domingo, 20 de abril de 2008

DOCE MANIFESTO DA TOLERÂNCIA


Descobri um universo, profundo, sensível e delicado, por detrás da cortina colorida que cobre o - aparentemente inofensivo - filme "A pequena Miss Sunshine" (Little Miss Sunshine), cultuado filme indie que, recentemente, deu seu lugar ao sol ao também maravilhoso "Juno". Enfim. Há nesta pequena grande história um filme para cada um de nós. Para aqueles que buscam duas horas de entretenimento fácil e acesível, de um punhado de risadas óbvias e momentos especiais, o filme os tem em sobra. Para aqueles que desejarem colocar a história sob um microscópio irão se surpreender com a quantidade de temas ali discutidos com graça, leveza e absoluta sutileza. Trata-se de uma jornada em busca de ilusões, onde uma pequena brigada de Don Quixotes numa kombi branca e amarela partem, na caçada aos moinhos de vento. Um pai mal sucedido persegue o sucesso de um programa de motivação, um adolescente problemático e sua determinação nietzschiana em entrar na academia da aeronáutica (para isso se valendo de um voto de silêncio), um avô que se agarra aos últimos sopros de vida, uma mulher tentando achar "normalidade" (e o que é isso mesmo?!) para sua família em frangalhos, um tio homossexual com coração partido na sua tentativa sem sucesso de ser o tradutor da alma de Proust para o ocidente e, por fim, a pequena garotinha que deseja ser miss, mesmo estando fora dos "padrões" (novamente, o que é isso mesmo?). Por trás da deliciosa jornada familiar, na kombi caindo aos pedaços, há uma discussão da pura e sofrida humanidade: gordura, magreza, sucesso, riqueza, fracasso, velhice, adolescência, homossexualidade, beleza. E o que o filme nos mostra é um caminho de contorno a essa via que parecemos trafegar por obrigatoriedade. PARA O INFERNO COM AS CONVENCIONALIDADES! É o que nos diz o PODEROSO "Pequena Miss Sunshine". Por que não precisamos ser, ter, fazer, parecer NADA. Precisamos ser e viver como assim desejarmos, sem dever nada a ninguém, nenhuma satisfação que não seja a nossa própria felicidade. "Pequena Miss Sunshine" é simplesmente um doce manifesto em nome da tolerância e mais do que bem vindo num mundo (e numa indústria) de culto à superficialidade, à beleza fabricada, à ausência dos valores. É um filme sobre o amor da família, a cumplicidade inquestionável que nos torna quem somos. O amor de pessoas que estarão ao nosso lado até o fim, nem que isso signifique nos ajudar a perseguir nossos sonhos mais tolos. E que importa se nossos sonhos são tolos? Eles são NOSSOS e ninguém tem o direito de tirá-los de nós. Eis o que nos apresenta este filme tão especial: uma opção. Uma nova possibilidade, uma esperança que a felicidade é possível. E que está ao nosso alcance. E que tudo, tudo, estará bem.

UM PEQUENO GRANDE LIVRO

Comecei a ler, recentemente, um destes "pequenos grandes livros" que, vez ou outra, parece "cair das nuvens" (trocadilho absolutamente intencional). Trata-se do "Guia do Observador das Nuvens", de Gavin Pretor-Pinney. O autor, defensor do ócio criativo e fundador da Sociedade de Observadores de Nuvens (The Cloud Appreciation Society), apresenta-nos um guia sobre as nuvens (e sua surpreendente quantidade de classificações), num texto deliciosamente escrito, recheado de referências históricas, culturais e religiosas sobre estas que há séculos encantam os céus e povoam o nosso imaginário: as nuvens. É basicamente isso, um livro sobre diminuirmos um pouco o ritimo frenético da vida e olhar para o céu, brincando de imaginar, como tão bem fazíamos quando crianças. É um livro para entendermos a magia da vida, da natureza, sem nenhuma destas chatices de livro de auto-ajuda (aliás este livro passa a quilômetros de distância de ser mais um destes). É um encanto descobrir (e aprender) não apenas sobre o sistema que leva as nuvens ao céu, mas a maneira como elas se relacionam, evoluem, produzem chuva e tempestades, e depois se vão. É um pequenino livro, despretensioso ao extremo, poético e que transborda personalidade. Com a leitura do "Guia do Observador das Nuvens", olhar para o alto nunca mais será um ato banal. Será uma contemplação curiosa, sobre a festa misteriosa que se dá, todos os dias, sobre nós. Com o tempo, acho que vale dizer também: "não saia de casa sem ele". Afinal, como saberemos interpretar o idioma das nuvens nas suas conversas diárias e silenciosas (às vezes nem tanto) sobre nossas cabeças? Pois. Este é um DICIONÁRIO para a linguagem misteriosa das nuvens. E portanto, um livro especial que merece ser. . . apreciado.

LINDA, MÁGICA, TRISTE BAHIA


A Bahia continua linda, misteriosa, quando olhada do alto, por cima das nuvens, com suas águas de azul multicolorido, derramadas sobre a Bahia de Todos os Santos. O porto cheio de história, magia, misticismo, aromas, sabores, odores. Cheiro de mar, de peixe, de madeira de barco, de ruas e paredes velhas, de uma cidade de São Salvador tão antiga quanto o próprio país: negra, portuguesa, quase medieval, com suas ruelas escondidas, catacumbas escuras e tesouros enterrados. Eis a Bahia linda, encantada, sedutora, como uma sereia que quer se deixar seduzir enquanto nos afoga sem piedade. Eis a Bahia da saudade, do calor humano, um Estado de Espírito que, amando ou odiando, é impossível ficar indiferente. A Bahia das baianas, com suas saias rodadas e contas coloridas, do candomblé, das igrejas, da comida exótica, dos capoeiristas e da paixão, da música de Dorival Caymi e as palavras de Jorge Amado. Não dá para dizer que a Bahia é um Estado como qualquer outro por que alguma coisa ali, não sei o quê ao certo, grita que a Bahia é única, com seus defeitos e seus encantos, ela é única. Por que a Bahia é linda e nos chama de volta, mesmo seus filhos mais ingratos. Mas também é triste, com a decadência de suas ruas e a malícia que impreguina sua geografia costeira. É uma pena. Linda Bahia, mágica Bahia. Merecia tanto mais.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

ALGO QUE PASSA, ALGO QUE FICA


na vida, na convivência, no relacionamento com lugares, coisas e pessoas, um clichê inevitável. Concordando com Saint-Exupéry, reflito que cada pessoa que passa por nossas vidas e vai embora leva um pouco de nós enquanto deixa algo de si. Afinal, uma verdade também inevitável. As mudanças, transformações, revelações e revoluções na minha vida são uma prova disso. As surpresas satisfatórias que tive num caminho de incertezas e descobertas. Repetições incessantes para eu (tentar) aceitar que não estamos parados, que caminhamos para frente. Viver, aprender, crescer. E nessa aventura diária a vida muda, como o tempo, como a água. E continua mudando. Avançar é nos despedir, enquanto damos boas vindas (meio amedrontadas) ao novo. Por que são inúmeros os caminhos, passos e cruzamentos para que deixemos algo para trás e na coleção de novos quilômetros possamos nos descobrir em novos momentos, com novas pessoas, em novos lugares. É a caminhada sem fim. Marco Aurélio, um dos mais justos imperadores de Roma, costumava dizer:

"Mantenha-se simples, bom, puro, sério, livre de afetação, amigo da justiça, temente aos deuses, gentil, apaixonado e vigoroso em todas as suas atitudes. Lute para viver como a filosofia gostaria que vivesse. Reverencie os deuses e ajude os homens. A vida é curta".
Isso de alguma forma resume tudo o que eu sempre busquei na minha vida e que continua a iluminar por ande ando, levando muito de cada um que encontro e deixando parte de mim, também, ao longo do caminho. Mudança é evolução, despedida e saudade. Mas assim são as coisas, no doce e imbatível fatalismo que nos obriga a andar para frente, no vento da maré, da novidade, que nos leva adiante, sem parar. E a estrada é longa, as paradas são muitas. Mas valerá a pena, sempre.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

"O MUNDO DE SOFIA"

Sofia Coppola, a musa multitalentosa da comunidade "perdida na tradução" (eu, incluso, certamente), estrela nova campanha de roupas e perfumes da grife Marc Jacobs. O ensaio é, naturalmente, discreto, silencioso, ao melhor estilo "lost in translation". Segundo o próprio Marc Jacobs, "Sofia é perfeita para a campanha, apesar de não ser a garota típica dos anúncios de moda". Ao mesmo tempo, ela representa tudo que se pode achar no "espírito Marc Jacobs" (nas suas próprias palavras): o amor pelo rock, o bom gosto, a alma artista, e a determinação em ditar ela mesma o que quer fazer. Jacobs não se contém ao elogiar sua musa (e amiga): "ela é jovem, doce e linda". São belas e únicas fotos, que retratam com delicadeza o "Mundo de Sofia", aquele que todos nós nos esforçamos em fazer parte, na tentativa de criar, retratar e defender o nosso próprio. Um agridoce mundo de devaneios urbanos.



"Free to go, I know . . . city girl, you´re beautiful. . ."

quinta-feira, 10 de abril de 2008

BENDER E A SALVAÇÃO (?) DO UNIVERSO


O primeiro longa metragem da animação cult (e cultuada) FUTURAMA, "O Grande Golpe de Bender" (Bender´s Big Score) é um primor. Após ingratos anos de pós-cancelamento prematuro, Matt Groening (o criador de "Os Simpsons") devolve no seu filme tudo o que mais apreciamos(ávamos) no seriado animado futurista e se mantém afiado como nunca: as excentricidades do ano 3000, o professor Farnsworth cada vez mais senil, a equipe tresloucada da Planet Express, os destinos insólitos, as histórias absurdas, enfim, um banquete de maluquices comandado por um dos personagens mais icônicos (e inesquecíveis) dos desenhos nos últimos anos: ninguém menos, naturalmente, que o robô alcóolatra e batedor de carteiras, Bender B. Rodriguez. Neste filme, que conta a história de alienígenas nudistas que querem comprar a terra (e o conseguem através de uso de e-mails com spam - sim, é EXATAMENTE isso), Bender vai cruzar a história da humanidade, navegando através de uma fenda no tempo, e literalmente saqueando todos os tesouros dos séculos. Com muito pouco esforço. O filme é uma seqüência ininterrupta de risos e diálogos maravilhosos no melhor estilo FUTURAMA. TUDO o que os fãs mais adoravam foi trazido de presente no primeiro (de quatro) filmes como recompensa a espera incansável dos fãs. Trata-se de um projeto dos seus idealizadores, que viram o encerramento precoce do seriado politicamente incorreto com grande frustração. Com idéias fervilhantes e muita coisa ainda para contar, criaram uma história dividida em 4 filmes que, posteriormente, será transformada em 16 eposódios de TV. Um encerramento definitivo (?), merecido e à altura deste que é um dos melhores produtos da cultura pop dos últimos tempos. Bom, quem assistiu (ou comprou ansiosamente o primeiro filme - sim, eu sou um destes) descobriu que o final de "O Grande Golpe de Bender" traz uma pergunta misteriosa (e metafísica) que apenas iremos descobrir nos próximos filmes. Será que há um limite para a falcatrua do Bender? Será que, desta vez, ele foi longe demais? Que implicações surgirão de sua manipulação desregrada (obviamente) do espaço-tempo? Algumas respostas para essas perguntas já possuem data marcada: em 25 de junho deste ano estréia (diretamente em DVD) o segundo longa metragem de FUTURAMA: "The Beast with a Billion Backs", que narra a história a partir do final do primeiro filme. Esperar para ver. E, pelo visto, fãs de FUTURAMA já descobriram que esperar vale, e muito, a pena. . .

quarta-feira, 9 de abril de 2008

MUDANÇA E MEDO


Toda a mudança intimida. Fato. Mesmo que ela implique em ganho, melhoria, ela causa medo, apreensão, dúvida, angústia. Por que por mais que sejamos "móveis" a nossa tendência à imobilidade é mais do que natural. É que nos acostumamos com o lugar onde estamos. Por que é do homem criar a raiz, o sistema, a rotina, a tribo. E não como algo cômodo, previsível (isso ninguém gosta), mas por que precisamos da sensação de controle e ordem sobre o caos das nossas vidas. E assim fazemos o malabarismo dos afazeres com a certeza confortável de que o dia de amanhã será uma cópia requentada do dia de hoje, com algumas alterações insignificantes. E assim vamos vivendo, dia após dia, transformando pequenos feitos em conquistas maiores e, com o tempo, descobrimo-nos em constante construção. Olhamos para trás e notamos: "puxa, olha quanto já foi feito". Nunca é fácil enxergar isso no processo. Acredito ser a catarse da conclusão. Mas ninguém nunca nos disse que o trajeto seria fácil. E não é. Por que nele há uma considerável dose de MUDANÇA. Por que para evoluir, crescer, precisamos revolucionar a nós mesmos. E somente mudando é que nos fortalecemos, amadurecemos e assim chegamos a algum lugar. Gosto de pensar nas escadas. A escola, faculdade, trabalho, namoro, noivado, casamento, cidade, país, continente, mesada, salário, nascer, crescer, adolescer, envelhecer, morrer, ser filho, ser pai, mudar de parceiro ou parceira, de apartamento, de trabalho, de carro, mudar, mudar, mudar. É o que mais fazemos. E nunca é algo simples. É um laboratório de sensações, onde apalpamos nossa insegurança, medos infantis, receios e a ingrata vontade de enxergar no escuro. Por que realmente só poderemos saber o que viveremos quando já tivermos vivido. A experiência é um aprendizado do que passou, e uma preparação do que está por vir. Seguir em frente é mudar. E, sim, a mudança também me enche de medo. Mas mudar é preciso.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

MILIONÁRIO ENTEDIADO



O Mini Cooper, praticamente uma celebridade de cinema

Se eu fosse um destes milionários entediados, dedicaria atenção especial ao que eu chamaria carinhosamente de "garagem dos sonhos". E nada de Ferraris, BMWs e afins. Longe disso. Ok, não tão longe, mas definitivamente eu teria uma garagem mais criativa. Escolheria 6 carros para compor minha garagem. A minha primeira compra seria o eterno sonho de consumo mundial, o Mini Cooper (foto acima). Escolheria, em seguida, para riso de alguns vizinhos e inveja desesperada de outros, todos milionários infelizes e entediados como eu, com suas fortunas inacabáveis e desejos cada vez mais escassos:

Fiat 500, o "Cinquecento" (até a cor está ótima!)


O Smart for Two, pequeno notável (sem contar ecológico!)

O New Beetle, edição limitada (conversível), preto com bancos de couro vermelhos

Um tradicional JEEP americano da II Guerra Mundial (don´t ask)


Por último (mas NÃO menos importante), o emblemático Batmóvel dos anos 60. Apesar de não ser um fã de sedans, ora, eu sou milionário e entediado. Não há limites para financiar a minha excentricidade.
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Bom, devaneios à parte, enquanto a garagem e os milhões não vêm, preciso encerrar o post e correr, senão perco o ônibus.

sexta-feira, 28 de março de 2008

MEUS 20 FILMES ESSENCIAIS


Se eu tivesse que escolher entre a centena de filmes que compõem o quebra-cabeças que forma (formou) a pessoa que sou hoje, eu não conseguiria escolher menos do que 20 que, definitivamente, marcaram a minha história, tocaram a minha alma e assim me trasnformaram de alguma forma. Filmes que vi em momentos diferentes da minha vida, moldaram meus gostos e opiniões, e que hoje me ensinam não apenas a entender o mundo que quero, como as próprias pessoas com as quais convivo. "O que acha do filme ´Encontros e Densencontros´?", gosto de perguntar, como uma espécie de exercício exupériano-antropológico para o conhecimento mais aprofundado de alguma pessoa. A resposta, geralmente, me diz o que preciso saber para ir adiante ou mudar o trajeto. Por que não tenho dúvidas de que os filmes são parte da vida, e se infiltram e se mesclam nas memórias, narrando eles mesmos episódios que vivemos. Imagens, personagens, diálogos, trilhas, tudo que nos emociona de alguma forma e que guardamos com carinho como se "aquele filme" fosse parte da nossa biografia, porque nos vemos ali, sentimos cumplicidade e muitas vezes confortados pela descoberta de que não estamos sós em muitos dos nossos pensamentos. Os "nossos filmes" são um reflexo no espelho, radiografia de quem somos, tenho cada vez mais certeza disso. Os meus filmes marcaram de alguma forma o meu entendimento do mundo, por terem sido influências infantis, inspirações românticas, por que me educaram de alguma forma ou me impressionaram profundamente. Uma lista de filmes, portanto, é um ótimo meio de navegar pelas almas das pessoas. Um mapa. Eis o meu, de 18 filmes que ficam e ficarão para sempre no meu imaginário, alma e coração:
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Encontros e Desencontros, As virgens suicidas, Maria Antonieta, Alta Fidelidade, Serendipity, A casa do lago, Amadeus, Filhos do Paraíso, Em busca da Terra do Nunca, Para o resto de nossas vidas, Desconstruindo Harry, Antes do amanhecer, Antes do pôr do sol, Elizabethtown, Brilho eterno de uma mente sem lembranças, Os Goonies, Henrique V e Clube dos Cinco.

quinta-feira, 27 de março de 2008

AS CINZAS DE CALLAS


Maria Callas não foi apenas uma estrela na história da música. Ela foi um evento, uma aparição. E neste sentido emocionante, breve, efêmera. Uma frágil luz sobre o canto lírico, uma ópera em vida, de amor, paixão e tragédia. Nasceu em Nova York, no dia 2 de dezembro de 1923 e surgiu aos olhos do mundo em 1947, na interpretação de La Gioconda, na Arena de Verona. E se consagrou como diva, exigente e temperamental na obtenção dos seus caprichos. Ganhou notoriedade pelo talento e a polêmica em torno de sua imagem. A voz, de um veludo trêmulo, é inconfundível e comove, fazendo os olhos corroerem em lágrimas. É inevitável não sucumbir ao poder da voz de Maria Callas, que parece tocar a alma numa canção de ninar, como se estivéssemos sonhando acordados. Ao final da década de 50 a voz começa a definhar e a diva gradualmente deixa os palcos, fazendo demandas impossíveis de serem atendidas como uma forma de dizer "não" aos inúmeros convites. Passa a se dedicar a outros projetos profissionais, como escolas e coros, que não a satisfazem. Casa-se com Aristóteles Onassis, o milionário, com quem diz ter "enfim começado a vida". E o fim do casamento (ele se casa com Jackie Kennedy) e sua morte são golpes decisivos para o caminho sem volta à reclusão. As apresentações passam a ser cada vez mais escassas até a famosa interpretação de Norma, em Paris (1965). Com a saúde e a voz debilitadas, ela não consege se manter pé até o final, desmaiando ao cair das cortinas no final do terceiro ato. A definitiva apresentação final foi no Japão, em 1974. Entregou-se por fim à solidão, vindo a falecer em 16 de setembro de 1977, no seu apartamento da avenida Georges Mandel, em Paris, vítima de um ataque cardíaco. Um coração partido, sem metáforas. E como era a sua vontade, teve as cinzas derramadas sobre o Mar Egeu.

segunda-feira, 24 de março de 2008

NUNCA É TARDE DEMAIS


Vez ou outra aparece diante de nós um daqueles filmes simples, mas de uma delicadeza comovente. "Antes de partir" (The Bucket list), de Rob Reiner, é um destes filmes. A história narra o encontro de dois homens doentes terminais (Jack Nicholson e Morgan Freeman), que se conhecem na UTI. Um é um mega bilionário (Nicholson) o outro é um mecânico aposentado (Freeman). Ao descobrirem que possuem alguns meses de vida, decidem fugir e viverem verdadeiramente os momentos finais e, para isso, organizam uma lista de coisas a serem feitas. Viajam pelo mundo, visitando as pirâmides e o Taj Mahal, fazem um safári na África, andam de bicicleta pela muralha da China, pulam de pára-quedas, fazem tatuagens, tudo aquilo que gostariam de ter feito e que, como um salto filosófico, "encaram de olhos fechados e coração aberto", como bem diz a linda canção "Say", de John Mayer, que compõe a trilha sonora. O diálogo sobre cremação e lata de biscoito é bonito e a alusão a este momento no final do filme é emocionante. "Antes de partir" é um filme inesquecível, um clássico instantâneo, de cenas e dilálogos maravilhosos. Jack Nicholson está louco como sempre, Morgan Freeman ilumina a tela e tudo caminha para um final original, sensível e comovente (para não dizer de soluçar). Poderia ser óbvio, mas passa longe, longe disso. É um daqueles filmes que são fiéis à essência do cinema: contar uma história, mexer com o nosso espírito, tocar nossas vidas e nos transformar de alguma maneira. E nos mostrar que, por mais que pensemos o contrário, nunca é tarde demais para nada.

A SECRETA SOCIEDADE DOS SIMPSONS


"The Simpsons Movie" é um filme competente na tarefa de levar aos cinemas o mundialmente consagrado seriado animado americano, mesmo com o atraso de uma década. O grande desafio do filme é parecer "fresco" e, neste aspecto, é infalível em alguns momentos e incompetente em muitos outros. Como um episódio inédito de uma hora e vinte minutos, o filme possui toda a essência cômica e irônica do desenho, mas abusa de piadas internas que, mesmo quem é um fã de longa data irá ter dificuldade em acompanhar. Afinal, são dez anos de desenho e um filme que distribui referências sobre seus episódios como uma metralhadora corre o risco de oferecer momentos enfadonhos. Infelizmente, é o que acontece. A história é interessante e divertida, misturando consciência ecológica com ebulição social, Homer está impagável como sempre, Lisa, Bart, Marge, Meggie, Flanders, Moe, Burns, enfim, todas as centenas de personagens estão ali, garantindo a funcionalidade da ópera amarela dos Simpsons, que passam mais uma vez a sociedade americana em revista. Mas os Simpsons se tornaram uma sociedade secreta, fecharam-se em torno de si mesmos ao longo destes anos e somente os verdadeiros fãs se mantiveram fiéis, acompanhando o desenrolar da pacata (mas nem tanto) vida em Springfield (coisa que não acontece com FUTURAMA, também do Matt Groening, que é infinitamente mais acessível mesmo para telespectadores de primeira viagem). Assim, o filme dos Simpsons é inegavelmente feito para eles, membros desta sociedade, que certamente se deliciaram num farto banquete de piadas escondidas nas entrelinhas de uma comédia inteligente que para nós, meros mortais, passou despercebido. Vale à pena e diverte, certamente, mas uma enciclopédia de referência faz muita falta.

terça-feira, 18 de março de 2008

FAMÍLIA


"Lar é onde está o coração", dizem. Concordo. E nem sempre é onde a família está. Lar e família em lugares diferentes. Quase sempre é assim. Aliás, é melhor e saudável, até, que seja assim, já que deixamos a família para seguir um caminho próprio, achar companhia, e assim fundar uma nova família. Isso confirma a idéia de que "lar é onde está o coração". A família fica para trás, como um evento natural de amadurecimento. Mas permanece, intocada, num lugar do qual não pode ser removida: berço original, fábrica da nossa personalidade, pátria de onde nascemos para ganhar o mundo. Um lugar onde não ficamos sozinhos, de pessoas com quem podemos contar a grande parte do tempo. Laços de sangue e destino que acompanham a nossa jornada solitária na terra e amenizam a sufocante solidão do caminho. Família é a certeza na pedra de que não estamos tão sós quanto imaginamos. Assim, se "lar é onde está o coração", família é a terra natal, lugar indiscutível das nossas origens, de onde tivemos cunhados o caráter e a moral, nossa educação e preparação para a vida. Família é uma instituição falha e problemática, não há a menor dúvida. Mas por mais complexos que sejam a sua constituição, sistema e política ela é NOSSA, como bandeira, cultura e idioma do país de que viemos. Família pode ser dor de cabeça, pode ter intrigas, mágoas, mas é onde encontramos lembrança, memória, referência, espelho do que somos, do que nos tornamos. Família é quem nos ama apesar dos nossos defeitos e enxerga a melhor essência das nossas qualidades. É onde somos verdadeiramente queridos por aquilo que somos. Família, a nossa família, será eternamente uma ilha perdida-achada, o porto-seguro das nossas inseguranças, onde seremos eternamente "o número 1". Então refaço o meu pensamento original. Se "lar é onde está o coração", família é onde ocupamos o primeiro lugar.

sexta-feira, 14 de março de 2008

SOBRE OS CÉUS DA ARCADIA

Se eu tivesse que escolher apenas 1 entre todos os RPGs que tive a oportunidade de jogar até hoje, não pensaria duas vezes em ficar com "Skies of Arcadia Legends" (GC), que é o mesmo jogo lançado originalmente para o Dreamcast só que mais completo, com bônus e extras que ficaram fora do original. É uma fórmula completa: heróis carismáticos, jogabilidade fácil e estratégica, gráficos razoáveis (para a época), trilha sonora impecável, recrutamento, construção de base, aperfeiçoamento de navio de combate, um vasto território repleto de ilhas e descobertas, história envolvente e para coroar tudo isso, batalhas memoráveis entre "navios" que cruzam os céus com o poder das seis luas. São pelo menos 45 horas de entretenimento épico, com aventuras sem fim dos piratas do céu, "Blue Rogues", na busca de impedir que o mal assole mais uma vez o planeta. Há elementos de todos os jogos consagrados, de Zelda a Final Fantasy, com toques de Suikoden. No fim das contas não há nada de inovador por assim dizer, o que não impede este de ser um daqueles jogos especiais e inesquecíveis, que são inegavelmente um produto de amor e dedicação. Merecia uma continuação - e há rumores a respeito. Quem sabe a nova geração - de consoles e jogadores - não têm a sorte de descobrir o que há de tão especial sobre os céus da Arcadia?

terça-feira, 11 de março de 2008

UM FILME QUE FICA


Dizem que as maiorias e unanimidades são burras. Não tenho certeza disso. Mas se de fato são, então sou um burro feliz, por que eu também irei dizer que "Juno" é uma preciosidade, um sopro de frescor e renovação para o desgastado cinema da atualidade, que parece ter se engessado na "arte" das explosões e invasão de seres de outros planetas. O celebrado filme indepentente de Jason Reitman, com roteiro original de Diablo Cody (a propósito ex-stripper e blogueira), é uma equação funcional e perfeita do universo indie: temática adolescente, diálogos rápidos e inteligentes (quick-witted aos extremos), personagens carismáticos, dilema de pais e filhos, conflitos pessoais e uma trilha sonora absolutamente adequada para encerrar todo o contexto cult. É uma pequena jóia, uma pedra a ser lapidada. Aliás, como a sua protagonista, Juno Mcguff, interpretada brilhantemente por Ellen Page. A heroína-grávida, de 16 anos, é um amaranhado de emoções e reações, que fazem dela a mais frágil e indefesa menina e uma garota metida a mulher que acha ter todas as respostas para tudo (como todo bom adolescente, aliás). No fim das contas, sentimos o desejo inevitável de entrar na tela e tomar conta de seus problemas, auxiliá-la, cuidar dela por que, do contrário ao que pensa, ela não sabe tanto assim das coisas, da vida. Naturalmente. Ela só tem 16 anos. O filme é recheado de momentos maravilhosos, diálogos memoráveis e atuações singulares (todos os coadjuvantes estão perfeitos e funcionais, em especial atenção ao amigo/amor de Juno, Paulie Bleeker, interpretado com doçura pelo talentoso Michael Cera). Não existe em "Juno" nenhum desejo de crítica, não é um filme politizado, tampouco quer promover reações em nós. É uma história, simples, doce, delicada, sobre pessoas que parecem reais, como o cinema deveria ser. Uma história a ser contada, apenas isso. É um lindo filme, com o qual podemos nos identificar e nos enxergar ali, nas situações e conflitos atravessados por esta pequena-grande mulher que, não por acaso, recebeu o nome da mulher de Zeus, da mitologia. Uma heroína incomum, não convencional e solitária na certeza (equivocada) de sua independência e capacidade de resolução. Um diálogo inesquecível resume tudo, quando Juno responde ao seu pai que a questiona por onde ela andava: "estava por aí, resolvendo assuntos que estão além da minha maturidade". "Juno" é, inevitavelmente, um filme que fica.

segunda-feira, 10 de março de 2008

(DES)CONSTRUÇÃO DA PENA


A Queda! ("Der Untergang"), do diretor Oliver Hirschbiegel é um brilhante e perigoso filme. Sob inúmeras perspectivas. Há ali uma narração enxuta e objetiva das horas derradeiras do III Reich, no fim da II Guerra Mundial, que culmina com o suicídio de Adolf Hitler - e sua esposa Eva Braun - nos porões do bunker da Chancelaria. Sob o ponto de vista de uma secretária, Traudl Junge, tomamos conhecimento do dia-a-dia de um Führer em frangalhos, comandando divisões inexistentes, meio senil, meio demente, mas ainda gritando a plenos pulmões sobre um Estado em pedaços que parece escapar de suas mãos trêmulas. Vemos ali, intimamente, o senhor da morte e da guerra, responsável pela dizimação de milhões de pessoas, direta e indiretamente. Mas vemos também um homem velho, acabado, arrastando-se pelos cômodos e corredores de um abrigo úmido e abafado. E aí está o perigo. Um perigo ideológico para observadores menos esclarecidos. A atuação de Bruno Ganz (que interpreta Hitler) é um fenômeno, um primor, uma incorporação. Quando ele está na tela vemos diante de nós uma aparição, um fantasma do passado em cores vivas. Ele É Adolf Hitler em todos os aspectos. A fala ora mansa ora insandecida, os gestos, o comportamento de um gentil homem da Alta Áustria, está tudo ali, para que nos familiarizemos com o temido e idolatrado chefe e guia da Alemanha. E, quando menos percebemos, somos pegos desprevenidos por um inexplicável sentimento de simpatia e pena daquele homem velho, decadente, trêmulo e doente. Por que, por alguma razão, o filme nos faz conviver pacificamente com a idéia de construção e desconstrução do mito. Vemos Hitler, mas não o enxergamos. E por alguns instantes nos afastamos da sua representação e papel na História. Por fim, uma história de guerra, verídica, absurdamente e abissalmente verdadeira, sobre o caos, a destruição, o fanatismo ideológico, a devastação de um continente, uma cicatriz irreparável na civilização. Uma queda, sem dúvidas, para a qual todos somos e fomos levados. E da qual provavelmente nunca conseguiremos levantar.

quinta-feira, 6 de março de 2008

"MAKE ME A RED CAPE..."


Eu sinto saudades. Não importa o que vem depois desta frase. Eu sinto saudades. Nada contra o estágio atual em que a minha vida se encontra, longe disso, gosto de como os fatos se encaminharam para que eu esteja onde estou hoje, sob todos os pontos de vista. Por que não tenho dúvidas de que estou onde gostaria de estar. Mas naturalmente isso não exclui a minha intrínseca nostalgia de tempos passados em que a minha noção de mundo era mais limitada, mais inocente e, portanto, mais simplificada. Não é o medo de "crescer, procriar e morrer". Bom, talvez até seja, mas está além disso. É uma saudade "do que passou", como um sabor, cheiro, sensação que fica apenas na memória, apenas como lembrança de algo que não se pode ter, uma vez que é um tempo ao qual não se pode retornar. Sinto uma mistura de melancolia com a dificuldade em dizer adeus, desapegar de pedaços do caminho que certamente me fizeram ser quem sou mas que lamento estarem tão longe hoje em dia. Não se trata (totalmente) de uma "crise de 1/4 de vida", mas é que as prioridades, as obrigações e as dificuldades da vida adulta tomam conta da existência como conseqüência do amadurecimento e os prazeres também são outros, bem como os jogos e toda a política de "ser adulto". Nada contra isso também. Afinal, há um sem número de ganhos interessantes também - dormir com alguém, dividir a vida, ter a companhia de alguém é um exemplo. Mas faz falta, lamentavelmente, aquele tempo em que as complicações da vida se resumiam em férias, lanches, tarefas de escola e corações partidos. Não havia contas a pagar nem o trabalho, os compromissos, ter que fazer a média, os sapos a serem engolidos crus. Lembro com saudade carinhosa, inevitavelmente, dos meus anos de capa vermelha - literalmente - em que ter 6 anos de idade era basicamente a minha única obrigação. E sinto saudade, às vezes, deste tempo, desejando que a vida adulta fosse um pouco mais como 1985.

HÁ UMA GUERRA LÁ FORA


Fico com essa impressão, vez ou outra, num dia qualquer. Uma mistura de reflexão-reação imediata ao mundo conforme a construção do meu dia. Tudo termina bem quando começa bem, dizem. E o mesmo vale para o contrário? Possivelmente. E tenho quase certeza que é justamente nestes casos em que as lentes para a percepção das coisas me dá os meios para enxergá-las como são. E aí me vem a certeza: há uma guerra lá fora. As músicas no tocador de MP3 não são as que quero ouvir naquele determinado momento e a passagem ininterrupta das faixas geralmente me leva ao quase atropelamento. Bom, infeliz casualidade. As poças ficam mais fundas e a sujeira da caminhada na rua parece ficar mais barrenta. Ok, vejo um dálmata velhinho e isso me conforta, produzindo um riso de canto de olho. Sinto alguma fome, alguma sede e a cota de café parece não ter atingido o ponto mínimo. Meio como andar na reserva. Mais ou menos isso. Então percebo que o calor do sol está mais intenso e o suor resultante mais insuportável. E com isso a paciência vai desaparecendo como mágica, e pelo ralo, com ela, a tolerância às pessoas diversas que, como eu, também estão tentando atravessar a guerra. Vejo, então, como ninguém está nem aí para ninguém. Pessoas idosas sem auxílio, pastas caídas que espalham documentos no chão sem que ninguém se manifeste em ajudar, cortadas irresponsáveis no trânsito e uma onda constante de mau-humor que vai coagulando no tal inconsciente-consciente-onisciente coletivo, como uma amálgama de má vontade e irritação. E eu faço parte dela. Ora, há uma guerra lá fora e faço parte dela. A conseqüência direta disso é que às vezes sinto como se eu, também, não me importasse. Pelo menos, não o suficiente. E protejo os meus ombros, e daí o que acontece aos lados? Mas luto contra isso, verdadeiramente. Por que há a guerra dentro da guerra, em que sou espião e contra-espião de mim mesmo, de meu próprio espírito dividido esquizofrenicamente entre o pacífico e o bélico. E cedo lugares, e dou passagem, e me ofereço, prontifico, ajudo a carregar. Dou "bom dias" gratuitos e sorrisos sem pretensão. E abandono a ironia e a observação cáustica e venenosa das coisas. É a contra-guerra. Contra-regra. E oscilo entre o bem e o mal, entre as duas metades que tenho em mim, que se completam como dia e noite, numa luta desequilibrada de pesos na balança das minhas reações. Mas sou bom a maior parte do tempo. Sei disso. Mas é inevitável e impossível não ceder aos extremos. Por que assim é na guerra. Vamos aos extremos da nossa humanidade e animalidade conflitantes; a guerra em nós. E isso é apenas um dia entre 365. Am I getting sour with age?

segunda-feira, 3 de março de 2008

NO FIM, O SILÊNCIO


Eis o que nos dá Norman Mailer ao final de sua última obra, "O Castelo na Floresta". Narrado pelo demônio de segundo escalão, "Dieter", o romance nos apresenta a infância e adolescência de Adolf Hitler e tempos anteriores até o seu nascimento. No caminho, discussão sobre a perversão, o incesto, desvios morais e de caráter e a pura e simples maldade em sua essência. O diabo, "o Maestro", possuia um interesse no jovem Hitler e o que ele faria nos anos por vir para auxiliar os planos do Mal na terra. A narrativa envolvente de Mailer é uma montanha-russa de sensações que vão da euforia ao asco em uma mesma página. E quando menos esperamos, talvez até ingenuamente aguardando respostas, ele encerra sua história como se batendo uma porta contra a nossa cara. E para nós, leitores, que recebemos os educados agradecimentos do melancólico demônio Dieter pela leitura, a reflexão que nos parece mais adequada, quando tentamos parar para entender o que foi Adolf Hitler:

“O que permite a sobrevivência dos demônios é que eles são suficientemente sábios para compreender que não há respostas, apenas perguntas”.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

À JANELA

Corri bem cedo para a janela para te esperar chegar.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

VERMELHO

A primeira vez que te "vi", por que vi sem ver, fui roubado - naquele instante - pelo vermelho dos seus cabelos. E ainda hoje te sinto e te vejo ruiva, pouco importando que cor você decidiu tingir o cabelo mais cheiroso do mundo, que é esse que adorna a sua cabeça como uma coroa. Por que você ainda é a minha ruiva. E sempre será. Minha. E te amarei vermelha, escolha você ser Marilyn ou Callas, ou Frida, pouco importa, haverá sempre algo de vermelho emanando dos seus poros, não importa que tom decida colorir sua caixa de pensamentos. Por que você é vermelha, fato inquestionável, em todos os aspectos da vida, sua, nossa, minha, você é vermelha. E foi por essa cor que me apaixonei e que lhe é inerente, sua de direito. Você merece esta cor, ela a pertence e você a ela. E nunca senti tanta falta deste vermelho em minha vida, como nestes últimos tempos em que você se avermelhou tão longe de mim, nas suas aventuras perdidas-na-tradução deste mês que demorou oito anos para passar. 8, exatamente, que lembra o eterno, e que é um dos nossos números. 5,6,7 e 8. Engraçado, isso. Uma seqüência lógica e racional que corre para o infinito, como o rio para o mar. E o mar é vermelho. E parece se abrir, para que passemos por ele, na nossa caminhada juntos que, como sempre gosto de brincar, é marcada por uma louca habilidade que temos - juntos - de conquistar as coisas, concretas ou subjetivas. Nós empreendemos juntos. E na união das nossas "forças sagitáries" conhecemos campo de batalha e de girassóis. Num mesmo dia. E, por sua causa, até eu me torno vermelho também. Vermelho de amor, de fogo, de briga, de guerra, paixão. Vermelho de Marte, morango e violino. Vermelho de Rosa, que me faz principezinho, para te cuidar e proteger do sol e dos tigres. Então, nestes dias que passaram, em que estive azul como nunca, ou roxo, prefiro dizer, percebi que já não vivo mais sem o vermelho, que é esta cor de movimento e realização, que você sopra em minha vida, como um vento de renovação e descoberta. O vento escarlate que transforma meu barco de papel na caravela de Colombo, assim é você em minha vida. E ando contando os segundos, como criança espera o Natal, para que você se traga de volta, meu sonhado presente, embalada como laço de fita e papel. Vermelhos.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

WE COULD BE HEROES

"and we kissed as though nothing could fall"
*
Estes últimos dias de solidão involuntária têm sido decisivos para a tal percepção da realidade como ela é de fato ou como desejaria que ela fosse. Manhãs, tardes e noites se arrastam na passagem das horas enquanto me transporto do ponto A para o ponto B na minha expectativa infantil de ser capaz de mobilizar o tempo para tê-la mais perto, como se tentando apagar com uma borracha metafísica os dias que ainda precisam passar para que se encerre a contagem no meu calendário melancólico sobre a mesa onde guardamos os nossos livros. Cada canto da nossa casa, cada espaço, eu a vejo ali, caminhando entre os cômodos, tocando detalhes que te interessam. E vou lembrando do seu cheiro doce e sua pele delicada, quando a abraço na cozinha enquanto fazemos café para o começo de mais um dia ou cozinhamos para aplacar a fome noturna que às vezes bate durante as nossas sessões caseiras de filme. Enquanto te guardo nos braços, seu cabelo costuma passear desordenadamente sobre as minhas bochechas ao passo que minhas mãos procuram sua cintura. E suspiramos juntos, abraçados em silêncio, com a certeza sublime que nos amamos, que não precisamos de mais nada naquele momento e que, por aqueles instantes, somos eternos. Somos heróis. É uma solidão diferente, a destes últimos dias, por que trata de uma incompletude que eu sequer sabia existir. Somos incompletos, fato, "live together, die alone", mas descobri o prazer de ser pleno e nela ter a parte que me falta - a minha melhor parte. E perder, momentaneamente, meu melhor pedaço, me deixa perdido, desorientado, como uma nau à deriva, sem sua luz de farol. São dias vazios, dias em branco, estes que passo sem minha amiga, senhora, mulher e amante. Dias de auto-conhecimento, reflexão, devaneios poéticos e filosofia de chuveiro, na minha anotação silenciosa das horas, para que mais um dia se encerre e o seguinte aponte logo à janela, até o fim da contagem, até que ela chegue. Por que não vejo a hora de voltarmos a dormir juntos, por que começa a doer a sua ausência. Por que a quero de volta, a sua voz reclamando dos meus erros e seus afagos quando a pego no colo para sentarmos preguiçosamente na poltrona da sala. Quero vê-la se arrumar diante do espelho do quarto, enquanto desenho a cartografia do seu corpo perfeito com os meus olhos curiosos, sem que ela perceba. É que quero nossas mãos enlaçadas novamente, enquanto nos aventuramos na esquina. Quero o sabor dos seus beijos e o calor do seu corpo. Te quero de volta.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

ANJOS ENTRE NÓS


Os anjos estão por toda parte, entre nós, em sua tarefa diária e dedicada de nos proteger dos perigos, afastar-nos das tragédias, acalentar nossos corações nos momentos de desespero e cuidar de nossos pensamentos para que eles não se tornem sombrios. Eles estão por toda parte, entre nós, e não fazem questão de serem vistos, por que isso não importa. É preciso acreditar na bênção, numa força maior, de fé, esperança e bondade, que está sobre todos nós que é infalível durante grande parte do tempo. Os anjos estão por toda parte, entre nós, e tudo estará bem. Acreditar é possível. Acreditar é preciso.

HITLER EM BUSCA DA TERRA DO NUNCA (?)

Saiu na imprensa internacional (Reuters) uma notícia de que desenhos de Adolf Hitler retratando personagens da Disney (Anões da Branca de Neve e o Pinóquio) foram encontrados e comprados pelo diretor do museu de guerra da Noruega, William Hakvaag. As imagens são supostamente assinadas pelo "führer", com "A.H." e "A. Hitler" e teriam sido feitos durante a II Guerra Mundial (em 1940, provavelmente). É sabido que Hitler possuia uma cópia da "Branca de Neve", que considerava um dos melhores filmes da história. Bom, os desenhos foram comprados em leilão por trezentos dólares, um preço relativamente pequeno para esse suposto tesouro histórico e genuína peça de interesse psicanalítico. Afinal, o que levaria Adolf Hitler, senhor da Europa, chefe máximo do III império alemão e um dos homens mais poderosos do mundo, responsável pela morte de milhões de pessoas, desenhar personagens da Disney em seu tempo livre? O que isso poderia nos dizer sobre a personalidade desta que é uma das mais estudadas e ainda assim mais obscuras personalidades da história? Fica mais essa lacuna no quase infinito labirinto de perguntas sem resposta que é a figura de Adolf Hitler.

ALICE MATA O COELHO


Ok, "The Brown Bunny", filme de Vincent Gallo. Por onde começar? Não vou simplificar dizendo se é um filme bom ou ruim, se gostei ou não gostei. Por que acho que está além disso. É um filme brutalmente silencioso, lento e melancólico. Tudo se arrasta na tela, como se fosse um filme inteiramente rodado em câmera lenta e mudo. E, nesse aspecto, o personagem principal (o motoqueiro Bud Clay, vivido pelo próprio Vincent Gallo) se mistura com a história e o próprio filme, de maneira que o que vemos na tela é uma grande massa uniforme de tristeza e resvalamento quase viscerais. Como obra de cinema, o filme não possui grandes genialismos, apesar de ter algumas belas cenas e trilha sonora razoável. O enquadramento é intencionalmente amador em muitos momentos, reforçando a idéia que não há ninguém ali, além de Bud Clay (e nós, que o observamos dormir, comer, tomar banho, e dirigir em silêncio). Por este ponto de vista, "The Brown Bunny" é infalível: temos a quase desconcertante impressão de estarmos acompanhando Bud em sua jornada solitária pelas estradas dos Estados Unidos até a Califórnia, como se dividíssemos a sua van ou o quarto de hotel. E passamos a nos interessar pelo que Bud tem em mente, a obsessão com sua ex-namorada Daisy Lemon, reflexo de que ele não se refez da devastação que ela parece ter promovido em sua vida. No caminho, Bud conhece três mulheres completamente perdidas, também elas com nomes de flores (Violet, Lilly e Rose) e as deixa no caminho. Uma jovem vendedora, uma mulher solitária num parque e uma prostituta. Descobrimos que ele busca desesperadamente por companhia, por alguma companhia. É como se ele estivesse tentando se soltar de algo que é mais forte que sua vontade (o pensamento em Daisy) que o mantém no caminho, deixando tudo para trás, até ele mesmo, sua alma e essência. O filme ganhou notoriedade e gerou uma grande polêmica devido à explicidade de uma seqüência de sexo oral e, francamente, não tenho uma opinião definida sobre a gratuidade (ou não) desta cena, tampouco acho que seja grande coisa ou, pelo menos, algo que merecesse tanto estardalhaço. Acho que Gallo tinha algo em mente com esta cena de sexo escancarado e acredito que está relacionado ao nosso papel de expectador-extremo da vida (ou falta dela) ali retratada. De expectadores passamos a fantasmas que acompanham um homem que vaga quase sem rumo, ele mesmo como um fantasma. Então talvez, neste sentido, a cena de sexo do final tenha sentido. Por que não há nada ali, naquele filme, para amenizar o nosso desconforto. "The Brown Bunny" não é um filme que deseja nos poupar em nada, pelo contrário. Bud Clay é um homem perdido, transtornado, consumido por um remorso inexplicável e que, apesar da tranqüilidade que emana dos seus olhos azuis, de uma carência quase infantil, ele parece gritar por dentro. Uma reinvenção perdida de Alice, uma "Alice em transe", numa jornada melancólica através de um país transtornado, sem nenhuma maravilha, apenas sombra, solidão e silêncio. Por que Alice matou o coelho.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

MINHA GAROTA URBANA



O sol brilha com timidez, quando levanto todas as manhãs para uma rotina solitária, silenciosa, com o compasso de um relógio enguiçado. Uma coreografia simples, relativamente mal ensaiada, de gestos, passos e ações repetidas. Uma sinfonia pouco criativa de sons, sabores e aromas, que mistura o cheiro do café ao barulho do relógio que bate na parede da cozinha, ao perfume, às bolachas não muito frescas, à água do banho, ao toque da roupa no corpo, ao barulho da porta que se tranca atrás de mim. Se escolhesse uma trilha sonora para estes dias-perdidos-na-tradução ela certamente sairia das mãos da Sofia Coppola ou comodamente plagiaria a compilação mágica e melancólica da sua obra prima, "Lost in Translation". É como se a manhã começasse preguiçosa - como todas - ao som de "Girls", do Death in Vegas e terminasse com "City Girl", do Kevin Shields. Ao longo do caminho, na seqüência das horas, algumas passagens mais animadas, outras mais suaves, até o momento de o sol se pôr no horizonte, numa esplanada azul, vermelha e roxa, onde o solo fofo sob os meus pés parece me conduzir no automático, como se houvesse um fio, como se eu fosse um bonde de um só passageiro, na viagem dos meus devaneios perdidos, para o encerramento de mais uma página do livro que me esforço em contar. Nestes momentos de passagem, fico imaginando onde ela está, se está vendo o mesmo pôr-do-sol ou as mesmas estrelas, sentindo a água da chuva ou que roupa escolheu vestir. Minha garota urbana, perdida-na-tradução ela mesma, na sua Tóquio verde e amarela. Algo está faltando. Algo que motiva a travessia do dia, a vontade de voltar para casa, para o brilho de seus olhos e o calor de suas pernas, que descobri (ou simplesmente constatei) que não consigo mais viver sem. É que sinto falta de cada centímetro do seu corpo e não consigo aceitar - mais - a distância. Fato. Por que fiquei farto dos dias e dos quilômetros e hoje tolero apenas metros e minutos. É que os dias sem minha garota urbana são vazios, sem cor, em vão. Por que ela é linda, por que eu a amo, e por que a espero, todas as noites, para que ela me visite novamente nos meus sonhos.

TODOS POR OBAMA


Esperança, Ação, Mudança. São os lemas da campanha de Barrack Obama, pré-canditato democrata à presidência do país mais poderoso do mundo. Jovem, negro, veterano de guerra, de sobrenomes muçulmanos, filho de pai queniano, em outras palavras, uma onda de frescor contra à antiquada locomotiva americana, engessada nos trilhos do tradicionalismo de raízes anglo-americanas dos "pais fundadores", nortistas, brancos, puritanos, conservadores. A campanha do carismático Obama começou de maneira silenciosa e foi ganhando músculo na internet, sobretudo com o apoio do eleitorado jovem norte-americano, sedento, em espera angustiosa por ALGUMA mudança. Orador eloqüente, que silencia as massas com suas palavras de impacto, nasceu no Havaí, em 1961, filho de uma americana com um queniano (ambos os pais já falecidos), advogado renomado por Harvard, escreveu um livro chamado "Os sonhos de meu pai". Que a esperança, a ação e a mudança se mantenham e fortaleçam, e que os "sonhos de Obama" sejam de renovação e anúncio de um novo tempo no império norte-americano, que já sofre com suas estruturas enfraquecidas. Alguns arriscam a chamá-lo de um "novo Kennedy". É cedo para especular, certamente. Mas toda a euforia é um reflexo imediato da necessidade de mudança na empoeirada política norte-americana. O momento é esse. Uma chance que não se pode deixar escapar. Alguns parecem não se importar, afinal, "de que nos interessa quem ganha ou quem perde nos EUA?". A verdade é que devemos nos importar por que nos interessa e muito qualquer transformação no país-império que fiscaliza e dá as regras do jogo no mundo.


* * *


"I´m asking you to believe. Not just in my ability to bring about real change in Washington. I´m asking you to believe in yours".
(Barrack Hussein Obama)
*

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

SAUDADE


O que é SAUDADE, afinal? Para mim, é algo esquisito, estranho, alheio, alienígena e, curiosamente, intrínseco, pessoal, íntimo, naturalmente meu. É um sentimento, uma sensação, um momento, uma idéia. Comove, faz sorrir, chorar, cala e até mata. Saudade é algo completamente abstrato e subjetivo e, ao mesmo tempo, palpável, como se fosse possível apontar com o dedo este ALGO sem cor nem cara que pesa sobre os ombros e mantém constante a sensação de que algo está faltando e que nada neste mundo será capaz de preencher o vazio. É uma solidão diferente; meio carente, meio silenciosa, como se experimentássemos algo de que não podemos falar, não podemos dividir. Como explicar nossa saudade a alguém? É algo nosso, genuinamente nosso, que ninguém tem condição de entender. Saudade é uma espera. Uma espera conformada, por alguém que foi para longe mas volta, alguém que escolheu não voltar ou alguém que não poderá voltar nunca mais. Saudade é uma caixa de sensações: amor, paixão, calor, desejo, dor, fome, angústia, impaciência, falta. É um relógio batendo constante, em contagem regressiva, com ponteiros que demoram a mudar de lugar. Saudade é um momento perfeito para auto-reflexão, em verdade. Rever aquilo que parecia gratuito e que, por algum período de tempo, não se tem mais. Tudo fica mais importante, mais valioso, mais precioso. Cheiro, pele, corpo, alma, jeitos, gênios, olhares, boca, beijo, toque, cabelo, perfume. Fotografias, músicas, textos, filmes, livros, imagens, lembranças; tudo é um conjunto complexo de encaixes de peças que nos levam aquela pessoa amada, tão distante. Queremos perto, queremos na hora, queremos para sempre. É uma espera desesperada, uma sede que não passa, um silêncio. Mas vale à pena. Por que há o retorno. E, com o retorno, janelas fechadas, portas trancadas, lençóis e travesseiros, telefone fora do gancho, e um tempo lá fora que pouco importa se é frio, chuva, noite ou dia. Há sempre o retorno. . .


* * *


"Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer


É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É nunca contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder


É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É ter com quem nos mata lealdade


Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?"


Luís de Camões


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

GRITOS NO SILÊNCIO DOS BOSQUES

Continuo a leitura do hipnotizante e - contraditoriamente - de difícil digestão "O Castelo na Floresta", de Norman Mailer, que narra a juventude de Adolf Hitler. A história transita pela especulação do incesto nas comunidades rurais da Áustria, as influências de infância e a sinistra observação do Diabo, chamado no livro de "Maestro" pelo narrador (um demônio de segundo escalão), daquela criança que mudaria muita coisa nos anos por vir. São socos sucessivos no estômago, mas é um livro que parece pulsar sobre a mesa, quando deixamos a leitura de lado; é difícil abandonar a narrativa, rápida e envolvente, que nos deixa cada vez mais curiosos e intrigados em saber a onde esta história nos levará, o que deveremos descobrir. Pistas no caminho, naturalmente, mas um desfecho que parece guardado sob sete chaves. Agarrados pelas vísceras e até mesmo a alma, por que não?, continuamos o estranho diário que se desdobra sob os nossos olhos. E como todo diário, inundado por confissões e segredos que talvez não desejaríamos saber. . .

"GEEK WEDDING"


Achei por aí, na vastidão da net, esta foto INACREDITÁVEL deste bolo de casamento bem criativo, fazendo referência ao universo do SUPER MARIO, com tubos, cogumelos, estrelas, plantas carnívoras e visual bem colorido, com o Mario e a Princesa Peach ao topo, representando os noivos. Mais geek impossível. Quem será que convenceu quem? O noivo ou a noiva? Ou seriam ambos geeks? Bom, eu queria este bolo para o meu casamento, confesso. Só não deixaria NINGUÉM triscar a mão nele! Imagina? Nunca!

"GEEK TIME"

Está à venda por aí este incrível relógio "geração 8-bit". Uma idéia genial e um presente perfeito para quem viveu o nascimento dos games em fins dos anos 70 e começo dos 80. Nostalgia pura, fazendo referência aos gráficos tortos e os pixels imensos dos jogos que tanto amávamos. Fora o design original e muito cool. Trata-se do "Icon Watch", desenvolvido pela empresa ABS, e custa US$ 82 na Coréia do Sul. Muito, muito legal.

GLÓRIA PARA UM PEQUENO BEAGLE


Uma história interessante e quase histórica. Pela primeira vez desde 1939 (!) um BEAGLE conseguiu vencer um concurso de cães (daqueles que a gente vê na tv, cheios de pompas, desafios e frescuras afins). Ele se chama UNO, um lindo e engraçado beagle tri-color, que ganhou o primeiro lugar no concurso de Westminster. Os juízes não resistiram aos "olhos dourados" do carismático cãozinho Uno, que conseguiu conquistar todo mundo com simpatia e competência nas provas. Ele foi definido como "um cãozinho feliz, um cãozinho do povo" e venceu todos os favoritos da competição, no total 2,627 cães (!), recebendo votos de uma platéia entusiasmada no Madison Square Garden, em Nova York (alto estilo, ainda por cima!). Os especialistas dizem que os Beagles têm certa dificuldade nestas competições formais e rigorosas por serem cães "honestos" demais. . . Como um ex-dono de beagle, suspeito que a palavra que os especialistas pensam ao dizerem "honestos" é bem outra; mas enfim. Eles são lindos, cheios de personalidade, engraçados e fazem companhia como ninguém. É o que importa. Dogs and Angels, é para isso que vieram ao mundo. Todo o resto é perdoável. Em tempo: ao ser "entrevistado", após a vitória consagradora, Uno se contentou em mordiscar o microfone. Bom, um pequeno passo para um cão, um grande salto para esta raça tão cheia de polêmica e controversia.


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

"FEBRUARY LOST"


Pelas próximas semanas, "eu vou estar odiando" muito SÃO PAULO. Nada pessoal. Aliás, é bem pessoal, sim.