segunda-feira, 25 de maio de 2009

AMOR E ACEITAÇÃO

Duas frases definem o filme "C.R.A.Z.Y", de Jean-Marc Vallée: uma história sobre o amor de um pai por seus filhos e o amor de um garoto pelo seu pai. Uma delicada jornada, que começa nos anos 60, e percorre trilhas que tratam do autodescobrimento, da aceitação e a relação de pessoas com a sua época. Tudo muito bem feito, com excelente direção e trilha sonora, fazendo com que seja este um filme imediatamente arrebatador, impossível de não se apaixonar. É um retrato de um tempo, de uma família, do amadurecimento, repleto de questões e situações com as quais é muito fácil se identificar. Sem dúvidas, um filme que fica.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

UM FILME OBRIGATÓRIO

"Fatal" (Elegy) é um filme único. Completamente obrigatório. Há muito tempo não via uma história tão silenciosa e tão eloquente. É uma obra de arte, de uma beleza que chega a doer. Comovente, honesto, narra sem pudores as crônicas da fragilidade humana: as inseguranças das relações afetivas, a paixão carnal, o envelhecimento, a perda da beleza, a doença, a morte, a separação. Estrelam o - sempre maravilhoso - Ben Kingsley e Penelope Cruz, que está surpreendente. Na trama, um velho professor universitário (Kingsley) "ainda preso à comédia humana das tentações carnais" se apaixona perdidamente por uma aluna cubana-americana (Cruz). Apesar da idéia comum, esse relacionamento é o tecido no qual se costuram as mais belas reflexões sobre a jornada humana pela vida. Esse filme não merece, nem precisa de resenha. Ele merece, ele precisa, isso sim, ser visto e sentido. Como quem se senta, à beira do mar, um dia inteiro, apenas para contemplar a sinfonia de sons, de luzes e imagens, observando a água que vem forte e volta, deixando espuma sobre a areia.

terça-feira, 19 de maio de 2009

PARA VER E OUVIR: JOHN MAYER ("WHEEL")

NO PEQUENO GRANDE PLANETA

Por enquanto, tudo vai bem no pequeno planeta.


E no Pequeno Grande Planeta, também.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

UM ANJO EM MINHA VIDA

Você me disse que quase não tem vindo por aqui. Receio de ficar triste, você justifica. Não te julgo; acho que você tem razão. São as crônicas dos últimos dias que, em verdade, foram uma montanha-russa de euforia e melancolia. Mas eu ainda te escrevo aqui minhas mensagens em garrafas, que podem aportar em sua praia, num dia qualquer que você decida me fazer uma visita. Você surgiu como um anjo em minha vida e ainda o é, mesmo com todas as tempestades que enfrentamos no caminho. Você me dá provas disso, quase diariamente, quando me faz enxergar o vento que você sopra em minhas velas, que me levam adiante, para terras de novas conquistas e descobertas. O vento que faz com que eu "não precise de asas comuns, porque o próprio céu me leva até você". O porto de saída e o caminho de volta. A melhor risada, a melhor conversa, a noite mais bem dormida, a bebida mais doce, a comida mais saborosa, o corpo mais quente, a boca mais suave, as aventuras inesquecíveis. A você sou eternamente grato por tudo, por cada nova página do melhor capítulo da minha história. O capítulo mais inspirado, mais emocionante da minha biografia. Você, o anjo de minha vida.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

PARA VER E OUVIR: JUDY GARLAND NO "MÁGICO DE OZ" ("SOMEWHERE OVER THE RAINBOW")

MUDANÇA

Bem disse Heráclito, certa vez: "tudo flui e nada permanece. Tudo se afasta e nada fica parado. Não consegues banhar-te duas vezes no mesmo rio, pois outras águas e ainda outras sempre vão fluindo. É na mudança que as coisas acham repouso".
*
Mais uma mudança no histórico. Mais coisas legais para lembrar. Mais vida vivida. É o que importa. São esses os detalhes no tecido. O resto é pano.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

POR FALAR EM SOFIA COPPOLA...

Sofia Coppola começa a rodar seu novo filme, agora, em junho. A princípio, o título será "Somewhere". Como em “Lost in Translation” (Encontros e Desencontros), a história também será ambientada num hotel, o Chateu Marmont, em Los Angeles. O lugar é famoso por abrigar celebridades problemáticas, como Britney Spears e Jim Morrison, e também será refúgio do personagem principal do filme, um ator que leva uma vida de excessos, perdido e sem rumo, até que é visitado por sua filha, de 11 anos. Como protagonistas, Stephen Dorff no papel principal (ele fez “Blade”) e Elle Fanning (do "Curioso caso de Benjamin Button"). Segundo a Variety, o filme trará uma história "intimista, numa Los Angeles contemporânea". Como aconteceu à "Lost in Translation", a Focus Features será a produtora. Previsto para 2010. Enfim, um grão de notícia sobre um novo filme de Sofia Coppola. Já era tempo.

PAI E FILHA


Linda foto, de uma campanha da Louis Vitton. Francis Ford e Sofia Coppola, pai e filha, em momento idílico nos arredores de Buenos Aires.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A BELA ACORDADA

Existe um filme ótimo, mas que poucas pessoas conhecem: "Alma de poeta, olhos de Sinatra" (Dreams for an insomniac). É uma história deliciosa, passada em São Francisco, onde conhecemos Frankie (Ione Skye), uma espécie de "Bela Adormecida às avessas". Ao invés de esperar dormindo pelo príncipe encantado, Frankie, que é insone desde os 6 anos de idade, aguarda - de forma irredutível - pelo seu salvador, que precisa ter olhos azuis como os de Frank Sinatra. E ela acredita ter encontrado, nos olhos azuis de David Shrader (Mackenzie Astin), um escritor com bloqueio criativo recém-chegado na cidade. O encontro rende uma missão especial: Frankie ajudará David com seu bloqueio criativo, tornando-se sua musa, levando-o a cantos misteriosos e encantadores da cidade; David, em contrapartida, tentará fazer Frankie dormir. Os dois então se descobrem como almas gêmeas culturais, tendo em comum dezenas de artistas, escritores e citações famosas. Mas, como na vida real, nem tudo é perfeito no conto de fadas de Frankie, a Bela Acordada. E é sobre isso o filme, a jornada da princesa sem sono em busca de ser feliz para sempre. Por fim, uma história de amor original, agradável, confortável, que não se arrisca em nenhum momento mas que cumpre seu papel em entreter. Fotografia bonita, Um desconhecido, porém muito especial, filme que fica.

terça-feira, 12 de maio de 2009

PARA VER E OUVIR: THE BEACH BOYS - "GOD ONLY KNOWS" (AMSTERDÃ/1969)

segunda-feira, 11 de maio de 2009

PARA VER E OUVIR: PARALAMAS DO SUCESSO - "AONDE QUER QUE EU VÁ"

UM FILME (INJUSTAMENTE) SUBESTIMADO

Entre tantos filmes injustamente subestimados, acho que "Simplesmente Amor" (Love actually) se destaca. Por alguma razão esse filme - tão especial - não recebe o devido respeito e carinho das pessoas. Não consigo entender o motivo. Apesar de furos (mínimos) aqui e ali ou um punhado de segundos desnecessários, "Simplesmente Amor" é uma jornada honesta, humana, pela vida de uma série de personagens convicentes, com os quais é absolutamente possível se identificar: o garotinho apaixonado, os amigos, o casamento em problemas, a paixão platônica, o amor que vence barreiras sociais, raciais, culturais e de idioma. Esse é, essencialmente, um filme sobre o amor, sem rodeios, sem exageiros e com os melhores clichês do mundo. É um filme que faz bem, que conforta e que aquece, quando pensamos que a vida está ficando cinza demais. As múltiplas histórias contadas se entrecruzam sem dificuldade, sem nada ser atropelado ou esquecido. Descobrimos pessoas comuns, que se apaixonam e se decepcionam, porque esse é o tecido do qual se costura a vida. As cenas finais, com os encontros no Aeroporto de Heatrow ao som de "God only knows" dos Beach Boys são de uma simplicidade sublime, mas que me emocionam quantas vezes eu assistir.


THE PS3 DREAMLIST 1


Little Big Planet

Resident Evil 5

Civilization Revolution

Sonic Ultimate Collection

Prince of Persia

Assassins Creed
Street Fighter IV


Metal Gear Solid 4

sexta-feira, 8 de maio de 2009

PARA VER E OUVIR: JOHN MAYER - "BACK TO YOU"


"I try to forget you. I try to stay away. But it´s too late. Over you. I´m never over you. There´s something about you. It´s just the way you move. The way you move me".
*
Dolorosamente verdadeiro.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

TIJOLOS AMARELOS

Sentirei falta das nossas jornadas espontâneas. Das aventuras consumistas, presentes esquisitos, almoço caseiro e adoções não planejadas. A idéia de começarmos e atravessarmos um dia inteirinho, sem ter a menor noção de como ele vai terminar; rindo de bobagens, fazendo graça de histórias sem nexo e brincando de pegar na mão.

sábado, 2 de maio de 2009

"LET'S NEVER COME HERE AGAIN...

...because it would never be as much fun". Eu me espanto sobre o tempo que demorei para escrever a respeito de "Lost in Translation" (Encontros e Desencontros) que é, simplesmente, o filme mais importante e decisivo da minha vida. O filme que me apontou quem eu sou e essencialmente me fez entender que eu não estava tão só quanto eu sempre havia julgado estar.
*
No entanto, ao ver centenas de vezes aquelas luzes multicoloridas de Tóquio, os silêncios nas janelas, as músicas que ecoam preguiçosas como sonho, compreendo o porquê de eu não conseguir falar sobre o filme. É que "Lost in Translation" não se explica, se sente. E esse é talvez o maior mérito da obra-prima de Sofia Coppola. De qualquer forma, vou lutar contra essa premissa e colocar algumas idéias aqui, cinco anos depois de eu ter ficado muitos minutos parado, completamente emudecido ao ver os créditos finais que surgiam ao som de "Just like honey", hino-indie do Jesus and Mary Chain. Não que eu seja, esteja ou me sinta “perdido na tradução” (o que não seria mentira, na verdade), mas eu sempre me senti de alguma forma perdido na multidão e esse filme me explicou uma dezena pensamentos que até então eu não conseguia organizar direito.
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Já vi muitas vezes esse doce poema urbano, de silêncios eloqüentes, nostalgia e saudade. E ainda não sei em que medida e profundidade o mágico encontro-e-desencontro de Charlotte e Bob me toca. Sei que me toca, apenas. E choro e sinto falta e saudade deles todas as vezes que os vejo ir embora e sei que será assim para sempre; o abraço que eu mesmo gostaria de ganhar de Bob Harris e todos os beijos e carinhos que gostaria de dar à Charlotte, ao sentar do seu lado para olharmos janelas juntos. Foi difícil me conformar com esta paixão platônica e distante, eternamente presa dentro de um filme, abissalmente alheia ao meu toque.

I´m stuck. Does it get any easier?

Há algo onírico e docemente-nublado em “Lost in Translation”. Cada olhar, cada gesto, cada palavra, cena e música. Essa é a história de duas almas gêmeas que tiveram a infelicidade de se encontrar tarde demais. Ainda assim, o comovente abraço de despedida representa que, mesmo que nunca mais voltem a se ver, terão para sempre transformado a vida um do outro. "Não vamos voltar aqui nunca mais; não será tão divertido".
*
É tudo muito “lost” em "Encontros de Desencontros". Isso define tudo. Ser “lost”; estar, ficar “lost”; coisas “lost”; filmes, músicas, momentos e pessoas “lost”. Encontrei nesta simples palavra uma definição lacônica que guarda em si mesma uma miríade de múltiplos significados, que resumem tudo, sem contradição e sem explicação. Basta apontar: “isso é lost”. E está assim tudo entendido: sentir além do óbvio, refletir, questionar, buscar profundidade de compreensão das coisas, não se contentar com pouco, colecionar cada pedacinho da vida como uma relíquia sem comparação, contemplar janelas e se perder em estações de trem e aeroportos. Descobri que sou “lost” e, de certa forma, foi assim que me encontrei.
*
“Encontros e Desencontros” me conduz a algo puro e profundo. Algo que conforta, de que ainda é possível acreditar nas pessoas, que o mundo não é tão caótico e que não estamos tão sós quanto pensamos estar. Não quero falar em amor, apenas, e na nossa busca constante por ele. Não, este não é um filme de amor. É uma “história de meio”, apenas, sem começo nem final. Um fragmento de vida, uma linda e inesquecível passagem na história de duas pessoas perdidas que se encontram uma na outra.

Are you awake?

Charlotte está “estagnada”, Bob “incrédulo”. E os dois se contaminam do que mais precisavam naquele momento de suas vidas: ela, de que “tudo eventualmente vai dar certo” e ele, de que “ainda há tempo para se fazer algo de construtivo em sua vida”. O Japão, o idioma impronunciável, incompreensível, é nada mais que uma elegante moldura. Suave, discretíssima, leve, quase agridoce. Bob e Charlotte poderiam ter se conhecido em um campo de batalha e tudo teria sido igual. Afinal, essa história é apenas sobre eles.

Esse filme me atinge como um raio, porque sou um contemplador de janelas e filósofo não graduado pelo silêncio da vida. Melancolicamente feliz, sempre, a cada novo dia. Amante, apaixonado das pequenas coisas, ainda que eu busque sofisticar meu olhar diariamente. Sarcástico, irônico e quase venenoso em alguns pensamentos e palavras, ainda que carregue uma enorme carga de bondade na alma. Sou assíduo e devoto freqüentador das reuniões que faço comigo mesmo. Como Charlotte, descobri na marra, a capacidade de entreter a mim mesmo, olhando as luzes da cidade, sentado na janela sem sono do meu quarto, buscando novas companhias, encontrando em cada viagem - mesmo imaginária - uma fenda no tempo, mágica nem que para mim, apenas. Sou crente na capacidade mítica e de eternização das fotografias, que guardo e coleciono como tesouros secretos.

Assim, escolho definir a mim mesmo como alguém simplesmente (ou complicadamente?) “perdido na tradução”. Falo isso como cronista e crítico de minhas andanças, de meus encontros e desencontros, das minhas espiadas pela janela do meu quarto, das minhas pequenas paixões e grandes frustrações, dos meus sonhos e devaneios distantes, da minha humilde percepção da vida, do amor, da melancolia e da saudade.

I just don’t know what I’m supposed to be.

Como em Bob e Charlotte, há algo de insone em mim. Por isso acordo cedo, para ver as primeiras luzes do dia, sentir cheiro de café e encontrar-me comigo mesmo. Logo no começo dos dias, minha cabeça ferve de pensamentos. Lembro de Tchaikovsky, que andava com uma mão sob a cabeça, “para que ela não caísse”, tamanha era a quantidade de pensamentos que tinha.

São nesses momentos especiais que vou me convencendo de que me preocupo em demasia e que a vida não é tão complicada assim. E esqueço dos medos e dos dogmas. E de que existe algo que se chama de “sucesso” e algo que se chama de “fracasso”. Aceito que existir pode ser “como mel” e vou me dando conta de que “sim, eu estou bem”.

Já não sinto tanto medo de me prender, e até tento não planejar tanto. Sei que pode ser difícil, mas me esforço em ser e deixar ser, amar e viver com aceitação; permitir-me os sonhos e alegrias possíveis; viver o dia, um após o outro, com construção diária de idéias. É o que faz a vida ter algum significado. Esse, para mim, é o caminho da felicidade. E sinto que ando mais próximo dele.

You’ll figure that out. The more you know who you are, and what you want, the less you let things upset you.

É isso que quero dizer; o porquê deste filme, desta história, ser tão importante para mim. Ela me traz de volta a mim mesmo, quando percebo que estou me distanciando do que já conquistei e começando a sucumbir aos medos mais tradicionais da nossa solitária (mas nem tanto) existência. Sou e acho que sempre serei “perdido na tradução”, mas sou feliz assim. Porque me descobri assim e percebi que posso encontrar minha felicidade assim.

No meu “táxi para o aeroporto” me proponho exatamente essa reflexão: que quero ser feliz, apenas, e que isso é possível, está ao alcance dos dedos, como meus biscoitos de infância. Olho pela janela do carro e compreendo que a alegria da vida está em nós, dentro de nós, e nos encontros (e desencontros) que acabamos por experimentar e que são todos eles imensamente importantes. Sempre fui um amante de encontros improváveis e as belas histórias que nascem deles. Isso é recorrente em mim e talvez por isso me enxergue tanto em Bob, quanto em Charlotte.

Não, eu não tenho medo de abraçar um estranho. Há algo em mim, extremamente proustiano, de quem não sabe dizer adeus a nada nem a ninguém. E é nesse aspecto que me comovo tanto com o “abraço final”, o abraço do “não se preocupe tanto com o amanhã” do fim do filme. Porque sei, aprendi no choro, que algumas coisas na vida, eventos, pessoas, momentos, passam mesmo e não voltam nunca mais. Apreciar cada segundo de tudo, portanto, é o segredo não para evitar a melancolia (ela é inevitável), mas para cultivá-la como algo importante à alma. A necessária solidão. A necessária tristeza.

É o que me dá coragem, apenas posso dizer. Não sou soldado - longe disso - e nem sei se gostaria de ser. Somente me faço crer que cada novo dia será diferente e melhor, por mais nublado e esquisito que esteja. Não sou um otimista cego, e procuro não ser um pessimista profissional. Tenho fé nas coisas e nas pessoas.

Com algum esforço, consigo voltar a enxergar o mundo com meus “olhos de 6 anos de idade”, quando me vestia de Super-Homem, sob o imperdoável sol de 36 graus da minha cidade. É porque, no fim, ainda que viva momentos de melancolia, também sou bobo, apaixonado e entusiasta das pequenas coisas, como criança. E caço em todos os olhos e todos os abraços, o meu novo encontro-e-desencontro, que simplesmente me permita acreditar que tudo vai dar certo.