A fantasmagórica arte de Aron Wisenfeld.
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
"BOB, ARMA"
O Batman acaba de estragar a festa do coringa e, então, esta cena inesquecível em que o [insubstituível] Jack Nicholson no papel do melhor Coringa de todos os tempos decide descontar sua frustração no pobre capanga.
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quarta-feira, 22 de agosto de 2012
AMOR PLATÔNICO
[algumas d]As minhas ruivas
Emily Blunt
Emma Stone
Florence (Florence + the machine)
Hayley Williams
Jessica Chastain
Kathleen Robertson
Rosie Leslie
terça-feira, 21 de agosto de 2012
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
ELE VOLTARÁ UM DIA
Apesar de toda a expectativa - e tentativa - realmente, realisticamente, poderá haver OUTRO Superman, que não o Christopher Reeve? O fato é que, ainda hoje, fico em dúvida se aquilo ali, nos filmes, era atuação e efeitos especiais ou o Super-Homem, de fato. Custo a crer, talvez essa sensação nunca passe, que Christopher Reeve se foi. Como algo definitivo, digo, mundano, finito. Prefiro crer que o Super-Homem decidiu ir embora, se afastar de nós, como de fato já o fez.
E que simplesmente voltará um dia.
PÁSSARO
O sol pintava o seu rosto com aquela luz morna, adorável, que o fazia sentir-se vivo. Rajadas rebeldes de vento sob as asas, ganhando altitude e então despencando, apenas por diversão. Aquela liberdade absurda, aquela imensidão, aquela sensação salina ao voar rente sobre a água do mar. Ouvia seus irmãos gritando ao longe, em sequência, e então voltava ao bando. Voavam juntos, livres, libertos. Pássaros.
A vida se resumia àquela sucessão de eventos simples, aquele encadeamento de eventos relacionados à fome, ao descanso, à procriação. Navegar entre as nuvens, roubar lanches de mãos desatentas, acasalar no calor das árvores. Sol, lua, ar, estrelas. Os dias eram iguais e completamente diferentes. A cada nova manhã.
Não havia limite para o que o horizonte dos seus olhos podia registrar. Campos verdes, fecundos, vivos, estendendo-se até as montanhas. Prédios de múltiplas formas, cores, materiais. Pessoas de rostos distintos, roupas, hábitos. Veículos de todos os tamanhos e sons, pontes, monumentos. Cidades gigantescas, ruas e rodovias, tentáculos de animais impossíveis. Fontes onde refrescar-se do calor, sombras, sementes, antenas e fios de alta tensão. O mundo era incrível, visto do alto.
Divertia-se com os animais do chão. As travessuras dos gatos nas janelas, os cães correndo atrás das suas bolas, os bichos diversos nos zoológicos, os outros pássaros, uns tão agradáveis outros tão perigosos. Amigos e inimigos. Como tudo na vida.
Rodopiava, enamorava-se das pipas, assobiava ao som de canções distantes, perdia-se nos labirintos de lençóis estendidos nos varais anônimos. Aquele cheiro, aqueles abraços deliciosamente frios ao redor de suas penas. Sentia saudades, sem saber do quê. Sentia faltas sem rosto, sem nome. Voava, partia, ía embora, esquecia-se dos endereços.
Havia algo no ar, sempre; uma energia, uma eletricidade, um cheiro. Algo de perfume, algo de comida sendo feita, algo de poluição. Havia algo nas madrugadas, nas noites de janelas insones. Nas luzes sem ordem, nos caleidoscópios solitários, espalhados pelas casas, ruas e avenidas. Os homens enrolados em panos puídos sob as marquises, as crianças em suas camas confortáveis, no topo dos prédios.
Via amantes ingressando naquela luta complexa que une homens e mulheres. Via jovens ganhando as ruas nas noites perigosas. Via o crime, via o bem e o mal. Via a alegria dos casamentos nas igrejas e as despedidas nos cemitérios. Risos, lágrimas, brigas, acidentes, buzinas e sirenes.
Documentava tudo, com seus olhos pequeninos e curiosos. E parecia esquecer tudo, a cada novo dia. Culpava aquela sua cabecinha pequenina, todas as vezes que testemunhava um pôr-do-sol inesquecível. E praguejava, sozinho, por saber que não lembraria de nada daquilo quando o sol surgisse novamente no horizonte. Suas lembranças passageiras, desaparecidas. Suas lembranças de pássaro.
E parecia, ele mesmo, desaparecer na névoa, na penumbra que tomava a cidade. Era quando aqueles sons intermitentes, sequenciais, esverdeados, martelavam em seus ouvidos. Pi. Pi. Pi. Pi. Pi. Pi. Pi. Abria os olhos lentamente, iluminados pelo sol morno na janela. Seu corpo imóvel, sua língua muda, aquelas pessoas sem nome observando-o aflitas. O desespero de não conseguir mexer nenhum músculo de seu corpo. Os olhos pingando lágrimas sinceras, esperançosas, por uma nova noite de sonhos.
Seu sonho de pássaro.
A vida se resumia àquela sucessão de eventos simples, aquele encadeamento de eventos relacionados à fome, ao descanso, à procriação. Navegar entre as nuvens, roubar lanches de mãos desatentas, acasalar no calor das árvores. Sol, lua, ar, estrelas. Os dias eram iguais e completamente diferentes. A cada nova manhã.
Não havia limite para o que o horizonte dos seus olhos podia registrar. Campos verdes, fecundos, vivos, estendendo-se até as montanhas. Prédios de múltiplas formas, cores, materiais. Pessoas de rostos distintos, roupas, hábitos. Veículos de todos os tamanhos e sons, pontes, monumentos. Cidades gigantescas, ruas e rodovias, tentáculos de animais impossíveis. Fontes onde refrescar-se do calor, sombras, sementes, antenas e fios de alta tensão. O mundo era incrível, visto do alto.
Divertia-se com os animais do chão. As travessuras dos gatos nas janelas, os cães correndo atrás das suas bolas, os bichos diversos nos zoológicos, os outros pássaros, uns tão agradáveis outros tão perigosos. Amigos e inimigos. Como tudo na vida.
Rodopiava, enamorava-se das pipas, assobiava ao som de canções distantes, perdia-se nos labirintos de lençóis estendidos nos varais anônimos. Aquele cheiro, aqueles abraços deliciosamente frios ao redor de suas penas. Sentia saudades, sem saber do quê. Sentia faltas sem rosto, sem nome. Voava, partia, ía embora, esquecia-se dos endereços.
Havia algo no ar, sempre; uma energia, uma eletricidade, um cheiro. Algo de perfume, algo de comida sendo feita, algo de poluição. Havia algo nas madrugadas, nas noites de janelas insones. Nas luzes sem ordem, nos caleidoscópios solitários, espalhados pelas casas, ruas e avenidas. Os homens enrolados em panos puídos sob as marquises, as crianças em suas camas confortáveis, no topo dos prédios.
Via amantes ingressando naquela luta complexa que une homens e mulheres. Via jovens ganhando as ruas nas noites perigosas. Via o crime, via o bem e o mal. Via a alegria dos casamentos nas igrejas e as despedidas nos cemitérios. Risos, lágrimas, brigas, acidentes, buzinas e sirenes.
Documentava tudo, com seus olhos pequeninos e curiosos. E parecia esquecer tudo, a cada novo dia. Culpava aquela sua cabecinha pequenina, todas as vezes que testemunhava um pôr-do-sol inesquecível. E praguejava, sozinho, por saber que não lembraria de nada daquilo quando o sol surgisse novamente no horizonte. Suas lembranças passageiras, desaparecidas. Suas lembranças de pássaro.
E parecia, ele mesmo, desaparecer na névoa, na penumbra que tomava a cidade. Era quando aqueles sons intermitentes, sequenciais, esverdeados, martelavam em seus ouvidos. Pi. Pi. Pi. Pi. Pi. Pi. Pi. Abria os olhos lentamente, iluminados pelo sol morno na janela. Seu corpo imóvel, sua língua muda, aquelas pessoas sem nome observando-o aflitas. O desespero de não conseguir mexer nenhum músculo de seu corpo. Os olhos pingando lágrimas sinceras, esperançosas, por uma nova noite de sonhos.
Seu sonho de pássaro.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
AMOR PLATÔNICO
A atriz escocesa, Rose Leslie, a Ygritte de "Game of Thrones". Honestamente? Não saberia nem por onde começar a explicar.
domingo, 12 de agosto de 2012
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
TARANTINARTE
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A PARTIDA
Ela permaneceu no carro, por mais alguns instantes, antes de dar a partida. Antes de partir. Ela sabia, eles sabiam, que chegava ao fim aquela história. Ali, enfim, de uma vez por todas. Havia algo no ar, algo que podia ser sentido na pele, que no momento que os dois se dessem as coisas seria pela última vez. Como se o encanto estivesse - por fim - desfeito; a magia chegado ao fim, a fonte de esperanças esgotada. A constatação de que nada mais surgiria daquelas portas. Aquela bela mulher, aquele homem bom.
Os dois descobriram que a vida é o terceiro agente de todas as histórias. O inesperado coadjuvante. O ator que rouba a cena. O personagem que se infiltra em todas as decisões, em todos os laços afetivos, em todos os negócios, em todas as histórias de amor. Eles haviam feito uma escolha, dividido os espólios daquela aventura, e havia chegado a hora de seguirem caminhos diferentes.
Viveram numa passagem de horas a efemeridade agridoce de uma vida não vivida. Souberam sobre tudo - ou quase tudo - sobre um e o outro. Ou pelo menos o que era preciso saber. Amaram-se, odiaram-se, decepcionaram-se, descobriram-se com avidez adolescente, fizeram "juras de sal e limão", prometeram pactos sem fundamento. Eram adultos demais, temerosos demais, chatos demais. Ficara para trás, para sempre, aquela juventude de adorável irresponsabilidade, dinheiro curto e cabelos mais escuros. Eles não eram mais os mesmos.
Tentaram, é preciso dar-lhes esse crédito. Tentaram. Corajosamente, sim, tentaram. Provaram sabores, cheiros, sensações antigamente aprisionados em ideias, em pensamentos sem concretude, em sonhos desfeitos, natimortos. Experimentaram, verificaram, naquela apaixonada troca de sons, suor e saliva, que poderiam ser felizes até o fim dos seus dias.
E então escolheram o caminho mais fácil. O amaldiçoado caminho mais fácil, que é justamente o mais difícil. Aquele em que se abre mão das coisas, deixadas, espalhadas pelo caminho, sem chance de serem novamente organizadas. Folhas espalhadas pelo vento. Perdidas.
Decidiram manter orgulhosas as velas puídas de seus barcos a pique. Decidiram continuar navegando, talvez para fundear, talvez para afundar. Já estavam cansados demais para fundar. Para pular na água, aqueles corpos que talvez não fossem capazes de levá-los à praia. Olhavam o horizonte, aquele sorriso profissional que aprenderam a montar no rosto, para demonstrar bravura e esconder a incerteza. Aquele sorriso confortante de estar fazendo a coisa certa.
Decidiram manter orgulhosas as velas puídas de seus barcos a pique. Decidiram continuar navegando, talvez para fundear, talvez para afundar. Já estavam cansados demais para fundar. Para pular na água, aqueles corpos que talvez não fossem capazes de levá-los à praia. Olhavam o horizonte, aquele sorriso profissional que aprenderam a montar no rosto, para demonstrar bravura e esconder a incerteza. Aquele sorriso confortante de estar fazendo a coisa certa.
Eles sabiam que quando ela desse a partida tudo teria enfim chegado ao fim. Não haveria mais espaços, sobras, pontas a serem atadas. Como os nós que, impossíveis de serem desfeitos, são cortados com faca. Coisa definitiva. Eles sabiam que acabava ali.
Olharam-se com melancolia, uma última vez, paralamentando despedidas que dispensavam palavras, órfãs de verbo. Tocaram as mãos com gentileza, beijaram rostos sem aquela certeza antiga que unia bocas sem hesitação. Corpos, olhos, mãos, bocas, almas, dizendo adeus. Para valer.
Sim, para valer. Porque tinha valido à pena. Esqueceriam-se, em breve, aquelas memórias sendo enterradas, feito relíquia. Arqueologia. Desapareceriam, como fantasmas. Mas permaneceriam, em algum lugar ainda sem nome, onde se guarda o que passou sem passar. Onde se escreve as respostas que não se conheciam. Para não esquecer em definitivo.
Não seriam mais nada. Abdicaram daquelas coroas, aqueles reis sem reino, aqueles heróis sem canções. Despiram-se do futuro. Tornaram-se mundanos, desimportantes, vírgulas, não mais que isso. Tornaram-se capítulos. Irrelevantes.
Um sol batendo no rosto, um vento prenúncio de noite mais fria. Uma porta batendo atrás das suas costas. Então a partida. E não se veriam nunca mais.
Aquela bela mulher, aquele homem bom.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
"TRAGAMOS LENHA"
LXXVIII
Pablo Neruda
Não tenho nunca mais, não tenho sempre. Na areia
a vitória deixou seus pés perdidos.
Sou um pobre homem disposto a amar seus semelhantes.
Não sei quem és. Te amo. Não dou, não vendo espinhos.
Alguém saberá talvez que não teci coroas
sangrentas, que combati o engano,
e que em verdade enchi a preamar de minha alma.
Eu paguei a vileza com pombas.
Eu não tenho jamais porque distinto
fui, sou, serei. E em nome
de meu mutante amor proclamo a pureza.
A morte é só pedra do esquecimento.
Te amo, beijo em tua boca a alegria.
Tragamos lenha. Faremos fogo na montanha.
Pablo Neruda
Não tenho nunca mais, não tenho sempre. Na areia
a vitória deixou seus pés perdidos.
Sou um pobre homem disposto a amar seus semelhantes.
Não sei quem és. Te amo. Não dou, não vendo espinhos.
Alguém saberá talvez que não teci coroas
sangrentas, que combati o engano,
e que em verdade enchi a preamar de minha alma.
Eu paguei a vileza com pombas.
Eu não tenho jamais porque distinto
fui, sou, serei. E em nome
de meu mutante amor proclamo a pureza.
A morte é só pedra do esquecimento.
Te amo, beijo em tua boca a alegria.
Tragamos lenha. Faremos fogo na montanha.
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