quinta-feira, 31 de julho de 2014

PARA VER E OUVIR: SARAH MCLACHLAN ("I LOVE YOU")



Não tem jeito, basta ouvir a Sarah Mclachlan para eu lembra o quanto - ainda hoje - eu amo esta mulher.

TRAILER DE INTERSTELLAR



Novo do Christopher Nolan. Naturalmente que já está na lista.

TRAILER DE "O HOBBIT - A BATALHA DOS CINCO EXÉRCITOS"



"Um dia eu lembrarei de tudo...". Você vai, Bilbo. Ah, e como vai.

terça-feira, 29 de julho de 2014

AMERICAN HORROR STORY


Pérola do NETFLIX. Recomendo - demais. Histórias excelentes, personagens ricos, atmosfera, música, sem contar a Jessica Lange que simplesmente destrói, domina. Série que descobri ao acaso e não consegui mais parar de ver. E que só vai ficando melhor.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

GIFS DA DEPRESSÃO

O que eu tenho vontade de fazer no restaurante quando o prato demora uma vida para chegar e ainda vem errado...

quarta-feira, 23 de julho de 2014

PARA VER E OUVIR: JOHN MAYER ("WALT GRACE'S SUBMARINE TEST, JANUARY 1967")

segunda-feira, 21 de julho de 2014

PARA VER E OUVIR: SIOUXSIE AND THE BANSHEES ("HONG KONG GARDEN")

sábado, 19 de julho de 2014

'GREETINGS FROM INDIA'


"Trouxe a máquina fotográfica?", você perguntou, os olhos fixos na janela do taxi, aquela atmosfera amarga e esquisita entre nós. 

"Esqueci", menti; eu deixei a máquina no hotel, apenas para te irritar. 

* * *

Nós subimos juntos a escadaria daquele templo. Os degraus imundos, o ar lilás circulando ao nosso redor, você sem me deixar segurar a sua mão. Você queria ir a Índia; lá estávamos nós, riscando o item da lista. Subindo juntos a escadaria do templo.

A verdade é que eu nem sei como explicar a cronologia da nossa história; é como se ela fosse lenda, sem fatos comprovados, sem a cadência correta de eventos. Apenas um emaranhado de lembranças que se sobrepõem até formar uma mistura sem cor nem graça. Como quando misturamos todas as massas de modelar, para criar aquela bola horrorosa, marrom, que acabamos jogando fora.

Esta bola marrom, este caleidoscópio às avessas. Isso somos nós.

Nós. Era tudo o que restava, o que nos mantinha juntos, mesmo ali, cercados por aquelas pedras seculares, aquele pôr-do-sol violeta, aquele lugar mais velho que o tempo. Apenas os nós. As pendências, as soluções práticas. A divisão dos valores. O aperto de mão final. 

Você caminhava mais rapidamente, intencionalmente, escolhendo outros focos de atenção. Eu caminhava lentamente, propositadamente evitando te alcançar. Nada mais naquilo havia sentido, nossa lua de mel ao contrário; nós dois, quase em resistência magnética, empurrando um ao outro o mais longe possível. 

Os sorrisos contrastavam com a nossa presença. Como se nós não servíssemos ali, como se incomodássemos. Dois fantasmas, assombrando aquele templo. É a coisa mais curiosa - e misteriosa - essa alquimia do desfazimento do amor. É impossível traçar os passos, entre a paixão e o desprezo. A gente sente, acho, sei lá. Suspeita, sem enxergar. E então, um belo dia, numa manhã qualquer, olhamos nos olhos um do outro e nada mais faz sentido.

"Eu não amo mais você". 

Aquelas passagens compradas há tanto tempo, triste ironia. Viajamos como inimigos, desde o momento em que sentamos no avião. Aqueles silêncios constrangedores, as palavras inevitáveis, a cama pequena demais para dois corpos que, num passado recente, não se desencaixavam. 

Você me deixou segurar a sua mão no caminho de volta. Talvez por cansaço, talvez por carência. Nem eu sei porque fiz isso, também, para te ser sincero. Talvez pelas mesmas razões que você. Que importa? A verdade é que, ainda hoje, sinto o cheiro do seu cabelo molhado, quando você me abraçou ao sair do banho, do toque da sua pele em volta do meu pescoço, os seus olhos úmidos no meu peito. Aquela última noite.

Estávamos dizendo adeus.



Porque você foi um sonho doce, uma doce ilusão. Uma ideia que se desfez no vento, que perdeu o sentido, que virou decepção. E aqui estou eu, tanto tempo depois, ainda costurando os pedaços embaçados destas memórias agridoces, e sem nenhuma foto daquele templo para recordar.

E quem devo culpar?

sexta-feira, 18 de julho de 2014

QUANDO UM FILME MARCA A PELE

Alguns filmes marcam a pele, feito tatuagem (ou cicatriz). Embora hoje em dia muitos dos meus filmes queridos - para a minha supresa - tenham morrido (decoberta melancólica ao tentar revê-los), outros surgem para conquistar o lugar vago. "August Osage: County" é um deles. Eu simplesmente sou apaixonado por esse filme, que já vi três vezes, e a vontade que tenho, sempre que começam a subir os letreiros, é voltar para o começo e ver tudo de novo. Não sei dimensionar, claramente, a razão. Se o texto de Tracy Letts, se a música, se os personagens, se a possibilidade de ver tanta coisa ali com a qual me identifico. Não sei. Amo esse filme, perdidamente, e sinto-o vibrante na pele. 

terça-feira, 15 de julho de 2014

SEM PALAVRAS


Sem Palavras
Florbela Espanca

Brancas, suaves mãos de irmã
Que são mais doces que as das rainhas,
Hão de pousar em tuas mãos, as minhas
Numa carícia transcendente e vã.

E a tua boca a divinal manhã
Que diz as frases com que me acarinhas,
Há de pousar nas dolorosas linhas
Da minha boca purpurina e sã.

Meus olhos hão de olhar teus olhos tristes;
Só eles te dirão que tu existes
Dentro de mim num riso d’alvorada!

E nunca se amará ninguém melhor;
Tu calando de mim o teu amor,
Sem que eu nunca do meu te diga nada!...

PARA VER E OUVIR: JOHN MAYER ("BACK TO YOU")

15 DE JULHO - DIA DE SÃO SWITHIN


Saint Swithin's day if thou does rain
For forty days it will remain
Saint Swithin's day if thou be fair
For forty days it will rain no more


Será que chove?

domingo, 13 de julho de 2014

CASA DE AREIA


- "Eu não queria te acordar, eu sei que é cedo, mas é que eu não tinha ninguém mais para ligar..."

* * *

O assoalho da casa ainda fervia sob os seus pés descalços; o suficiente para machucar, mas ele caminhava, alheio à dor, sobre os escombros da velha casa de praia que havia pertencido aos seus avós. O resto dos móveis, ainda fumegando, madeiras e tijolos expostos, negros, pedaços de cortinas dançando no vento como bandeiras arrasadas num campo de batalha, tendo o mar emoldurando aquela cena de caos. Infinito, assustador, gigantesco e indiferente. 

As ondas quebrando na areia, para frente e para trás, para frente e para trás.

Era possível ver pedaços de coisas, aqui e ali, mas não havia restado nada inteiro, que pudesse contar alguma história. Retratos queimados, roupas, objetos de valor e sem valor algum, objetos de arte completamente modificados, um aglomerado de coisas sem forma, como um buraco no tempo e espaço, de destruição compacta. 

Seus pés doíam, os dedos lascados por pedaços de vidro e madeira, a barra da calça de pijama já levemente chamuscada, o rosto marcado por fuligem e sombra, como um guerrilheiro camuflado, os olhos petrificados, as mãos penduradas como cordões mortos, o ar salino, curto, suficiente para mantê-lo de pé, o seu corpo guiado pela incredulidade.

E então lá estava ela, sua mulher, o que havia restado dela, sobre os escombros, os restos de pele, osso e pano unidos com o caos, numa amálgama que desenhava o fim, o terrível fim, o seu fim. Ele ficou ali, de pé, observando os restos mortais da mulher que, horas antes, estava sentada na areia, os olhos fixos no mar, questionando-se sobre o sexo dos peixes. Aquela mulher infeliz, que viera habitar o mundo dos vivos por uma triste casualidade, e que há tanto tempo se esforçava em ir embora.

E levar tudo consigo, como uma bomba.

Ele acocorou-se e sentiu o cheiro forte de coisa queimada sufocando o seu rosto. Não havia mais nada ali, não havia mais forma, apenas restos, misturados; o que era casa, o que era areia, o que era mulher? Não sabia dizer. Encostou a ponta dos dedos, sentindo a superfície ainda quente, as unhas enegrecendo com a sujeira. 

Adeus.

Quando os bombeiros, a polícia, e todo o circo de vizinhos e autoridades se formou em torno da casa destruída, encontraram o homem sentado, sereno, sobre uma cadeira sobrevivente, no que um dia fora uma varanda. 

Sentiu mãos em torno do seu corpo, rosto, paramédicos agasalhando-o com um lençol térmico, máscara de oxigênio, luzes e sirenes. Perguntas, tantas perguntas.

Caminhou com os bombeiros para uma ambulância estacionada na grama e sentou-se numa maca. Luzes nos seus olhos, dedos em suas pálpebras, pulso, pescoço. Toques, olhares, perguntas, perguntas, tantas perguntas.

"O que você está sentindo?", o paramédico perguntou, ainda examinando o seu corpo. 
"Alívio".

Ficou em silêncio.

Então viu o carro, cortando o horizonte em velocidade, a mulher deixando o veículo as pressas, a porta aberta, o motor ligado. Ela correu para a ambulância, onde o encontrou deitado, levemente entorpecido. Abraçaram-se.

Um pranto silencioso, um beijo delicado.

"Obrigado por ter vindo", ele conseguiu sussurrar. "Obrigado".

Era hora de construir sobre os escombros da casa de areia.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

GIFS DA DEPRESSÃO

Todo mundo no trabalho não pára de falar na derrota do Brasil para a Alemanha...

segunda-feira, 7 de julho de 2014

O MUNDO PRECISA SER GRATO POR KRISTEN WIIG


Kristen Wiig é, na minha opinião, uma das melhores coisas que aconteceram ao cinema (e à comédia) nos últimos tempos. E eu nem me refiro às insanidades que ela faz no SNL. Eu já havia rachado de rir com ela no (surpreendente) "Bridesmaids", mas esse "Girl most likely" é simplesmente demais para mim. Não aguento as caras, as situações, os diálogos. É bom demais para ser verdade. Ri do começo ao fim. Simplesmente hi-lá-ri-o.

PARA VER E OUVIR: AZURE RAY ("SLEEP")

sábado, 5 de julho de 2014

PARA VER E OUVIR: PHOENIX ("LOVE FOR GRANTED")

quinta-feira, 3 de julho de 2014

CAMISAS DOS AMANTES


"Lovers Shirts" é um interessante ensaio/projeto fotográfico da Carla Richmond Coffing e Hanne Steen sobre a "triste beleza das separações". Quando o amor se vai e tudo se acaba mas, por alguma razão, resta algo como uma camiseta velha e surrada. E a razão pela qual essa camisa simplesmente, 'fica'.

terça-feira, 1 de julho de 2014

"TODAS AS NOITES EU ARRANQUEI O MEU CORAÇÃO...

"...para perceber que ele voltou a crescer na manhã seguinte". Eu sempre defendi que os bons filmes (pelo menos alguns) são como vinhos. Rever "O Paciente Inglês", recentemente, me deu mais uma prova para esta teoria. Está aí um filme que beira - sem esforço - a perfeição. É  beleza demais, poesia demais, em torno da dor e do sofrimento de um homem que, nem nos últimos suspiros de vida, consegue esquecer a mulher da sua vida. Ralph Fiennes dá um show como o misterioso conde Almássy e é cercado por um elenco estelar, com destaque para Kristin Scott Thomas e Juliette Binoche. Sem contar a direção brilhante de Anthony Minghella, a fotografia belíssima, a trilha sonora, diálogos comoventes que só quem amou intensamente poderá entender, o figurino que parece retirado de um catálogo da Richard's. Lembro de ter me apaixonado perdidamente por esse filme, milhões de anos atrás; me espanta como a paixão é igualmente arrebatadora hoje em dia. Belo além da beleza, perfeito além da perfeição.