terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A ELOQUÊNCIA DAS PEDRAS

"A Partida" (Okuribito) é um lindo filme japonês. E como tudo que é japonês, silencioso, gracioso e belo beirando o etéreo. O filme narra a história de Daigo Kobayashi, um jovem violoncelista que vive com sua mulher em Tóquio. Ele não vê o seu pai desde os seis anos de idade, quando este abandonou sua mãe. Essa mágoa faz com que ele sequer consiga lembrar do rosto de seu pai. A única coisa que restou foi uma memória em que os dois caminhavam na praia e o seu pai o presenteou com uma pedra. Quando, repentinamente, sua orquestra é desfeita, Daigo se vê obrigado a retornar à sua cidade natal, onde viverá na casa deixada por sua mãe. Num acaso do destino e precisando de trabalho, ele arruma um emprego numa agência funerária, onde acaba se tornando um profissional habilidoso. A partir deste momento se desenrola a delicada costura de imagens e sensações provocadas pela história narrada na tela.

Essencialmente, "A Partida" mostra a relação da cultura japonesa com a morte e a passagem. Vemos, ao longo de praticamente todo o filme, a explicação de belíssimos rituais dedicados ao último adeus, onde o silêncio, a calma e a dignidade ensinam as últimas palavras a serem ditas aqueles que se vão. O filme, apesar de seu potencial dramático, carrega no bolso uma alma ensolarada que ajuda a rir, mesmo quando os nós se fazem nas gargantas. Trata-se de uma pequena caixa de surpresas da qual apenas coisas belas e puras podem ser obtidas. Um filme que merece ser visto senão como enriquecimento cultural, como canja de galinha para a alma. Como uma melodia, "A Partida" toca o coração com notas altas e baixas, alegres e tristes e chega à alma com precisão. É um filme sobre acasos. E o acaso, que transforma Daigo Kobayashi num "agente de despedidas", será responsável, justamente, em ensiná-lo que, muitas vezes, o fim é também o começo de tudo.

Um comentário:

Silvana Nunes .'. disse...

Bom dia.
Muito obrigada pela dica.
FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... continua com a série mitologia dos orixás como eu havia prometido: hoje eu escrevo sobre a lenda da criação. Se puder, passa por lá.
Tenha um bom dia.
Beijo grande,
Saudações Florestais !