quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O AGENTE DO CAOS


Não há a menor dúvida que o filme "Batman - The Dark Knight" pertence, de fato e direito, ao ator (infelizmente falecido) Heath Ledger. Isso já caíu no campo do óbvio. Sua interpretação do Coringa, psicótico e grotesco, como uma espécie de homem-sapo insandecido merece todos os elogios e homenagens, sem exageiros, naturalmente. O sorriso de palhaço que marcou Jack Nicholson na década de 80 cede lugar a uma horrenda cicatriz que lhe corta o rosto de orelha a orelha. Um "sorriso obrigatório" que, como bom comediante, ele cobra do mundo; que riam de sua piada, seja ela qual for. Uma piada do medo, a única coisa capaz de mudar um homem. Batman é mero coadjuvante neste filme que leva o seu nome mas que bem poderia ser "The Joker". O Coringa de Heath Ledger é um idealista de não-ideais, um anarquista e um terrorista, alguém que apenas quer ver o mundo de ponta cabeça; na melhor definição (própria) "um agente do caos", que quer gargalhar em torno das convenções e certezas jogadas numa pira, como Nero. "Por que tão sério?". Subverter a realidade, virar tudo ao avesso, destruir o limite entre o certo e o errado. É exatamente o que ele é e justamente por isso se torna um inimigo invencível, porque no campo da retórica não há como lhe contra-argumentar. É o único que consegue calar ao Batman que, diante de sua enigmática e aterrorizante figura, é um ser inerte. "Faremos isso para sempre", diz o Coringa em um dos melhores diálogos do filme; "o que acontece quando uma força incontrolável encontra uma obstáculo intransponível?", assim ele define o palco que certamente é pequeno demais para ambos. Não há herói e não há vilão, nesse jogo de dois mascarados, já há muito tempo perdidos no labirinto sem saída das suas próprias sombras. De todos, o mais sombrio e o mais poético dos filmes do Batman. E, provavelmente, também o melhor.

Um comentário:

Lukas A.Souza,English Teacher disse...

Bem..diante de sua magnífica postagem torna-se evidentemente inútil argumentar seja lá o que for, visto que descreve de modo sagaz e como que telepático a sensação que toma aqueles que por sua vez foram tomados de simpatia ao verem esse personagem o qual vivencia um estilo de vida do qual todos nós mesmo que inconscientemente invejamos,mas que muitas vezes sem o dom, não sabemos como vive-lo, tampouco explicá-lo.


Amante do caos.