de Hollywood. Um belo dia, ele recebe a visita inesperada de sua filha de onze anos, que o faz repensar sua existência até então. Sua filha se transforma na sua última chance de retorno e conexão com a realidade. No elenco principal, Stephen Dorff, Elle Fanning e Michelle Monaghan. "Somewhere" tem roteiro e direção de Sofia Coppola e, diz-se, é inspirado em muitos momentos da sua vida. Vamos aguardar, então.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
PARA VER E OUVIR: LUDÉAL ("ALLEZ L´AMOUR")
Um brinde ao amor e ao cinema, repleto de deliciosas homenagens...
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quinta-feira, 12 de novembro de 2009
ÁGUIA E LOBO, TÃO PERTO, TÃO LONGE
Eis a cena mais comovente de "O Feitiço de Áquila" (Ladyhawke): a história de dois amantes, separados por uma maldição. Ele, lobo à noite. Ela, águia pela manhã. Sempre juntos, eternamente separados. Na tênue costura entre a madrugada e o crepúsculo, porém, os dois tem uma chance breve de se reencontrar. Mas, ainda assim, não é suficiente. Quem já viu esse filme sabe do que estou falando; da angustiosa corrida de Navarre e Isabeau para se reverem, nem que por alguns segundos (a cena começa exatamente em 2m50s). É de cortar o coração.
PARA VER E OUVIR: DAVID BOWIE ("HEROES" LIVE 1977)
Too cool for school.
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009
A NORA DOS SONHOS (?)
"My sassy girl" (Ironias do Amor) é um daqueles filmes que poucas pessoas darão muita bola. Nem chegou ao cinema (foi lançado diretamente em DVD), não possui um elenco estelar e é uma refilmagem de um filme sul coreano. Bom, eu tenho uma queda por este tipo de filme, meio "underdog" e "Sassy" é justamente aquele filminho bobo, sem pretensão, que a gente acaba pegando por acaso na TV e nem percebe que estamos vendo até o final, para ver no que dá. É um filme bobo, sim, recheado de deliciosos clichês e roteiro inocente (mesmo a refilmagem possui um intenso tempero da inocência oriental); mas é um filme delicioso, adorável e que recomendo a qualquer pessoa de bem que deseje assistir a algo banal mas que faz sorrir. Isso define "Sassy Girl": um filme banal, que faz sorrir e pode até emocionar. Tudo depende do humor de quem vê. O filme narra a história de Charlie (interpretado por Jesse Bradford), um rapaz do campo que vai para a cidade grande em busca de realizar conquistas profissionais idealizadas pelos seus pais. Num acaso do destino, ele esbarra em Jordan (Elisha Cuthbert), uma menina rica e avoada, mas marcada por uma grande melancolia que não revela a ninguém. Ou pelo menos tenta não revelar. Jordan é uma mistura de Claire (de "Elizabethtown") e Sarah (de "Serendipity"), uma menina linda, encantadora e cheia de personalidade. Ela, que é destemida e cheia de vitalidade, é o oposto de seu par, Charlie, um rapaz quieto de poucas ambições. Os dois, juntos, formam um estranho casal que por alguma razão - que só vamos entender ao final - não consegue ficar junto. Jordan provoca Charlie e leva-o aos extremos da raiva e da paixão. E desaparece, como um sonho. Mas ela tem seus motivos que, estranhos ou justificados, compreendemos eventualmente. O filme possui direção elegante, bela fotografia e trilha sonora e se passa em Nova York, como toda boa comédia romântica. Meu momento preferido do filme é a cena no parque, em que Jordan pede a Charlie para andar até outro extremo para verificar se ele consegue ouvi-la; único momento em que ela consegue dizer a ele parte do turbilhão de emoções que ela sente. Como ele não pode ouvi-la, a cena possui um aspecto muito doce, eloquente e comovente. Elisha Cuthbert, que todos conhecem como a filha de Jack Bauer na séria "24h", na verdade, está muito bem neste papel, que seria perfeito para Kirsten Dunst há alguns anos. "Ironias do Amor" é um filme delicado, pequenino e que não recebeu nenhum grande mérito ou elogio (as críticas, aliás, não são boas). Mas garanto que dará boas surpresas a quem lhe der alguma chance. Recomendo.
domingo, 8 de novembro de 2009
E SE A ÚLTIMA PESSOA DO MUNDO PARA TE SOCORRER FOSSE... VOCÊ MESMO?
"Moon", filme do estreante Duncan Jones (filho de David Bowie) é um filme impressionante. É épico, original, assustadoramente interessante. "Moon" é um filme sobre solidão e silêncio. Sobre realidades que se descortinam por detrás do óbvio. É como uma pequena porta que se abre e revela um abismo. Não sei bem ao certo como explicar esse filme, tampouco resenhá-lo. É um filme excelente, imperdível e uma experiência única para qualquer fã de ficção científica. Estrelado por Sam Rockwell, no papel do astronauta Sam Bell, o filme narra a história de um mineiro lunar, preso numa base claustrofóbica na lua (referências a '2001' de Kubrick transbordam). Há 3 anos, Sam está numa base lunar em busca de energia alternativa para o planeta terra. Sua única companhia é um robô adorável chamado Gerty (voz de Kevin Spacey). Na rotina do dia, monitorar "escavadoras", fazer exercício e se perder em devaneios e saudade de sua mulher e filha, que estão na terra. Um belo dia, algo foge do controle, e um acidente muda o mundo (ou melhor, a lua) de Sam de cabeça para baixo. Ao acordar na enfermaria, Sam decide voltar ao local do seu acidente. Para sua surpresa, encontra a si mesmo ali, inconsciente. Ao trazer o outro Sam de volta para a base, uma série de eventos se desenrolam numa trama surpreendentemente complexa para um filme com apenas 2 personagens, um cenário e pouco mais de 2 músicas. Sam passa a conviver com o outro Sam e nenhum dos dois chega a um consenso sobre "quem é o clone de quem". Mal sabem ambos que a solitária base lunar ainda guarda muitas surpresas. Por baixo da penumbra e do silêncio da lua, "Moon" transpira filosofia e metafísica ao mostrar questões impossíveis e a história de dois homens iguais e opostos que descobrem, mais cedo ou mais tarde, que devem um ao outro imensa cumplicidade. Muito ainda vai ser falado sobre esse filme pequenino e precioso. Um filme de silêncios e deliciosos socos na barriga. "Moon" é um filme que nos leva para a lua e nos puxa de volta, como numa montanha-russa. Imperdível.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
PARA VER E OUVIR: MISSA EM DÓ MENOR (KYRIE), DE W.A. MOZART
A entrada da soprano Miah Persson é de dilacerar o coração.
PARA VER E OUVIR: TRISTES APPRÊTS, PALES FLAMBEAUX (J. P. RAMEAU)
Belíssima - e doída - apresentação da Mezzo-soprano Magdalena Kozena.
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