sábado, 31 de dezembro de 2011

ADEUS A 2011

Numa retrospectiva recente, lembro que 2008 foi um ano feliz, 2009 foi um ano para ser esquecido, enquanto 2010 é um ano que me deixa saudade até hoje. 2011, como 2009, é outro ano para ser esquecido. O 11 não foi um bom ano para mim, ainda que eu tenha celebrado um punhado de felicidades efêmeras. Mas as decepções e perdas foram maiores. 2011 foi batalha morro acima, todo o tempo e chego a esse dia 31 com uma sensação de exaustão. Exaustão na alma, acho. Talvez eu não deva ter muita sorte com anos ímpares. Será? Por esse ponto de vista, então, 2012 deverá me trazer mais felicidades; algo que me agarro como a um talismã. O que importa - ou já não importa, sei lá - é que 2011 vai embora hoje. 

Que vá, então, e nunca mais volte.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

EM DEZEMBRO DE 2012

Falta um ano para retornarmos a Terra Média. Em dezembro de 2012 estreia a primeira parte de "O Hobbit", dirigido por Peter Jackson. Começa a espera.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

PÔSTERES JAPONESES

Adoro pôsters de filmes. Se pudesse, teria paredes recheadas com eles. E o que dizer dos pôsters japoneses? Incomparáveis. So cool.
Bastardos Inglórios
Viagem a Darjeeling
Maria Antonieta
Os Goonies
A Árvore da Vida
Beleza Americana

AMOR PLATÔNICO

Sara Bareilles, "a pequena voz". Não sei o que é. Não sei se é essa beleza morena, de nariz proeminente, meio greco-marroquina, ou a voz avassaladora, que sai desse corpo magrinho e pequenino, e me emociona em tantas músicas que já sei cantarolar de trás para frente. Se são as letras, que falam de coisas sentidas, vividas, de mágoas, de cicatrizes latejantes, ou de paixão, amor, felicidade pura. De que não é preciso asas comuns para se voar de volta para quem realmente amamos. De que é possível acreditar no amor, ainda que haja tanto sofrimento e decepção. Ou se é o seu jeito moleque, que não se importa em ser rude, em falar palavrões, em ser criticada. Ou se é simplesmente por ela usar vestido e tênis all-star. Eu tenho um fraco por meninas de vestido e all-star. Eis mais uma paixão platônica e à primeira vista (ou ouvida).




domingo, 25 de dezembro de 2011

A PRISÃO SEM MUROS

Por onde começar, para pelo menos TENTAR falar sobre esse filme? "A Pele que Habito" (La Piel que Habito) não é apenas o melhor filme de Almodóvar; é um dos melhores filmes que já vi em toda a minha vida. Uma história eletrizante, que deixa os olhos secos pela impossibilidade de piscá-los enquanto a trama se desenrola na tela. 

Mas como discutir esse filme sem confidenciar seus segredos? Como dizer do atropelamento mental que é essa história arrebatadora, sem revelar a caixa de mistérios que Almodóvar esconde com uma maestria que chega a comover? A genialidade deste filme dá vontade de chorar; o que é contraditório diante da tragédia inexplicável que se constrói diante dos nossos olhos incrédulos. 

Há uma beleza sem nome e um absurdo nomeado neste filme que só posso conceber como um mórbido conto de fadas às avessas. Passado nos dias de hoje em Toledo, Espanha, vamos pouco a pouco descobrindo a infeliz vida do Dr. Roberto (Antonio Banderas) que vive numa villa onde mantém prisioneira Vera (Elena Anaya). Ela habita um cômodo onde vive com conforto, com livros, exercícios e uma câmera de onde é monitorada 24 horas por dia, inclusive a partir de uma tela gigantesca no quarto de Roberto, onde muitas vezes Vera parece ser um quadro emoldurado.

Vera é prisioneira do Dr. Roberto, que a mantém praticamente emoldurada, como um fetiche voyerista

Mas por qual razão Vera é mantida presa? O que pretende o Dr. Roberto? Entendemos que ele está à frente de uma grande descoberta científica, uma pele modificada geneticamente e que é mais resistente do que a pele humana. Sua tragédia pessoal parece tê-lo motivado, já que Roberto perdeu sua mulher num incêndio.

Assim, vamos testemunhando o cativeiro de Vera que, aparentemente, parece estar se recuperando de algum tratamento. Em paralelo, pedaços e fragmentos de uma vida de tristezas, marcada por uma série de pessoas infelizes e decisões trágicas. 
O que é Vera? Um fetiche? Um brinquedo? Um desejo impossível de se reaver algo?

Mas há um propósito, uma finalidade, uma explicação que vamos lentamente decifrando até o confronto final que Almodóvar nos expõe. Com genialidade absoluta, o diretor vai nos conduzindo por um caminho de certezas e deduções até virar nosso mundo de ponta cabeça, similarmente ao que vemos na tela. 

Infelizmente, há pouco a se dizer sobre esse filme magistral, essa obra de arte inquestionável, sem revelar seus maiores tesouros que são justamente as descobertas que fazemos - e que devemos fazer sozinhos.

Um filme que me deixou em silêncio profundo, sepulcral, cativo de minhas próprias ideias. Um filme como poucos, um filme como não se faz ultimamente. Uma história brilhante, perturbadora, perfeita, ainda que beirando o limite da dor e da tragédia humana. Um filme importante além do importante.

Uma história sobre uma prisão sem muros, uma experiência a ser vivida.

sábado, 24 de dezembro de 2011

PARA VER E OUVIR: STING ("IF I EVER LOSE MY FAITH [IN YOU]")

domingo, 18 de dezembro de 2011

ILUSTRANDO

"Insanidade" - Joseph Minton

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O AMOR E OS SALÕES DE DESEMBARQUE

"Like Crazy" (ainda sem título no Brasil) é um "daqueles filmes". Fica na memória, no coração, na alma. Doendo, fazendo rir, fazendo chorar. Há um bom tempo os filmes românticos não me afetam. É difícil sucumbir, confesso. Mas esse me atravessou de forma arrebatadora, como um atropelamento do qual até agora não consegui me recuperar. Sinto os olhos girarem, como vertigem. O corpo dormente, a cabeça embriagada por um caleidoscópio de sensações, lembranças, saudades. Esse é um filme de amor. Um filme sobre a saudade. Um filme sobre a caótica missão de existir.
Loucos de amor, Jacob e Anna vivem uma linda e dilacerante história

O filme conta a história de Jacob (Anton Yelchin) e Anna (Felicity Jones), um rapaz americano que conhece uma garota inglesa, durante a faculdade em Los Angeles. Como num conto de fadas urbano, os dois se apaixonam à primeira vista e vivem uma intensa história de amor. Até que o visto estudantil de Anna expira e ela precisa retornar ao Reino Unido. Cegos de amor, os dois decidem ignorar a proibição e Anna permanece nos Estados Unidos, violando sua permissão. Isso implica num banimento que a impede de retornar.

A partir deste momento, os dois precisam enfrentar um difícil relacionamento a distância, regado por saudade, lágrimas, e um desespero que corrói o peito. Tudo muito bem feito, muito sentido, muito doído, graças a uma atuação magistral do casal que simplesmente brilha na tela como se, de fato, eles fossem as únicas - e últimas - pessoas do mundo. É impossível não sucumbir ao amor de Jacob e Anna. E aqueles que já viveram um grande amor - ou, especialmente, um amor a distância - preparem-se para uma linda e dilacerante história. Destas que não é fácil esquecer. Destas que abrem os baús da memória e nos deixam com os sentimentos à flor da pele.
Um filme para deixar as emoções à flor da pele

Inevitavelmente, a "vida" acontece. E tudo fica complicado por conta de trabalho, desencontros, possíveis novos amores. Mas há algo ali, inexplicável, que aprisiona um ao outro e eles simplesmente não conseguem se desconectar, por mais que realmente queiram seguir em frente. Há algo que volta, um retorno retumbante, que os pegam de surpresa e eles se veem obrigados a voltar para os braços um do outro. Para soluções loucas, para planos infundados, para novos encontros apaixonados, novas memórias, novas fotografias, novas tristes despedidas nos aeroportos.
Uma história sobre a (agri)doce arte de se despedir

Há uma corrida contra o tempo. Um desejo de voltar, sabe-se lá para quê. Eles querem, precisam, urgem "como loucos" em voltar um para o outro. E, pelo curto tempo em que essa linda história se desenrola na tela, percebemos que, se a vida imita a arte, a recíproca também é verdadeira. Nada é muito fácil, o coração não equaciona como matemática, e somos todos realmente criaturas muito complexas.
"Like Crazy" é um filme sobre o amor que realmente existe. Que é parte da vida, caótico, confuso, doloroso

Este é um filme, pura e simplesmente, sobre o amor que realmente há por aí. Sem idealismos, sem fantasia de cinema. Um filme que me deixou em silêncio, com cantos de olhos muito chuvosos. Um filme sobre o amor nos salões de desembarque. Sobre uma impossível história que todos nós já vivemos em algum momento de nossas vidas.

E que dificilmente viveremos novamente.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

MEUS FILMES DE 2011

Foram muitos os filmes de 2011. No entanto, diferente de 2010, apenas poucos realmente "ficaram":
"A Árvore da Vida" (The Tree of Life). Meu filme de 2011, sem dúvidas. Meu filme, possivelmente. 
O arrebatador, devastador, transcendental "Melancholia" também ficou. 
O adorável conto-de-fadas de Woody Allen, "Meia Noite em Paris" (Midnight in Paris), foi uma grata surpresa. 
"Não me abandone jamais" (Never Let Me Go), um dos filmes mais sofridos - lindamente sofridos - que vi em toda vida.
"O Discurso do Rei" (The King's Speech), Collin Firth em seu melhor.
"O Cisne Negro" (The Black Swan), algo de sonho e pesadelo. Um filme quase perfeito.
"Um Dia" (One Day) cresceu em mim. Confesso que não gostei. Depois reavaliei meus conceitos e considero um filme especial, que realmente se distancia das "comédias românticas" rotineiras. Ficou também.

sábado, 3 de dezembro de 2011

DER SCHÜCHTERN MAUS

Ela passava as noites fora. Quase todos os dias, retornando com as primeiras luzes da manhã, para dormir como uma vampira até os primeiros suspiros do sol. Quase todos os dias. Era quando ele arriscava sair de sua toca, timidamente, tateando os contornos do seu buraco com medo de alguma emboscada. Era o seu celebrado banho de lua, as únicas ocasiões em que podia caminhar incólume.

Porque ele sabia que ela era esperta, rápida, mortal. Intuitiva, muitas vezes frustrava suas tentativas de liberdade antes mesmo que ele tivesse coragem de pôr os olhos para fora. Como mágica, surgia uma garra afiada, que quase reluzia, feito arma branca, assustando-o e empurrando-o rapidamente para dentro. Suspirava. Ainda não seria daquela vez. Uma, duas, três, cinco, cem vezes. Ele nunca conseguia vencer. Ela era mais rápida, mais inteligente, mais competente. Ele era mais lento, mais bobo, menos consciente dos perigos que o cercavam.

Ela era sua senhora torturadora. Às vezes não fazia absolutamente nada, como se não se importasse, como se duvidando, tentando-o a se arriscar. Outras tantas vezes enfiava os grandes olhos dourados por entre seu buraco, vigiando-o como dois faróis policiais. Esquerda, direita, em cima, em baixo. "Tente", parecia dizer. E ele se escorava num canto, e com as costas molhadas pela parede úmida rezava baixinho suas preces de rato: "Por favor, Deus, faça ela ir embora. Faça ela ir embora". Mas era como se o Deus dos ratos estivesse ausente.

Ele não possuia nada. Sem comer, começava a definhar. Se não fossem as migalhas que conseguia roubar à noite, quando ela saia, há muito tempo não teria sobrevivido. Brincava com um pequenino botão que, mesmo assim, a gata havia conseguido confiscar. De modo que não havia nada, naquele buraco, a não ser a escuridão e o silêncio. E um desespero que roía o ratinho por dentro.

Ele se questionava porque havia nascido rato? E não cão? E esse pensamento o deliciava profundamente... as imagens que se repetiam e se sobrepunham em sua pequenina mente, como um caleidoscópio. A gata sendo posta para correr, aterrorizada por sua violência impiedosa, sua vingança. Ele se imaginava como um cão gigante, negro, assustador. E, nestes seus devaneios, a gata nem cogitaria ameaçá-lo. Ela sentiria medo dele. Muito medo.

Mas esses pensamentos desapareciam como fumaça e rapidamente ele era lembrado de sua condição. Porque lá estavam os grandes olhos, as garras afiadas que vez ou outra adentravam o buraco tateando no escuro. Ou o rabo comprido, balançando preguiçosamente em algum canto da sala para lembrá-lo, formalmente, que ela estava lá. 

Um dia, exausto, ele meditou por horas diante da pilha de veneno estocada em todos os cantos de sua morada humilde. Olhou para a pilha fedorenta, ainda incrédulo sobre como podiam achar que um rato em sã consciência poderia ingerir aquilo? E sem titubear, avançou sobre o veneno, devorando tudo vorazmente até que começou a sentir-se aéreo, como se estivesse desaparecendo. Sua cabecinha girava e ele sabia que estava morrendo.

Então, como num susto, juntou as últimas forças que ainda habitavam seu corpo minúsculo e saiu vagarosamente de sua toca, colocando-se corajosamente diante daqueles olhos dourados, imensos, que o observavam como duas moedas gigantes. Aqueles rasgos negros, misteriosos, que ele aprendeu a temer durante cada segundo de sua vida. E, como um penitente, deitou-se sob a misericórdia da gata, que o imobilizou sob a pata esquerda e o abocanhou imediatamente.

Em segundos, a gata estava no chão, contorcendo-se em dor profunda. Ela se torcia e se revirava e miava em desespero absoluto, como se algo a estivesse destruindo. Era o pequenino. O ratinho tímido que ainda estava ali roendo suas entranhas de dentro para fora.

A gata sufocava em sua própria saliva, embriagada pelo veneno forte. Até que não se mexeu mais.

Vitória. 

O rato matou o gato.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

ILUSTRANDO


Giorgio DiChirico - "Rua" e
"Nostalgia do Infinito"

terça-feira, 29 de novembro de 2011

PARA VER E OUVIR: THE SMITHS ("PLEASE, PLEASE, PLEASE LET ME GET WHAT I WANT")

PARA VER E OUVIR: DAVID BOWIE ("HEROES")

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

ILUSTRANDO - BLANCA GÓMEZ





quarta-feira, 23 de novembro de 2011

SONECA


Qualquer pessoa que tenha dois gatos em casa (sobretudo com boa diferença de idade) sabe que é EXATAMENTE assim...

sábado, 19 de novembro de 2011

ILUSTRANDO

Hung Liu - "Lavagem Vermelha"

ARVEL E A GUERRA

Todos os homens na vila guardavam uma lança de combate em casa, que rezavam todos os dias para que nunca precisassem usar. Eram tempos de paz, inegavelmente, ainda que o rei insistisse que todos os homens saudáveis estivessem sempre prontos para tomar armas. A guerra podia chegar. Mas ela nunca chegava.

Alguns creditavam a paz aos feitiços dos druidas que dançavam, meio loucos, no topo do morro, com seus cabelos espetados e roupas esfarrapadas. Outros às mulheres que cantarolavam aos deuses que livrassem seus maridos da guerra enquanto cuidavam das costuras ou do peixe defumado. Alguns outros à inexistência de inimigos aparentes ou suficientemente fortes. Não havia perigo, de fato, e os anos eram uma sucessão de rituais felizes que envolviam as colheitas, o crescimento das crianças e as festividades. 

Mas não para Arvel. Galês, nunca havia se sentido plenamente em casa ali. Vivia, cuidava da sua lavoura, do gado, dos filhos que nem sabia se eram seus. Mas era tão infeliz que já nem sabia ao certo como era a sentir-se de outra forma. Tinha lembranças, claro, mas eram pedaços etéreos e desconexos que envolviam cheiro de carne de porco, joelhos ralados, arcos de freixo pequeninos, maçãs colhidas nas árvores e os cabelos ruivos desgrenhados de sua mãe, Erce.

Arvel tinha seis filhos - sem contar três que não haviam sobrevivido mais que um punhado de semanas - uma casa de barro batido, alguns bois e uma pequena plantação que abastecia sua casa com grãos suficientes para o inverno. Nem muito, nem pouco, o suficiente. Havia lenha na lareira e roupas de lã que, ainda que velhas, puídas e mal costuradas, aqueciam seu corpo magricela nas noites mais impiedosas. Ele era casado com a filha do ancião da vila - algo que dava certo status naquele círculo social rudimentar.

Mas Arvel não era feliz. Dos seus filhos, não tinha certeza se pelo menos um era dele. Sua mulher infernizava cada hora de seu dia e não havia nada, naquele amontoado de cabanas úmidas, que ele pudesse chamar de lar. Arvel já nem lembrava que raios, que ventos tinham levado-o para aquele lugar. Coisas dos deuses que deveriam ter algum propósito para a sua existência. Faltavam tantos séculos até que os homens pudessem descobrir a depressão. Pobre Arvel. Não havia caprichos como esses em seu tempo. Era uma época de embrutecimentos, poucos dentes e vidas curtas. 

Não que sua vida fosse ruim. Na verdade não era. Arvel só era infeliz. Verdadeiramente infeliz.

Mas um dia, afinal, a guerra chegou. E enquanto as mulheres choravam lástimas desesperadas sobre os ombros de seus maridos armados, Arvel era o primeiro da fila, em marcha orgulhosa, vestindo roupa completa de couro e ferro, capa, elmo e escudo. Um sorriso largo o denunciava a quilômetros de distância.

Arvel não estava indo para a guerra. Arvel estava indo embora.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

NO RADAR


Trailer oficial de "Like Crazy". Número 1 no meu radar de filmes que desejo (PRECISO) ver em breve.

PARA VER E OUVIR: STARS ("DEAD HEARTS")

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

PARA VER E OUVIR: SARA BAREILLES ("GONNA GET OVER YOU")

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

ILUSTRANDO

Renee Magritte - "Saudade de casa"

sábado, 22 de outubro de 2011

O PLANETA TRISTEZA

"A terra é um planeta maligno", nos diz Justine em determinado momento de "Melancholia", o novo filme de Lars von Trier. "A vida na terra, pelo menos, é". Difícil falar, explicar esse filme. Eu mesmo não sei ao certo o quanto gostei, o quanto odiei. Não é, nem de perto, difícil de engolir como "O Anticristo" mas isso não o impede de ser igualmente confuso e quase inacessível. Há um certo autismo na obra de von Trier e é preciso ter isso em mente antes de embarcar em um filme seu. Na tela, uma trama sem começo nem fim, tampouco muita explicação. Em 2 atos, o filme primeiro nos mostra Justine (interpretada pela sempre magistral Kirsten Dunst), que vai se casar numa linda propriedade no campo. Um casamento de sonhos, com um homem que parece amá-la perdidamente. Mas algo errado com Justine. Há um monstro a devorando por dentro que, pouco a pouco, percebemos se tratar de uma depressão profunda, uma tristeza abissal, uma amargura desesperadora que faz com que, para ela, a felicidade seja algo inatingível. Filha de pais desajustados, ela parece ser uma pessoa montada por cacos, uma sobrevivente. Ao seu lado, Claire (Charlotte Gainsbourg), a irmã mais velha e que percebemos ser seu único ponto de apoio diante do abismo que parece engolí-la vagarosamente.
Cheio de simbolismos e mistérios, "Melancholia" tem algo de sonho e algo de pesadelo

Mas não há perfeição neste relacionamento, longe disso. Há uma série de sussurros que parecem conversar segredos daquela família e que von Trier não faz questão nenhuma que compreendamos. Justine e Claire são, basicamente, duas sobreviventes. Ao redor desta confusa teia familiar está a notícia de que um planeta chamado Melancholia está em rota de colisão com a terra e não se sabe se ele simplesmente passará por perto ou colidirá em cheio. E, assim, há uma expectativa angustiante, sufocante, em torno da ideia de que todos morrerão catastroficamente a qualquer momento. Uma contagem regressiva que põe tudo em cheque. A vida, subitamente, vai chegar ao fim. E aí lembramos da reflexão de Justine sobre a vida na terra e percebemos que, sem sombra de dúvidas, essa é a menor preocupação de von Trier. Um filme difícil, muito dificil, certamente. Mas que fica na lembrança. Ouvi dizer por aí que "Melancholia" seria a alma gêmea de "Árvore da Vida". Engano absurdo. Os dois filmes são inimigos mortais.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O CONTO DE FADAS DE WOODY ALLEN

"Meia Noite em Paris" (Midnight in Paris) é um lindo, pequenino, conto de fadas de Woody Allen. Uma deliciosa pausa nas suas tradicionais discussões e devaneios neuróticos sobre a existência moderna. Um sopro, um refresco, um bálsamo, um tesouro. Este é um filme mágico e surreal. Literalmente.
Woody Allen flerta com Paris em seu novo filme

O protagonista, Gil (bem interpretado por Owen Wilson), um americano da Califórina, visita Paris com sua noiva, uma típica americana superficial vivida por Rachel Mcadams. O sonho de sua vida era ter vivido na Paris dos anos 20, quando ele poderia ter conhecido tantos artistas incríveis que viviam por lá na época. Sua mulher, porém, não dá a menor bola para esse devaneio e ele se vê debravando sozinho a cidade luz. Eis que, num belo dia (ou melhor, numa bela madrugada), ele se perde em uma de suas andanças. Senta numa escadaria e, quando ouve um relógio bater a meia-noite (como nos contos de fadas) surge um Peugeot antigo, com umas pessoas dentro que o convidam para passear. E ele aceita...
Gil e Adriana dançam e se apaixonam nesta incrível (e impossível) viagem no tempo

De repente, o carro para numa festa que, de fato, está acontecendo nos anos 20 e os anfitriões são Scott e Zelda Fitzgerald. A partir deste momento, acontece uma série de encontros impossíveis com Pablo Picasso, Salvador Dali, Matisse, Ernest Hemingway, Cole Porter e tantos outros. Então ele conhece uma mocinha charmosa, Adriana, que acabou de terminar um romance com Modigliani e os dois se envolvem rapidamente. E qual é o sonho dela? Ter vivido em Paris durante a Belle Époque. E, de repente, os dois se veem nesta época e conhecem os artistas que viviam na cidade, como Toulouse Lautrec.
Salvador Dali (vivido por Adrien Brody) é um dos encontros improváveis de Gil

Basicamente, a discussão do filme é "que antes era melhor", a nossa nostalgia, a inexplicável saudade de um tempo passado, que sequer viviemos, e que sempre é melhor que o nosso presente banal. E um evidente exercício auto-biográfico de Woody Allen que realiza, na tela do seu filme, algo que parece evidentemente um dos seus maiores sonhos. Este é um filme lindo, emocionante e inesquecível.

Um lindo filme, uma linda reflexão sobre a vida. Inesquecível.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

COMO SE MEDE UM ANO?

Rent é um dos mais importantes shows da história da Broadway (estréia em 1996). Obra de Jonathan Larson, conta a história de um grupo de amigos que vivem em New York nos anos 80 e trata dos temas em discussão naquela época, como a recessão, as drogas, a homossexualidade, a liberação sexual e a AIDS. Em 2005, o musical ganhou adaptação para o cinema sob a direção de Chris Columbus. É óbvio que o filme não é, nem de longe, tão bom quanto o musical. Mas vale - como "O Fantasma da Ópera" - para quem quer experimentar a magia e a comoção de uma história sobre uma geração especial e negligenciada como foi a dos anos 80. "525.600 minutos". Como se mede um ano? A resposta não poderia ser mais simples: com amor.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

UM POUCO MAIS DO GATINHO DO SIMON

UM DIA QUALQUER LÁ EM CASA. LITERALMENTE.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

R.I.P. STEVE JOBS