quarta-feira, 25 de maio de 2011

PARA VER E OUVIR: AIMEE MANN ("GUYS LIKE ME")


Apesar de não ter o "ver", vale e muito pelo "ouvir". Linda música de grandes implicações autobiográficas.

ATROPELAMENTO

Este final de semana fui atropelado, sem nenhuma sombra de compaixão, por "Old Boy", poderoso(íssimo) filme do sul coreano Chan-wook Park e estrelado por Min-sik Choi no papel do atormentado Oh Dae-Su. A história, aos meus olhos, é uma combinação de "V de Vingança" com "Réquiem para um sonho", só que mais visceral, mais orgânico, mais dolorido, mais... grego. É basicamente isso. "Old Boy" é uma Tragédia grega (com "T" maiúsculo mesmo), só que ambientada na Coréia do Sul. Com uma edição moderna (quase pop) e uma fabulosa direção e direção de arte, acompanhamos o trágico destino de Oh Dae-Su que, um belo dia, é sequestrado enquanto falava com sua filha ao telefone. Subitamente, ele acorda num cativeiro, onde é mantido preso (quase domesticado) por nada menos que 15 anos. O desejo de vingança começa a corroê-lo. "Quem eu ofendi?". "Quem poderia me querer tão mal". E entre os questionamentos e dúvidas, a certeza crescente de que ele fugirá daquela prisão para encontrar seus inimigos e fazê-los em pedaços e comer um a um. E isso é o que o motiva, diariamente, enquanto vê os anos passarem como num relógio confuso. Ao sair, consegue o apoio de uma sushi-girl chamada Mido, que o auxilia em rastrear seu captor. E ele o encontra, enfim, para descobrir a verdadeira punição e o real valor de uma vingança. É quando tudo, como ponteiros de um relógio, gira em direções variadas. 360 graus. E tomamos conhecimento do triste destino de Oh Dae-Su. Não haveria vítimas nem vilões, afinal? Quem são os reais prisioneiros e captores? Poético, arrasador, visceral. Um atropelamento em forma de filme. E absolutamente imperdível.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

PARA VER E OUVIR: A BANDA MAIS BONITA DA CIDADE ("ORAÇÃO")


Esquenta-coração instantâneo.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

AMOR PLATÔNICO

Kirsten Dunst, o mais belo par de olhos tristes do cinema. Virgem, suicida, vampira, princesa. Kirsten Dunst é a personificação da doce melancolia. Única e muitas, meio séria, meio desvairada, como uma criança capaz de pregar peças, aprisionada no corpo de uma mulher. Ou uma senhora, de alma muito antiga, aprisionada no corpo de uma mulher misteriosa. Magra, sinuosa, elegante, flutuante, meio gato. É difícil ignorar Kirsten Dunst. Ela rouba o olhar, como uma fotografia imaginária de Claire Colburn. Ela é meio drama, meio mágica, meio música, meio choro, meio riso sem graça. Meio gueixa ocidental. Vários papéis seus me marcaram profundamente e alimentaram mais esta paixão platônica.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

A MÁGICA POLAROID DE TARKOVSKI

O olhar mágico de Tarkovski através de sua polaroid.



UM FILME FLUTUANTE, VOADOR

Revi, recentemente, um filme como se fosse a primeira vez. Trata-se de "O Clã das Adagas Voadoras" (House of flying daggers), lindo e arrebatador filme do mestre Zhang Yimou, estrelado pela sempre eficientíssima Zhang Ziyi e o surpreendente Takeshi Kaneshiro. A trama é simples: assassinato e um punhado de surpresas cercam uma paixão fulminante que surge no calor da batalha. Jin (Kaneshiro) é um policial incumbido de escoltar Mei (Ziyi), uma assassina do famoso clã das Adagas Voadoras. Sua missão é descobrir o esconderijo do grupo e, enfim, subjugá-lo. No caminho, porém, nenhum dos dois antecipou o que poderia acontecer: eles se apaixonam perdidamente um pelo outro. E, assim, passamos a acompanhar os desdobramentos desta linda história de amor, cercada de perigos, lutas sangrentas e algumas surpresas e traições no caminho. Um filme mágico, delicado (íssimo), atemporal, flutuante. Uma fotografia completamente onírica, como se estívessemos sob o efeito de algum encanto. Imperdível e obrigatório para fãs de filmes como "Herói" e "O Tigre e o Dragão".

domingo, 8 de maio de 2011

AMOR PLATÔNICO

Zhang Ziyi. A minha primeira-dama de musas orientais. Guerreira, dançarina, fantasma. Zhang Ziyi não anda, flutua. Ela é de outro tempo. Melhor, ela é atemporal. Com seus traços delicados, tem um destes rostos que parecem desenhados, como um ideograma vermelho, perfeito, sobre um pavilhão de seda. Ela é meio vento, meio água, meio pássaro. Meio vidro, meio poeira, meio sombra. Como se pudesse ser levada embora por uma brisa mais forte, ou se romper em milhões de pedaços, como cristal. Ao mesmo tempo, comunica poder, vigor e grandeza, com movimentos contidos, precisos de assassina letal. E assim, Zhang Ziyi também é fogo, rocha, dragão. Uma paixão platônica do outro lado do mundo, do outro lado de uma grande muralha, de onde contemplo-a com grande distância e admiração. Como se a observasse da lua.

terça-feira, 3 de maio de 2011

LOS ANGELES, CIDADE PERMITIDA

Aguardando ansiosamente pelo lançamento do novo blockbuster da Rockstar: "LA NOIRE". A partir de 17 de maio, Los Angeles será minha cidade permitida.

ILUSTRANDO

Erich Heckel - Paisagem próxima a Dresden

segunda-feira, 2 de maio de 2011

FILMES QUE COMBINAM

Gattaca ("Gattaca", Andrew Niccol - 1997): Num futuro não muito distante, o mundo volta a ter ares dos anos 50 e os pais podem escolher cada detalhe genético dos seus filhos, antes de eles nascerem, evitando todo o tipo de imperfeição e criando, assim, seres humanos perfeitos. As crianças, concebidas naturalmente, são estigmatizadas como "filhos de Deus" ou "de-gene-rados" e perdem toda e qualquer chance de ascensão social. Ethan Hawke vive Vincent, um menino concebido de forma natural e que sonha em ser um piloto numa missão a Saturno. Mas sua miopia e problemas cardíacos o condenam como um "inválido". Para perseguir o seu sonho de infância, ele contrata os serviços de um comerciante do submundo que consegue falsas identidades genéticas que abrem as portas para a carreira espacial. Desde que ele seja responsável por hábitos espartanos de higiene e se mantenha à sombra, nada o impedirá de viajar. Mas um assassinato repentino põe tudo à perder quando um simples cílio o coloca imediatamente como suspeito. Gattaca é um filme sobre a luta desesperada contra a pré-determinação da vida. Ser obrigado a aceitar um destino imutável. Um filme sobre a dor de existir, sobre a imperfeição e o drama de enfrentar um sistema que decide, no berço, o futuro de uma criança.

Não me abandone jamais ("Never let me go", Mark Romanek - 2010): Se filmes pudessem ter almas gêmeas, Gattaca e Never let me go seriam um exemplo perfeito. Baseada em livro homônimo de Kazuo Ishiguro, a história narra a trajetória desesperada de 3 jovens que descobrem, muito cedo, um destino cruel: são clones e vivem para o único objetivo de gerarem órgãos saudáveis para os seus "originais". Seres humanos com prazo de validade, eles aguardam a concretização de suas missões, aceitando tristemente suas condições de existências inferiores. Um filme que grita e que chora; e que nos leva consigo durante cada segundo de sua projeção. Uma linda, comovente e aterrorizante história sobre a impossibilidade de se vencer o destino, o tempo e a vida - que passa para todos. Sem exceção.

Dois filmes que combinam.